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Chuva alerta

De repente o céu fica escuro, nada esperado e chove. Goteiras e pingos do lado de fora. Não fora a surpresa e tudo estava dentro do previsto. Chamamos de imprevisto aquilo que nos pega de surpresa. As palavras grudadas uma entre as outras podem fugir do sentido. Palavras são assim e quanto mais ditas e reditas, mais blá, blá, blá se tornam e ao se tornarem podem reduzir o sentido daquilo que é dito e quisto. Deve ser por isso que gosto tanto das entrelinhas. Um jeito bonito de dizer isso é que gosto até de ler as estrelinhas. Uma vez subimos uma montanha alta, mas conseguimos chegar até o patamar médio. Ficamos olhando as estrelinhas. Adultos tentado enxergar a constelação de Taurus, Escorpions e as demais que podíamos avistar. Penso nisso porque existem as pessoas bruxas, as videntes, as astrólogas e quiromantes. Eu gosto é da forma da Leitura. Como as pessoas enxergam a vida como um todo e juntam tantos detalhes para transformar em profecias. Gosto de achar bonito o entrelace, mas ul...

Reforma etária

Quando a tia Lilia era viva e estava de copilota no carro, ela sempre observava: Aqui é aquele lugar que a gente comia esfirra, ali é o lugar onde havia um mercadinho? E por aqui e ali, íamos. Nunca me  esqueci desta história e estou vivendo um pouco, esta forma moderna de existir. Escrevi umas duas ou três vezes sobre a reforma de um prédio praticamente novo no caminho para a academia. Ainda tem tapumes na frente, mas estão colocando um portão enorme, daqueles automáticos que descem lentamente por controle remoto. Ontem uma aluna me apresentou sete lápis de cor com as cores do arco-íris e me deu vontade de explicar pra todos os tais raios invisíveis. Sim, os raios visíveis são o vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta, portanto o vermelho e o violeta estão nas pontas do espectro luminoso. De tal forma que os raios que estão abaixo do vermelho são infravermelhos e acima do violeta são os ultravioletas. Minha querida irmã pensa que mudei de assunto, mas essas informa...

Antes do almoço

Resolvi deixar o almoço para depois. Aprontei-me no vestiário e já estou pedalando. Acho que farei assim nas terças. As aulas da manhã foram bem produtivas já que produzimos o mobile da sala, composto por cubos dobrados na técnica do origami e depois desenhados. Cada seis alunos dão forma a um Cubo que na semana que vem serão presos com barbante e suspensos no teto da sala. É mobile porque ele se movimentará com a briga do ar condicionado. Na outra classe, uma fala curta sobre o Expressionismo à flor da pele e a estética do feio. Cada aluno produziu um retrato colorido usando as cores originais dos lápis, sem mistura e finalizaram com poucos contornos pretos para destacar a Figura. Claro que lembramos da tela Imigrantes do Portinari e do Grito do Munch. Com quarenta e cinco minutos de aula por turma, temos uma produção por semana, relativa ao tema proposto pelo livro didático. Praticamente sobra só o tema. A intuição e a inventividade dão origem às mais variadas atividades práticas. Ma...

Produções incríveis

Estava pensando sobre o ócio criativo. Ócio muito produtivo. Sempre ouvi e ainda ouço uma frase que me toca imenso. Não é: A cabeça vazia é território do diabo. Não. É sobre nós queremos a independência neste mundo e para tanto, devemos trabalhar para ganhar algum dinheiro. Dinheiro de subsistência. Desta forma sou fã do Ensino Profissonalizante, não dá farsa do empreendedorismo. No Ensino médio o jovem estudar dentro de um conteúdo que lhe dará condições de fazer um estágio e depois fazer um curso superior na área escolhida. É escolha mesmo. Tenho um amigo que é aluno da escola pública. Em dois anos percebi sem dificuldade que ele era Humano Sensível. Ao entrar na Escola Profissionalizante falaram pra ele que o curso de Química era o ideal para fazer mais tarde um vestibular. Durou seis meses. Encontrei-o sentado na mureta da antiga escola. Sua mãe foi até a secretaria. Ele, sentado na mureta, me pediu opinião sobre o que descrevi acima. Ele estava triste. Hoje está feliz sendo Humano...

Interessante

Sempre achei interessante a palavra objetividade como tendo a ver com o objeto, a coisa e a subjetividade tendo a ver com o sujeito, a pessoa. Eu tendo a ser bastante subjetivo e ficar quase sempre relacionando as coisas e os acontecimentos com as pessoas nas ações. Ser objetivo é ir direto e reto para a organização das coisas relacionadas às pessoas. O sujeito pergunta: quem é essa pessoa que está na foto? Na Foto está José. O sujeito pergunta: Quem é essa pessoa que está na foto? José está na foto e está na sala da sua mãe, que é minha amiga professora da escola pública, com a qual eu dei aula no início da minha carreira. Tudo isso é uma questão de estilo. Quando criança e jovem eu era bem tímido e acho que respondia todas as perguntas com sim, ou não. Eu acho. Nâo consigo me lembrar ao certo e seria um péssimo autobiógrafo, já que não me lembro das coisas do passado, a não ser situações bem específicas que hoje eu até conto gesticulando em encontros com os familiares e amigos. Inclu...

Energia singular

Ontem mesmo carreguei meus fones de ouvido. A coisa é tão doida que hoje eu esqueci de carregá-los para a academia. Ontem a carga foi de energia e hoje foi de trazê-lo carregado na mochila. Antes de caminhar até aqui assisti um filme argentino sensacional. Este é sensacional mesmo, naquilo que o sensacional tem das melhores sensações. Ri e chorei. Estive pensando que o sentido dele mostra que por mais que a gente faça, acabamos engolidos pelo sistema. Um resumo tosco, afinal o grande barato é percorrer cada frase, cada silêncio, cada imagem com um fundo musical delicado e no volume certíssimo. Com tudo isso a paródia com a nossa vida de mais velhos vai confirmando que o que mais vale é a caminhada. Quando escrevi que por mais que façamos o sistema nos engole, nâo é nada frente a cada ação de vanguarda, de força ideológica, de graça, de carinho, de Língua afiada, que pela vida vamos expirando e inspirando. Neste filme não há como dar spoiler. Tem que ser visto e vivenciado, observado e ...

Plotter em cores

Entrei no trem do Metrô da linha amarela e o seu interior estava todo plotado com o Centenário da Clarice Lispector. Todo com imagens e textos da autora maravilhosa e angustiada. É um projeto do Metrô que homenageia os artistas de todas as linguagens que fazem cem anos. A oportunidade de muitas pessoas lerem Clarice. Olha esta: Enquanto eu tinha perguntas e não tinha respostas eu continuei a escrever. E esta outra: Não tente entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Numa entrevista a outra fantástica escritora Lygia Fagundes Teles dizia: As Pessoas deveriam ser lembradas e conhecidas em vida. Veja a Genial Clarice, disse ela, só ficaram conhecendo a sua obra e a endeusaram depois que ela morreu. Sabemos que infelizmente é assim. Hoje novamente vi e ouvi um recorte da entrevista do Pedro Cardoso no programa do Bial e fiquei pensando, como um sujeito fala com tanta clareza e objetividade sobre os direitos básicos do que é público e ainda assim muitas pessoas teimam em se envaidec...