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Multitarefas

Não era do meu costume fazer escrita ouvindo música. Porém estou nesta lida desde que recebi de presente um Spotify familiar. E as frases vão surgindo mesmo tendo as letras das canções invadindo os meus ouvidos. Coisas do nosso cérebro dotado de muitas facetas. Adoro quando algum artefato aparece quebrado e eu posso consertar. Para isso tenho uma caixa de ferramentas simples em Sorocaba e outra em São Paulo. Pequenos consertos, nada muito sofisticado. Antigamente a minha ansiedade fazia eu cometer pequenos erros tal qual o de substituir os fios numa tomada e não experiementar se estava funcionando, antes de fechar o espelho na parede. Hoje eu sempre experiemento o que considero o final do conserto e só depois eu dou o acabamento. Gostei de consertar o São Francisco que caiu de uma prateleira alta por causa de uma ventania na sala. Gosto do restauro. Por coincidência ou não, outro pequeno São Francisco quebrou nas mãos da moça que limpa a casa dos filhos. Caiu e espatifou-se, acabando n...

Ritmo e poesia

Houvesse eu nascido Gabriel, almejaria ser Pensador, não me contentaria alegre e não disfarçaria a dor. Nasci pensando mágico, noutro dia professor, buscando encontrar abrigo na luta diária do cantor. Outra alma sem encaixe trouxe à vida o Chorão, escrevendo sua lida braba, na contramão do vencedor. Meu espírito não permite que eu esbraveje usando arma, não me deu na língua a farpa e é assim que eu pinto a flor. Nada de estranho nesta vida abrangente, adoro Pessoa e este mexe a cova da serpente. Contradições amigas de um ser mais contundente, tem filosofia na pena e se pretende competente. Há flores no canto do terreno, nada penso pequeno, enquanto há água no tacho, eu vou tomando o sereno. São flashs, são fatos, ruas, casas e o tato, crianças brincam com telas, os bichos brincam no mato. Cada palavra é um encanto, nada de enxugar o pranto, tudo de chorar vulcões. As lavas lavram as pedras, aquelas de todo caminho. Pelavras líricas e soltas, Drummond não me deixa sozinho. Nado de braça...

Pedalando serenado

Esqueci de trazer meus fones. Até os meus fones têm fita adesiva para segurar as partes. E funciona como novo. Eu gosto, ou sou levado a gostar de alguns artefatos com alguma avaria. Meu carro tem fita adesiva preta no parachoque traseiro. Eu gosto de uma certa personalidade nestes quesitos. Meu antigo Fiesta 98 era todo avariado e por isso, amado pela maioria dos meus alunos. Eu vou deixando assim, mas hoje sem exageros. Esta personalidade deixada nas coisas não tem a ver com a minha necessidade de simplicidade, mas sim com estética mesmo. Adoro assemblagens, qual sejam, mistura de materiais descartáveis para a produção de uma Obra. As caixas de materiais anuais que eu levo para as minhas aulas são assemblagens feitas com pequenos objetos e papeis encontrados no dia a dia. O pessoal gosta de deixar suas marcas com canetas pretas também. A minha querida vice diretora me deu dois selos, um brasileiro e outro japonês. Um para ser colado na caixa do ano passado e outro para a deste ano. E...

Autômatos móveis

Ontem, ouvi uma propaganda da linha amarela do metrô. Linha 4. A locutora dizia que a linha está de cara nova e que os trens são robôs gigantes. Eles não usam mais condutores. Tudo automatizado, menos eu. Estava saindo da academia andando e queria ser atendido por gente quando entrei no mercadinho. A moça do pão é a mais atenciosa. As outras são monossilábicas e eu respeito. Ali também existem caixas automatizados, que não exigem que a gente coloque o item comprado na balança. Hoje, troquei o mercadinho e me atrevi a usar o caixa de autoatendimento. Porém eu, o usuário, não notei que neste caixa é necessário que eu coloque cada item na balança, depois de identificado o produto. Resumindo, dava erro quando eu clicava para pagar o único pão de forma que eu havia comprado. Um jovem senhor, um pouco mais novo do que eu, me orientou que eu tinha que colocar o pão na balança. Pronto, Como num passe de mágica consegui realizar a minha compra. Como desculpa posso garantir que havia acabado de ...

Chuva de bênçãos

Chove. Chove canivetes. Chuva de bênçãos. Chuvisco e chovendinho. Tempestade em copos d'água. Bolinhos de chuva. Chove chuva, chove sem parar. Chuva de arroz nos casais. Chove lá fora e eu estou tomando a chuva em goles, tentando me esconder sob os toldos aqui e ali na calçada. Dentro da farmácia faço exames tolinhos, todos gratuitos e fico sabendo que a minha idade corporal é de 55 anos, já o moço de 21 anos que apareceu nesta semana teve o seu veredito: 80 anos. Entro na dita farmácia com o céu nublado. Dou meia volta para sair e dou de cara com a chuva. Nada tempestuoso, apenas gotículas que molham fino. Meu guarda-chuva com cabo de pato de madeira jaz dentro da mochila, dentro de casa. Eu gosto de chuviscos, além do gato do desenho animado. Penso no pessoal dos efeitos sonoros vendo a película e colocando o som em cima da animação. Genial sincronização como as gotas das chuvas nas poças. Fico animado em ficar deitadão no sofá com a coberta azul sobre o corpo, assistindo séries ...

Friagem e quentume

Está frio. Uma sensação térmica que eu gosto. Claro que encasacado, com gorro na careca e todo encapotado. Pedalando eu já retirei tudo isso e estou aquecido com minha camiseta estampada com pássaros em origami e minha bermuda preta. A descrição cotidiana. Acabo por terminar o desenho estampado numa tela quadrada de setenta centímetros. Uma vez um aluno me perguntou quanto media o outro lado do quadrado, depois de eu dizer que um dos lados media dez centímetros. Ele não sabia e depois aprendeu. A partir destes detalhes perguntativos eu me dei conta que o óbvio não existe. O que é óbvio é óbvio para mim. Outra questão é o Para Mim fazer. Aquela história que o Mim não faz nada, a não ser fazer pra mim. Outra questão é aquele desenho da avaliação que mostra um triângulo e seus lados X, a e b. O avaliador pergunta: Qual é o X? O aluno circunda o X desenhado e diz: É Este aqui. E por aí vai, tudo menos o óbvio. Ao ser perguntado como se divide o relevo brasileiro, o aluno respondeu Re Le Vo...

Épico e descobridor

Coriza. Hoje faz uma semana que a minha congestão nasal começou. Muito tempo sem ter nenhuma constipação. O efeito de acumular a secreção acontece mais quando estou deitado, dormindo. Levanto e assoo fortemente o nariz. A expectoração é importante e mesno quando não estou com as vias aéreas superiores comprometidas eu me esforço para assoar bem o nariz no banho quente. Expectorante. Você reparou em quantas palavras estranhas e sensacionais eu usei neste início de texto? Outro dia um aluno não lembrou que o outro nome da soma é adição. Acabei de filmar a escavadeira destruindo as casinhas da outra esquina oposta àquela que já está terraplanada. Fiquei imaginando a força hidrodinâmica da máquina para destruir todas as paredes, portas e janelas das casinhas e assossiei com a força aérea da expulsão da secreção nasal. Esse contratempo do meu nariz já está bem mais suave e reexplico que quando estou ativo, em pé, parece que estou toralmente limpo aerodinamicamente falando. Assim eu me vejo ...