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Mostrando postagens de novembro, 2025

Coincidência

Percebi que Co incidir é incidir no mesmo instante. Ontem, um garoto estava sentado numa das escadas da escola, desenhando um olho que ele daria para a inspetora. Sentei ao lado deles e ficamos conversando. Ele é meu aluno de desenho e é muito bem educado. Adora desenhar e tem muito talento. Ele me falou do primo artista que faz música e canta e eu na mesma hora o procurei no YouTube. Encontrei e comentei com ele que achava o estilo muito parecido com o do Tiago Iorc. Antes que eu mostrasse um dos sucessos do Iorc, ele viu no clipe do primo, que além da imagem do moço em primeiro plano, no fundo ele aparecia desenhando a partir de sobrancelhas. Curioso. Na sequência achei o sucesso do Iorc e o garoto não só sabia a melodia como sabia a letra. Cantarolou: Eu amei te ver, eu amei te ver. Uma voz sensacional do moleque. Quando terminamos de ouvir e cantar a música que saía baixinha do celular, ouvimos curiosos o som forte, vindo lá de baixo. O professor Odi havia levado a caixa de som par...

Apagão

Acabei de escrever o texto denominado Cabelo, iluminei todo texto e quando fui clicar em copiar. Como por encanto ele se apagou. Imagina a estação Barra funda do metrô e duas filas rigorosamente formadas para a entrada no trem. Um moço com aqueles fones de ouvido gigantes não se dá conta e fica esperando do ladinho, pertinho da porta. Os olhares de nós todos da fila estavam fulminando o moço que vestia uma mochilinha nas costas. De nada adiantou, já que ele estava com os olhos estatelados na tela do celular e os dedos freneticamente digitando procuras. Quando o trem chegou e coubemos todos dentro do vagão, incluindo o moço da mochilinha e dos fones, eu refleti sob um outro viés. Todos coubemos no trem, mas persiste uma questão de princípios. É uma questão de respeito e respeito o estagiário não teve. Foi só eu entrar na farmácia e vi acima do corredor a placa: Fila única. No corredor um pouco mais à direita, outra placa onde estava escrito: Fila Preferencial. Eu era o primeiro na fila,...

Adivinho

Adoro os fatos que realçam a minha convicção e a minha percepção, que me dizem sobre o quão abençoado eu sou. Ontem, depois da minha hora na bicicleta, comecei a sentir uma dorzinha no joelho esquerdo. Achei estranho porque a dor parecia ser no osso. Chegando em casa depois do almoço,  no intervalo da série Bloodline, me deu aquele estalo costumeiro, parecido com aqueles que acontecem quando estou no banho, ou dentro do Classic 2013. O povo chama de Insight. Lembrei que quando estava entrando no busão da Cometa às seis e vinte e cinco da matina, dei uma topada com o joelho esquerdo na ponta do braço da poltrona do corredor. Passei a viagem inteira, passando pelo almoço e pelo sofá e a ficha de sentir a dor só caiu no momento exato que estava deitado no sofá. Diria que aconteceu Do Nada. Rio porque a expressão Do Nada, nunca é do nada. Quase sempre é um acúmulo muito maior do que a trajetória que eu registrei acima. Não estou falando desses casos objetivos como uma batida no joelho ...

Abracadabra

Como num passe de mágica vislumbrei um sábado. A ansiedade é tamanha que já comecei a encapar a caixa de materiais de 2026. Encontrei na arrumação do ateliê uma folha de papel manteiga quadriculado. Rasguei com a mão em pequenos pedaços e já fui papietando. Papietar é colar pedaços de papel sobrepostos para criar uma capa para o objeto. Ontem já coletei alguns papéis e pequenos objetos que já estão colados na tampa. Falta ainda terminar as partes internas da tampa e da caixa, coisa que farei depois de desembrulhar os presentes de Natal. Usarei os variados papéis de diversas lojas. A caixa de sapatos também foi sobra da arrumação. Adoro fazer colagens e isso se reflete nos Cartões de felicitações que ofereço aos amigos em aniversários e outras ocasiões comemorativas. Recorte e colagem sempre me interessou, pena que não guardei o foguete Apollo que fiz usando uma caixa de pasta de dentes e outras pequenas caixas de remédio quando eu tinha 10 anos. Não tenho habilidade para escultura, mas...

Linguagens

Mais uma vez observo a importância das linguagens. Depois de passar rapidamente por um lugar muito lindo, com artesanias incríveis, eu precisava chegar na rodoviária de São Paulo. Ao passar pelo portal de saída me dirigi ao porteiro de terno. Perguntei como fazia para pegar um ônibus para chegar até uma estação do metrô. Com gentileza ele me levou até a calçada e me disse que era muito mais fácil eu ir a pé. Disse para eu virar a primeira à esquerda e depois a primeira à direita. Disse ele que depois da drogaria a estação estaria logo ali. Três quarteirões. Tudo certíssimo. Entrei na linha lilás e andei até o trem que me levou até a estação Santa Cruz. Lá dentro da estação o caminho é intenso e longo até chegar na porta do trem que me levou até a Sé. Longas subidas em escadas rolantes. Pelo menos três níveis. Perceba que neste percurso eu tive que rememorar a palavra três, saber que é um número, ter ciência do que são quarteirões, estação, a cor lilás, seguir as placas, ler a sequência...

Favoráveis

Quando eu começo a pedalar, sempre há uma resistência das pernas. O condicionamento faz com que isso dure apenas alguns minutos. O condicionamento é parte importante, mas na vida também é importante o improviso. Acho muito bom eu ter a habilidade da intuição que motiva o improviso. Tenho certeza que muitos artistas usam estudos e planejamento em seus trabalhos. Tenho evitado esse processo e me atirado mais às formas dos suportes que utilizo nos meus trabalhos. Um exemplo é a rugosidade dos tecidos das calças e camisetas, além do fato de não serem totalmente esticados. Uso os dois dedos da mão esquerda para dar uma esticadinha e mesmo assim a ponta da caneta vai de desgastando na medida da rugosidade do tecido, o que me faz traçar a partir das características que se apresentam. Desde 1983 sou professor de Arte. É impressionante como essa tarefa necessita de várias habilidades científicas, biológicas e humanistas. É desta forma que a habilidade do improviso se torna cativante. Um acontec...

Imagens

Categoticamente eu fico imaginando no caminho entre uma unidade do Colégio e outra. Criando imagens vinculadas aos assuntos todos que povoam a minha mente agitada. Quase sempre vem à minha memória pessoas que me ligam a tantos elementos que compõem objetos do dia a dia. Outro dia pensei na pedra que segura uma das portas de uma sala de reuniões do Colégio. Desde que um amigo viu a pedra ele quis uma para a casa dele. Repare que isso faz tempo. Muito tempo. Na segunda, no caminho, me aparece a questão da pedra que segura a porta. No dia seguinte, exatamente no dia seguinte, o amigo me manda por mensagem a foto da tal pedra. Fui atrás de uma pedra de seixo que fosse bem grande para que eu pudesse desenhar movimentos de peixes sobre ela. Procurei no oráculo Google, mas ali só encontrei uns montes das pedras pequenas. Porém, ao procurar por loja de jardinagem, encontrei uma que a partir das fotos me pareceu propícia a ter uma pedra grande. Cheguei e havia três jogadas no jardim. Escolhi a ...

Focalizo

Andei a pensar sobre as minhas duas caixas de papelão que guardo no armário do quartinho do meio. Nelas eu guardo pastas, papéis e pequenos objetos que ganhei ao longo dos quarenta e dois anos de aulas de Arte. De material é o que eu tenho, mais as poucas roupas, um chinelo de borracha, uma sandália de couro, um par de tênis e um par de pantufas. Claro que não esqueço do super Classic preto 2013, porém hoje me interessou o conteúdo das caixas de papelão. Coisas da memória, guardadas de tal forma que dificilmente eu mexo. Outro dia fui procurar um jornal da USP que abordava o trabalho coletivo que fiz com alunos do Colégio, onde eles tiveram a oportunidade de realizar em grupo um Outdoor, que na época era construído com trinta e duas grandes folhas de papel sobrepostas, gerando um espaço de seis metros por dois e meio. O resultado foi uma composição geométrica que foi estampada numa das páginas do jornal. Encontrei o dito e já digitalizei as páginas, além de ter enviado para o setor de ...

Samba

Logo cedo acordei e fui pegar a escadinha que mora no banheirinho da área de serviço. O serviço era desocupar a parte de baixo do armário que guarda as roupas em cabides. Tirar as coisas das duas partes de cima, preencher o espaço com as coisas de baixo e repor as coisas retiradas antes. Coube tudo, só com uma ressalva. O resumo é que neste movimento, várias coisas sobram para serem doadas, ou jogadas fora. Esta é a ressalva. Novamente o que é enfatizada nesse processo é a memória que todas as coisas guardam. No final tem espaço para os papéis, espaço para todos os outros materiais de Arte e espaços para todas as outras coisas que são úteis no trabalho. Essa utilidade é essencial nos dias de hoje, me trazendo à lembrança a necessidade de se comprar roupas que não necessitem ser passadas, por exemplo. Os apartamentos que são oferecidos para a classe média já prevê que os habitantes cheguem apenas para passar a noite. Claro que eles tem que ter um espacinho para o computador usado para a...