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Correria e assistência

As lojas físicas estão fechando. Não compensa mais pagar os aluguéis, por exemplo. Enquanto isso a gente segue comprando online, muitas vezes sem moderação. O famoso e-comerce. As máquinas e os algoritmos doutrinando e aprendendo com nossos gostos. Eu que gosto de variedade fico pensando como é exaustivo receber na cara centenas de ofertas de determinada loja onde fiz uma única compra. Porém, ainda consigo despistar, pular logo para uma outra história e seguir em frente. Ontem o time de futebol do Brasil foi eliminado tendo um técnico italiano no comando. A Itália faz três copas que não participa do torneio. É claro que o Ancelotti é um técnico vencedor treinando clubes. Quando o nosso Abel Ferreira foi sondado para ser técnico da nossa seleção eu disse: Ele não vai de jeito nenhum, afinal ele ama trabalho e trabalho é coisa que não existe na nossa seleção. O jogo de ontem contra a Noruega me mostrou algo que eu nunca havia visto. O time da Noruega andando em campo, trocando passes de ...

A tartaruga lebre

Andar é um exercício de observação. Recebi um vídeo documentário sobre um artista brasileiro, de Piracicaba, cuja vida e contribuição eu desconhecia. Mais do que isso. Tenho certeza que muitas pessoas também desconhecem, sendo que artistas de mais mídia elas também desconhecem. O artista em questão é Miguelzinho. Hoje estudado em mestrados e doutorados. Seu corpo foi enterrado na igreja que ele projetou e construiu. Fez muitas imagens em aquarela, retratando pessoas e paisagens dos lugares que morou, ou visitou. Um Brasil genuíno. Mais do que isso. Músico e compositor. Com o advento da atual tecnologia globalizante temos a chance de conhecer muita gente importante que até agora eram desconhecidas, ou esquecidas. Estou falando de artistas, mas não só. Todos os dias que abro o Instagram, ou o YouTube, vejo uma infinidade de novidades de tempos passados, mas que têm uma contemporaneidade impressionante. Pessoas que contribuiram com nossa vida que vivemos hoje. Nos anos 70, na rua Rio de j...

Escrever brincante

Faz um tempo. Pequeno espaço sem o pedal que me ajuda a  acelerar o movimento das pernas. Eu tenho uma letra musicada que diz: Hoje eu posso ser um rio servil, um pedal de bicicleta. Escrevi faz tempo. Sempre fiquei a pensar na dificuldade de interpretar esta frase. Eu queria me expressar pela letra, que eu podia e continuo podendo, fazer aquilo que o meu coração e a minha razão pedir que eu faça. Neste trecho eu digo que a minha vida é como um rio que me serve água e movimento, assim como o pedal de bicicleta que impulsiona a roda. Assim eu sigo, sendo que naquele momento nem estava imaginando que faria uma hora diária de bicicleta na academia. O exercício de viver é magno, magnífico. Exercito a cada instante o poder do diálogo já que muitas vezes me via num monólogo. Ainda exagero nas palavras e nos gestos, mas o que acontece, acontece demasiado comigo. Eu tenho uma ex aluna que trabalha com administração e escreveu dois livros. Um a partir da experiência das férias dos filhos qu...

Escrever brincante

Faz um tempo. Pequeno espaço sem o pedal que me ajuda a  acelerar o movimento das pernas. Eu tenho uma letra musicada que diz: Hoje eu posso ser um rio servil, um pedal de bicicleta. Escrevi faz tempo. Sempre fiquei a pensar na dificuldade de interpretar esta frase. Eu queria me expressar pela letra, que eu podia e continuo podendo, fazer aquilo que o meu coração e a minha razão pedir que eu faça. Neste trecho eu digo que a minha vida é como um rio que me serve água e movimento, assim como o pedal de bicicleta que impulsiona a roda. Assim eu sigo, sendo que naquele momento nem estava imaginando que faria uma hora diária de bicicleta na academia. O exercício de viver é magno, magnífico. Exercito a cada instante o poder do diálogo já que muitas vezes me via num monólogo. Ainda exagero nas palavras e nos gestos, mas o que acontece, acontece demasiado comigo. Eu tenho uma ex aluna que trabalha com administração e escreveu dois livros. Um a partir da experiência das férias dos filhos qu...

Tempos assim

Sentado, almoçava. Via em frente uma família de japoneses muito felizes. O pai, aquela simpatia. Pensa num cara boa gente, conversando com o filho, a esposa e a filha. Ele parecia falar coisas suaves e engraçadas, mas ao mesmo tempo parecia aconselhar de alguma forma o filho. A filha e a esposa mais introvertidas, porém muito participantes da harmonia. Saíram e no lugar deles, outra família. Ali estava a prova exata que não é possivel dar um veredito sobre observações instantâneas. Um pai, senhor como eu, uma mãe com corte de cabelo moderno, um filho adulto jovem e o outro um tanto mais velho. O mais jovem estava falante, usava jeans e camiseta e estava sendo observado atentamente pelos pais. Já o mais velho, uma vestimenta mais austera e um semblante ausente da cena. O mais novo sacou o celular e o mais velho impávido. Foi só chegar a comida que tudo foi alterado. O moço mais velho desatou a falar pelos cotovelos e o pai e a mãe só ouvindo. Vez ou outra, um pitaco, um sim, um não. Voc...

Multitarefas

Não era do meu costume fazer escrita ouvindo música. Porém estou nesta lida desde que recebi de presente um Spotify familiar. E as frases vão surgindo mesmo tendo as letras das canções invadindo os meus ouvidos. Coisas do nosso cérebro dotado de muitas facetas. Adoro quando algum artefato aparece quebrado e eu posso consertar. Para isso tenho uma caixa de ferramentas simples em Sorocaba e outra em São Paulo. Pequenos consertos, nada muito sofisticado. Antigamente a minha ansiedade fazia eu cometer pequenos erros tal qual o de substituir os fios numa tomada e não experiementar se estava funcionando, antes de fechar o espelho na parede. Hoje eu sempre experiemento o que considero o final do conserto e só depois eu dou o acabamento. Gostei de consertar o São Francisco que caiu de uma prateleira alta por causa de uma ventania na sala. Gosto do restauro. Por coincidência ou não, outro pequeno São Francisco quebrou nas mãos da moça que limpa a casa dos filhos. Caiu e espatifou-se, acabando n...

Ritmo e poesia

Houvesse eu nascido Gabriel, almejaria ser Pensador, não me contentaria alegre e não disfarçaria a dor. Nasci pensando mágico, noutro dia professor, buscando encontrar abrigo na luta diária do cantor. Outra alma sem encaixe trouxe à vida o Chorão, escrevendo sua lida braba, na contramão do vencedor. Meu espírito não permite que eu esbraveje usando arma, não me deu na língua a farpa e é assim que eu pinto a flor. Nada de estranho nesta vida abrangente, adoro Pessoa e este mexe a cova da serpente. Contradições amigas de um ser mais contundente, tem filosofia na pena e se pretende competente. Há flores no canto do terreno, nada penso pequeno, enquanto há água no tacho, eu vou tomando o sereno. São flashs, são fatos, ruas, casas e o tato, crianças brincam com telas, os bichos brincam no mato. Cada palavra é um encanto, nada de enxugar o pranto, tudo de chorar vulcões. As lavas lavram as pedras, aquelas de todo caminho. Pelavras líricas e soltas, Drummond não me deixa sozinho. Nado de braça...