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Certo, o incerto

Uma das coisas que aparecem mais claramente na minha cabeça é que as ideias que eu tenho sempre vêm acompanhadas das ideias de outros e outras camaradas. Há muito tempo eu estava no Museu do disco folheando uma revista inglesa. Eu havia terminado um livro de charges onde eu desenhei um homem que montava seu corpo com um quebra-cabeças que estava espalhado na mesa em frente. Numa página da revista inglesa, a mesma ideia. Imagine hoje com as coisas explícitas nas redes, o quanto isso acontece diariamente. É assim que funciona, é assim que a Arte através dos seus artistas vão expressando as várias vivências. Fui desfiado a fazer um retrato e mais uma vez percebi que este é um trabalho quase desnecessário, já que é noventa por cento técnica e as pessoas desejam que fique igualzinho a foto, claro. Por isso estou comprando telas painéis e expressando as minhas ideias de linhas originais que são importantes para mim. Importante é exportar. A par disso a minha certeza que a linguagem musical é...

Potável

Ontem ao atravessar uma avenida com meu automóvel observei estacionado na frente de um restaurante um caminhão carregado com Água Potável. As duas palavras estavam escritas em letras garrafais. Adoro observar as palavras e relacioná-las ao óbvio. Água potável é passível de ser colocada em potes para serem consumidas. Água boa pra se beber e não água contaminada. O local destinado a conter a água era feito de alumínio. Os caminhões que carregam combustível são de ferro. Estando na rodoviária e conversando com a moça que prepara sanduíches na lanchonete do amigo, falamos sobre a possível viagem de trem para São Paulo. Acho que este projeto existe há uns mil anos. Não sai do papel e me faz pensar como ficaria linda a nossa estação ferroviária em Sorocaba. Quando criança eu pegava o trem que chamávamos de Trem da Nona, porque ele nos levava até Regente Feijó, para ficarmos na casa do Nono e da Nona nas férias escolares. As duas pessoas maravilhosas que criaram minhas duas primas fofas. Na ...

Tempo útil

Andando pelo Itaim, Eraldo me parou para mostrar as meias que ele estava usando. Imagino que ele tenha dez anos menos do que eu. Mostrando as meias ele começou a me falar sobre as diferenças das novas gerações, afirmando que a nossa é a geração Z. Eu já vinha pensando na minha ausência de preguiça para o trabalho. Ele me disse sobre suas preferências musicais e pelo fato de andar de skate. Blues, música negra, Red hot e progressivos dos anos 70, são as suas preferências, mas além destas ele mostrou ser uma pessoa Culturada, cheia de conhecimento. Ele não viu nascer os Progressivos, mas eu vi. Tudo aconteceu por causa das nossas meias ilustradas por figurinhas sobre um fundo preto. Na semana passada eu disse para os meus alunos e alunas que me viram pela primeira vez usando bermudas: Se vocês me virem com um tênis de corrida de marca, uma meiazinha curta e principalmente uma bermuda longa com aqueles muitos bolsos laterais podem atirar para matar. Rio porque é aquele senhorzinho querend...

Simples quase assim

Uma das letras do Falcão para a melodia do Lenine. Simples assim. E a pergunta sempre necessária: Eu preciso desenhar? Eu já perdi a paciência e quase abracei a fala do Zeca: Deixa a vida te levar. Quase, porque não consigo e nem acredito. Sei que não preciso ficar estressado se os outros não entendem coisas que eu considero bem simples. A tal da polarização só me leva a um caminho bem simples: O caminhar contrário aos que são anticultura. Não resta a menor dúvida que sou contrário ao rancor, às armas, às guerras e aos preconceitos. Este é apenas um exemplo daquilo que algumas vezes alguns outros confundem com alguma loucura. É coisa de artista que com o tempo foi recolhendo experiências de amor e bonitezas. Recolher é colher de novo, de novo e de novo. Estou bicicletando e ouvindo as melhores do Vander Lee. As melhores são todas as letras e as melodias. Ele foi compor e cantar no céu, com seus 50 anos, afinal fazer o que ele fez por aqui o fez seguir seu pensamento mágico e alcançar o...

Vida útil

A minha vida acontece. São inúmeros acontecimentos que me ensinam mais do que o suficiente. O suficiente para o ansioso nunca é o que basta. E são muitas histórias extraordinárias. Isso mesmo. Extra = além, do Ordinário = da ordem natural. As histórias vão além do ditado pela ordem natural. São fantásticas, mas críveis. Eu como no lanche das dezoitos horas e tanto, um queijo quente. Um tempo depois me dá uma vontade louca de doce, o que é a prova da minha ansiedade plena. Ontem exagerei mesmo. Uma amiga veio em casa e havia a chance de tomarmos um café. Ela nem almoçou e nem tomou café, mas eu havia comprado a preços módicos aqueles biscoitos recheados de nome Passatempo. Nunca uma bolacha teve um nome tão apropriado para falar sobre a ansiedade inerente. Passatempo. O exagero está em passar o tempo todo comendo a embalagem inteira da guloseima. Não consigui parar e lá se foi o início da minha dieta de doces. A partir de hoje, zero doce. Eu consigo ficar no meu bol de yogurte com grano...

De tempo útil

Andando pelo Itaim, Eraldo me parou para mostrar as meias que ele estava usando. Imagino que ele tenha dez anos a menos do que eu. Mostrando as meias ele começou a me falar sobre as diferenças das novas gerações, afirmando que a nossa é a geração Z. Eu já vinha pensando na minha ausência de preguiça para o trabalho. Ele me disse sobre suas preferências musicais e pelo fato de andar de skate. Blues, música negra, Red hot e progressivos dos anos 70, são as suas preferências, mas além destas ele mostrou ser uma pessoa Culturada, cheia de conhecimento. Ele não viu nascer os Progressivos, mas eu vi. Tudo aconteceu por causa das nossas meias ilustradas por figurinhas sobre um fundo preto. Na semana passada eu disse para os meus alunos e alunas que me viram pela primeira vez usando bermudas: Se vocês me virem com um tênis de corrida de marca, uma meiazinha curta e principalmente uma bermuda longa com aqueles muitos bolsos laterais podem atirar para matar. Ahahahahaa: Rio porque é aquele senho...

Casas edifícios

Aqui no bairro as casinhas geminadas vão caindo, uma a uma. As placas de demolidoras vão se multiplicando. Estou fazendo um paralelo com as gerações que vão se sucedendo. As casinhas antigas cedem seus espaços aos grandes edifícios. Achei graça quando li numa placa os dizeres: Esta obra é financiada pelo governo estadual para fins sociais. Como assim? Ah, os Sociais que exploram o setor imobiliário, construindo estúdios miniaturizados visando lucro lá na frente. Os edifícios ficam prontos e muitos nem são medianamente habitados. Isso vai de geração pra geração. E as casinhas vão caindo e deixando para trás mercadinhos, costureiras, bares e restaurantes. Já escrevi por aqui que os conflitos de gerações são inevitáveis, assim como afirmou o rapaz latino-americano. Nossos idolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Você pode até dizer que eu estou por fora, ou então que eu estou inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o Novo sempre vem. Não acho nada boni...