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Úmido lúcido

Tem chovido a cântaros é uma expressão que condiz muito com os dias que estamos vivenciando. É importante chover agora. Mais tarde fará aquele calorão e faltará água nos reservatórios. Chove lá fora e aqui está tanto frio nos escreveu o Lobão. No caso do frio do Lobão foi o frio do desamparo e da solidão. Aqui está tanto frio mesmo. Hoje e amahã os cachecóis estarão à mostra. Eu não gosto do calor por ter que andar por aí vestido. Um calorão e eu com calça jeans e camiseta, além dos tênis pretos com cadarço azul marinho. Uma das grandes ideias foi o cadarço elástico, mas na sapataria do futuro o preto já havia acabado e domoraria para chegar. Fui de azul marinho mesmo e ficou admirável. O povo com certeza pensa que o senhorzinho endoidou de vez, mas até é uma questão estética. A questão da diferença, do contraste, da diversidade de opções. A ideia é essa mesma. Ir experimentando e dando lugar ao que é mais assertivo. E o mais admirável é que o que é acerto para alguns é desacerto para ...

Direções múltiplas

Caminhar até um pouco mais longe. Do outro lado da Cidade Jardim, na Clodomiro Amazonas, tem outra academia da mesma rede que deve ter pelo menos uma bike funcionando. Aqui a duas permanecem em manutenção eterna. Os pequemos problemas dessa natureza vão se resolvendo na conversa, mas principalmente nas minhas ações contundentes. Ao sair do prédio vi meu ex vizinho que ainda está andando apoiado numa muleta. Porém está muito mais disposto do que quando ele e a esposa foram morar com o filho aqui perto. O cumprimento foi de entusiasmo. Assim a calçada e as pessoas sorriem um tanto mais alegres. Outra questão é a loja de carros usados correndo atrás do novo proprietário do Fiesta 98 que até hoje não passou o carro pro nome dele. A concessionária já está acionando. Estou bem mais pontual nas minhas mensagens, porém ainda com um grau de doçura. Rio porque é assim mesmo que essas coisas são resolvidas pela minha persona. Assim eu sigo ganhando, ganhando e agradecendo. Minhas memórias estão e...

Feriado ado ado

Meio dia e quarenta. O povo reunido na rodoviária para voltar para casa neste feriado. Aquela aglomeração desesperada de sempre, com quase todos os passageiros pensando que serão deixados para trás pelo motorista. Rio porque esta é a vibe das pessoas das cidades médias e grandes. Vivendo e aprendendo. Quase comprei a passagem para Sorocaba no ônibus das 12h30. Achei que estava em cima da hora e resolvi comprar para às treze horas. Providência. Acabo de saber através da pergunta de duas moças que têm as passagens compradas para o ônibus do meio dia e meia, que o busão vem de Santo André e vai atrasar devido ao trânsito totalmente parado no trajeto até a capital. Na plataforma estão os ônibus das treze e o das treze e quinze. Será que as pessoas sabiam que o das doze e trinta vinha de outra cidade? Coisas quase específicas dos feriados com a Viação Cometa. Existe uma ideia no Colégio que visa a criação de uma rádio. O Carrinho da rádio está no conserto e volta em 2027. A rádio não estar ...

Ponto de equilíbrio

Há muito tempo ando externando que depois dos sessenta anos o meu cuidado é com o equilíbrio. Também faz tempo que elogio o titulo do álbum do Renato Russo cantando em italiano: Equilíbrio distante. Enfim, a minha vida é definida pela possibilidade de adquirir algum equilibrio, já que para quase tudo eu sou exagerado. Era. Depois dos sessenta eu não tenho mais espaço para tanto exagero ansioso. É um exercicio cotidiano e constante. Hoje fui a um atendimento bancário e exercitei este ser equilibrado. Foi assim também no dia de um bate-bapo no Sesc sobre Arte. O exercício do ansioso sessenta mais é ouvir mais. Esperar atentamente pelo momento de comentar. Equilibrio nas finanças, no exercício físico, na conversa e em tudo o que demandar contato com as outras pessoas. No início a minha intenção era falar sobre o equilíbrio motor. Ele já não é mais o mesmo e o exagero pode acarretar consequências desastrosas. Meu cuidado é segurar sempre nos corrimãos. Este é o terceiro ano que procedo des...

Interestelar canoa

Interessante eu observar que a todo instante aparece alguma coisa para que eu me sinta na ativa. Ativando a ocupação, mas também a preocupação. Sei que isso é inerente a todo ser humano, mas pra mim acho interessantíssimo. Estou no ônibus indo pra São Paulo e já estou ligado na reunião online sobre a Culminância das Eletivas do Colégio. Nada escandaloso. No meu caso é até bem simples, já que eu e os alunos já temos até desenhos para expor no painel. Porém, observei que em Artes visuais somos seis profissionais e já fico pensando se o espaço será pequeno, ou enorme. Este é um exemplo que ainda virá e repito que é muito simples de resolver. Mais tarde tem a questão do almoço, que pode ser em casa, pode ser no restaurante e até pode ser na mesa comendo uma sopinha. Repito que estou eacrevendo sobre dilemas muito triviais. E comigo as coisas se passam assim. Inventar Atividades relativas aos capítulos da Apostila dos oitavos e nonos anos. Arte interativa e Arte no corpo. Já é simples de in...

Novamente

Novamente eu acho muita graça quando o busão pra Sorocaba nem encostou ainda na plataforma e o povo se aglomera no portão de embarque como se o busão fosse partir sem algum deles. Essa graça é reflexiva, claro. Uma situação simples onde demonstramos nossa ansiedade ampliada pela velocidade com que tudo caminha. Mostra também que a minha insistência em ficar sentado, esperando nos assentos de fora, faz parte da experiência de um ansioso, agora bem mais paciente. Aquela história de ouvir mais e falar bem menos está instaurada em mim. Ainda sou um contador de histórias obviamente falante, mas bem mais econômico. Esta simplicidade deveria ser uma ferramenta muito produtiva no sentido de fazer a nossa vida mais fluida. Hoje ouvi uma frase sensacional sobre o nosso egoísmo. Eu não sou egoista, porque eu sou prioridade. Confesso que eu não comungo dessa ideia prática, mas foi importante ouvir com tanta sinceridade. Faz-me permanecer com a ideia de levar a vida com simplicidade, afinal sermos ...

Ontem, hoje e sempre

A velha questão envolvendo o ontem e o amanhã. Aquela que diz que são dois tempos menos importantes do que o hoje. O agora. Considero o agora muito importante para não deixarmos para amanhã as coisas necessárias. Hoje o moço foi arrumar a persiana do quarto que havia ido toda para dentro da enorme caixa de madeira pintada de branco. Aquelas persianas de correr para cima e para baixo. No passado eu já sabia que num futuro próximo a tal caixa ia ficar toda suja com manchas escuras do encostar das mãos e do desatarraxar dos parafusos. Nem foi uma previsão do futuro, foi uma certeza guiada pela experiência do passado. Um minuto depois de terminado o trabalho de arrumação, que eu ajudei a fazer, comecei a preparar a massa e a tinta branca. Agora tudo está como no passado? Não. Está ainda mais branco e limpo. Justo é saber que uma coisa é consequência da outra. Passado, presente e futuro. Um tipo de quebra-cabeças onde vamos montando a imagem final começando pelas beiradas. Tanto que a últim...