Focalizo
Andei a pensar sobre as minhas duas caixas de papelão que guardo no armário do quartinho do meio.
Nelas eu guardo pastas, papéis e pequenos objetos que ganhei ao longo dos quarenta e dois anos de aulas de Arte.
De material é o que eu tenho, mais as poucas roupas, um chinelo de borracha, uma sandália de couro, um par de tênis e um par de pantufas.
Claro que não esqueço do super Classic preto 2013, porém hoje me interessou o conteúdo das caixas de papelão.
Coisas da memória, guardadas de tal forma que dificilmente eu mexo.
Outro dia fui procurar um jornal da USP que abordava o trabalho coletivo que fiz com alunos do Colégio, onde eles tiveram a oportunidade de realizar em grupo um Outdoor, que na época era construído com trinta e duas grandes folhas de papel sobrepostas, gerando um espaço de seis metros por dois e meio.
O resultado foi uma composição geométrica que foi estampada numa das páginas do jornal.
Encontrei o dito e já digitalizei as páginas, além de ter enviado para o setor de Marketing do Colégio.
Hoje elas estão guardadas numa das pastas do meu note.
As páginas amareladas do suplemento Cultura do Jornal O Estado de São Paulo, onde constam as minhas ilustrações para os textos de 1981 a 1986, meu amigo Cleber já digitalizou e estão todas na Pasta: Arte do Betu.
Do jeito que a coisa vai, as caixas de papelão terão como destino a caçamba de lixo ali na frente do prédio.
Objetos fotografados e papéis digitalizados.
Sinal dos novos tempos.
Descrevi esta situação, mas ainda não fui ter com as caixas para saber qual será o destino dos conteúdos.
Tenho tido menos pena e mais objetividade nestas coisas do guardar coisas ainda palpáveis, já que a minha memória ainda resiste e dou extremo valor para as lembranças que me ocorrem dentro do super Classic, entre uma unidade e outra.
Tenho apreço pelo entrelaçar das palavras, das imagens, dos pequenos encantos que se transformam em soluções publicáveis.
Publicar, tornar público, hoje é tarefa simples, já que existem muitas plataformas, porém o meu publicar também é direto e reto.
Dificilmente deixo escapar uma oportunidade de externar uma lembrança que tem como objetivo oferecer uma surpresa agradável, em aniversários por exemplo.
Hoje é aniversário do meu amigo Mestre e mandei a minha imagem de feliz AniVersário, como sendo Um Ano de Versos, junto com o parabéns cantado, diferentão.
Ele me agradeceu dizendo que ficou muito feliz e que compreendia tudo aquilo como coisa de Artista.
Tudo que capto da natureza de todas as coisas eu já imagino tornar público.
Faz parte do meu processo artístico que começa me sensibilizando e quase que diretamente é racionalizado pelas relações mentais que faço com minhas experiências vividas.
Publicar se faz necessário porque sempre alguém é lembrado no durante do processo.
Enfatizo isso porque já obtive informações que dizem que isso não é normal, ou comum.
Muitas pessoas se sentem de alguma forma constrangidas ao pensar em publicar, imaginando que o outro não precisa deste gesto, ou que não cairá bem.
Assim caminhamos todos juntos sem parar e nossos passos pelo chão vão ficar.
Você acabou de cantarolar o jingle dos anos 70, cuja letra foi escrita por Paulo Sérgio Valle.
E é assim, porém nossos passos só ficarão se tornarmos públicas nossas ideias, nossas emoções e nossos sentimentos.
Aqui escreve alguém que tem alguma dificuldade com esta tarefa, mas que se empenha diariamente para mudar este panorama.
Vou abrir as Caixas e depois te conto
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