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Observando estrelas

Sempre compro um assento no corredor no ônibus da Cometa. Hoje não foi diferente e quando entrei um moço já estava sentado na janela. Sentei-me, coloquei a mochila no colo e até coloquei o cinto de segurança. Quando o ônibus deixou a rodoviária eu notei que havia muitos assentos vazios. Saí de onde estava e resolvi sentar na janelinha, deixando a mochila no banco do corredor. Por uma dádiva dos céus a parada no terminal São Paulo, onde as pessoas pagam um valor inferior na passagem, hoje também estava quase vazio. Entraram três pessoas. Quando já estávamos na rodovia Castelinho resolvi deixar a cortina azul entreaberta para observar o movimento do sentido contrário. Na hora pensei e tive a ideia de fazer um paralelo com a minha chegada na rodoviária de São Paulo depois de subir a escada rolante em direção ao metrô. Explico. É um monte de gente na direção contrária à minha e uma diversidade extraordinária de tipos e jeitos. Do outro lado da rodovia também. Automóveis de todos os tipos, ...

Resumo

A palavra abstrata é interessante também em inglês. Abstract, resumo, resumir. Uma vez eu levei para uma visita ao Masp uma turma das aulas de Arte. No terceiro andar havia uma exposição do acervo que começava com as obras Abstratas. Uma professora me perguntou quando estava observando uma das primeiras obras: Betu, o que é isto? Não tive nem tempo de respondê-la e um menino de uns dez anos saiu correndo de trás de um biombo e foi respondendo: Isto é uma Composição com linhas,formas, cores e texturas. Óbvio que eu nunca me esqueci desta cena. Incrível. Já faz um tempo que meus jovens alunos têm alguma noção do Abstracionismo, já que estão tendo aulas de Arte muito boas no Ensino Infantil. Porém, muitos ainda relacionam o Surrealismo com o Abstracionismo. É simples entender. Quando produzem ou encaram uma Obra Surrealista normalmente eles me dizem que a Obra não tem Sentido. Ou seja, os elementos da imagem nâk têm uma organização que conte uma história real, que faça um sentido direto c...

Remix

As misturas são sempre bem vindas. Não precisa ser charuto de repolho, batatas a dorê ou abobrinha cozida. Misturas todas. Preferencialmente as de tipos de pessoas que vestem todos os tipos de camisa, calças, meias, sapatos e acessórios. Adoro uma loja da rua Augusta chamada Ao Gosto Augusta. Adoro títulos e isso é uma prova do meu gosto. Adoro misturar as palavras e enchê-las de múltiplos sentidos e leituras nas entrelinhas. Desta forma Adoro os Mistérios e suas raras chances de serem desvendados. Essa é a chave. A busca pelo desvendar, tirar as vendas, descobrir os tesouros emaranhados no bau das ideias. Quando vejo a rapidez de raciocínio de vários jogadores na Europa eu alimento o preparo para as minhas realizações mais simples. É bonito de ver. Assim como acho muito interessante as releituras dos movimentos modernos, tornando contemporâneas as imagens misturadas e reinterpretadas. Impressionismo, surrealismo, dadaísmo, abstracionismo, misturados no caldeirão das cabeças dos Artist...

Esquisito

Apesar de ser esquitito eu gosto muito das marcas deixadas no cimento das calçadas. Digo esquisito porque é uma contravenção. O profissional deixa o cimento lisinho, vem alguém e passa por cima com o cimento fresco marcando o piso. Desta vez o chão está marcado por um pneu de bicicleta e bem rente a essa marca, patas de cachorro. Como todas as marcas elas vêm recheadas de significados. Não apenas as marcas no cimento, mas principalmente as que são impressas na gente pelos acontecimentos. Ao passar olhando para o chão a marca de pneu me remeteu a quantidade incrível de entregadores de encomendas. Entregam desde objetos até comida de todas as naturezas. Estão trabalhando duro e sem nenhuma garantia. Aqui no bairro quem anda pelas calçadas deve ter atenção redobrada, afinal o que os ciclistas entregadores mais fazem é andar pela contramão. Quero dizer na contramão sobre as calçadas As patas de cachorro têm muito a ver com o declínio da natalidade. O crescimento do mercado Pet é ultravisiv...

Inusitado

Pensei ter esquecido os fones de ouvido em casa, mas não. Estão aqui conectados e sem uso. Gosto de me concentrar nas palavras enquanto pedalo. Contradição dos artistas. Mudando um pouco as ruas da caminhada até aqui eu descubro até uma loja de sapateiro que desconhecia. Vibro com a observação rápida das máquinas antigas e as misturas de sapatos e bolsas para serem reformadas. Gosto muito de reformas e por isso gosto também de passear por trocas de ruas que me levam aos mesmos lugares. Não esqueci os fones, mas esqueci a minha garrafinha com água. Já na entrada da academia está um aviso: Estamos sem água. Sirlane avisa que ainda há água para beber nos bebedouros, mas deve ser economizada para o bem estar coletivo. Acho bonito isso e pratico. Claro que minha mente insana me leva a pensar em bebês de ouro, quando escrevo Bebedouro. E também me leva àquela minha frase recorrente: Pena que os bebês crescem. Rio porque gosto quando eles começam a se comunicar quando mais crescidos. E eles s...

Falseta

Existem coisas que funcionam apenas se forem originais. Meus fones de ouvido não são encontrados mais pelo Bluetooth do meu celular. Parece que os comprei no trem do Metrô, mas não. O moço entra no trem e já vai comunicando: Tenho aqui fones sem fio originais que nas lojas custam cinquenta reais. Tenho aqui por vinte. Levando dois faço cada um por dez. É claro que ele vai durar no máximo um mês. Rio porque não sou ignorante neste aspecto. Penso que não apenas neste. Acabo de comprar um fonão daqueles que cobrem a cabeça por trintão. É claro que talvez ele nem carregue, mas comprei com meu coração peludo e raivoso. Rio porque eu não sei se posso ser mais ignorante. Chega amanhã e quando puser pra funcionar eu conto como foi. Depois que tive que comprar um celular novo, achei incrível que ele não têm mais entrada para fones com fio. Comprei porque o outro apagou de vez. Coisa da modernidade. A obsolescência dos produtos. Eu sinceramente gosto de usar coisas que estão em bom estado e já s...

Chapa de metal

Acordei pensando nas aulas de escultura em metal da faculdade dos anos 80. O Mestre era Nelson Lerner. Eu já sabia quem era o super artista que revolucionava tudo o que já era vanguarda, portanto você pode imaginar as aulas dele sobre escultura em metal, ou qualquer outra aula. Eu, aquele garoto tímido do interior com algumas ideias na cabeça, que não conseguia entender ainda o livro da Fayga, Criatividade e processos de criação. Eu era apenas intuitivo. Na faculdade tínhamos oficinas e uma delas era a de metal. Com máquinas de vários tipos e uma delas, dobrava as chapas metálicas em linhas retas. No final do semestre nós apresentávamos nossos projetos individuais. No dia marcado aprendi que menos é mais, já que eu acrescentei de forma nada a ver, o carimbo que havia produzido nas aulas de xilogravura. Bastaria a sala vazia, toda escura, com a chapa de metal com duas dobras retas e inclinadas, transformando a chapa bidimensional num objeto tridimensional. Para refletir melhor eu pintei...