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Tempo útil

Andando pelo Itaim, Eraldo me parou para mostrar as meias que ele estava usando. Imagino que ele tenha dez anos menos do que eu. Mostrando as meias ele começou a me falar sobre as diferenças das novas gerações, afirmando que a nossa é a geração Z. Eu já vinha pensando na minha ausência de preguiça para o trabalho. Ele me disse sobre suas preferências musicais e pelo fato de andar de skate. Blues, música negra, Red hot e progressivos dos anos 70, são as suas preferências, mas além destas ele mostrou ser uma pessoa Culturada, cheia de conhecimento. Ele não viu nascer os Progressivos, mas eu vi. Tudo aconteceu por causa das nossas meias ilustradas por figurinhas sobre um fundo preto. Na semana passada eu disse para os meus alunos e alunas que me viram pela primeira vez usando bermudas: Se vocês me virem com um tênis de corrida de marca, uma meiazinha curta e principalmente uma bermuda longa com aqueles muitos bolsos laterais podem atirar para matar. Rio porque é aquele senhorzinho querend...

Simples quase assim

Uma das letras do Falcão para a melodia do Lenine. Simples assim. E a pergunta sempre necessária: Eu preciso desenhar? Eu já perdi a paciência e quase abracei a fala do Zeca: Deixa a vida te levar. Quase, porque não consigo e nem acredito. Sei que não preciso ficar estressado se os outros não entendem coisas que eu considero bem simples. A tal da polarização só me leva a um caminho bem simples: O caminhar contrário aos que são anticultura. Não resta a menor dúvida que sou contrário ao rancor, às armas, às guerras e aos preconceitos. Este é apenas um exemplo daquilo que algumas vezes alguns outros confundem com alguma loucura. É coisa de artista que com o tempo foi recolhendo experiências de amor e bonitezas. Recolher é colher de novo, de novo e de novo. Estou bicicletando e ouvindo as melhores do Vander Lee. As melhores são todas as letras e as melodias. Ele foi compor e cantar no céu, com seus 50 anos, afinal fazer o que ele fez por aqui o fez seguir seu pensamento mágico e alcançar o...

Vida útil

A minha vida acontece. São inúmeros acontecimentos que me ensinam mais do que o suficiente. O suficiente para o ansioso nunca é o que basta. E são muitas histórias extraordinárias. Isso mesmo. Extra = além, do Ordinário = da ordem natural. As histórias vão além do ditado pela ordem natural. São fantásticas, mas críveis. Eu como no lanche das dezoitos horas e tanto, um queijo quente. Um tempo depois me dá uma vontade louca de doce, o que é a prova da minha ansiedade plena. Ontem exagerei mesmo. Uma amiga veio em casa e havia a chance de tomarmos um café. Ela nem almoçou e nem tomou café, mas eu havia comprado a preços módicos aqueles biscoitos recheados de nome Passatempo. Nunca uma bolacha teve um nome tão apropriado para falar sobre a ansiedade inerente. Passatempo. O exagero está em passar o tempo todo comendo a embalagem inteira da guloseima. Não consigui parar e lá se foi o início da minha dieta de doces. A partir de hoje, zero doce. Eu consigo ficar no meu bol de yogurte com grano...

De tempo útil

Andando pelo Itaim, Eraldo me parou para mostrar as meias que ele estava usando. Imagino que ele tenha dez anos a menos do que eu. Mostrando as meias ele começou a me falar sobre as diferenças das novas gerações, afirmando que a nossa é a geração Z. Eu já vinha pensando na minha ausência de preguiça para o trabalho. Ele me disse sobre suas preferências musicais e pelo fato de andar de skate. Blues, música negra, Red hot e progressivos dos anos 70, são as suas preferências, mas além destas ele mostrou ser uma pessoa Culturada, cheia de conhecimento. Ele não viu nascer os Progressivos, mas eu vi. Tudo aconteceu por causa das nossas meias ilustradas por figurinhas sobre um fundo preto. Na semana passada eu disse para os meus alunos e alunas que me viram pela primeira vez usando bermudas: Se vocês me virem com um tênis de corrida de marca, uma meiazinha curta e principalmente uma bermuda longa com aqueles muitos bolsos laterais podem atirar para matar. Ahahahahaa: Rio porque é aquele senho...

Casas edifícios

Aqui no bairro as casinhas geminadas vão caindo, uma a uma. As placas de demolidoras vão se multiplicando. Estou fazendo um paralelo com as gerações que vão se sucedendo. As casinhas antigas cedem seus espaços aos grandes edifícios. Achei graça quando li numa placa os dizeres: Esta obra é financiada pelo governo estadual para fins sociais. Como assim? Ah, os Sociais que exploram o setor imobiliário, construindo estúdios miniaturizados visando lucro lá na frente. Os edifícios ficam prontos e muitos nem são medianamente habitados. Isso vai de geração pra geração. E as casinhas vão caindo e deixando para trás mercadinhos, costureiras, bares e restaurantes. Já escrevi por aqui que os conflitos de gerações são inevitáveis, assim como afirmou o rapaz latino-americano. Nossos idolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Você pode até dizer que eu estou por fora, ou então que eu estou inventando, mas é você que ama o passado e que não vê que o Novo sempre vem. Não acho nada boni...

Prosa e poesia

Há tempos ouvi falar que as coisas trazem poesia em si. Penso que elas trazem poesia, mas somos nós os agentes que extraem delas esta unção. De modo que nos sensibilizamos diante de tantas coisas e ansiamos por alimentá-las com poética. Um ventilador, uma cafeteira, um piso esmaltado, uma maçã entre tantas, um feijão no saquinho transparente. Todas estas coisas nem fazem ideia que possuem poesia em si. A ideia é nossa. Houve um tempo no qual os artistas tiravam delas, bonitezas. Outro tempo, mais próximo do contemporâneo, aconteceu que a boniteza não precisava estar ali impregnada, ou exteriorizada. Pode ainda haver feiura na poesia. Como já escrevi aqui várias vezes, eu tenho preferência pela boniteza. Li rapidamente que uma aluna publicou no Threads, o seguinte: Oceane-se. Olha o oceano dando margem à poesia, colocando a gente como algo grandiosa, um vasto espaço de vida e natureza. Fui dar um google e a única referência que encontrei foi uma página de uma oceanógrafa e educadora cuj...

Textou

Quase sem expressão não existe. O que resiste é a expressão. Até dormindo a gente exprime nossas inteligências. Hoje a dona Anna reapareceu no meu sonho com uma doença que me instigava a não procurar a solução, mas interferir para que ela vivesse com uma dor menor. E no sonho era eu. A mulher era ela em pé, sorrindo. Era eu procurando injeções e bisturis para abrir espaço num órgão que nem sei se existe. Abrir espaço para que ela conseguisse expelir o xixi. A obstrução era feita por este órgão possivelmente inexistente. Acordei algumas vezes no meio deste sonho e reconhecia que a dona Anna aqui já não está mais. Acho que consegui abrir o tal espaço para o xixi se extravasar através do seu canal habitual. Ontem escrevi sobre a poesia que há em todas as coisas. Poderia escrever poeticamente sobre o que significaria este sonho, mas me contento com o fato da dona Anna estar sempre presente. Penso que tudo isso é uma colagem do que a gente vai vivenciando, passo a frente de outro passo. Qua...