Energia singular

Ontem mesmo carreguei meus fones de ouvido.
A coisa é tão doida que hoje eu esqueci de carregá-los para a academia.
Ontem a carga foi de energia e hoje foi de trazê-lo carregado na mochila.
Antes de caminhar até aqui assisti um filme argentino sensacional.
Este é sensacional mesmo, naquilo que o sensacional tem das melhores sensações.
Ri e chorei.
Estive pensando que o sentido dele mostra que por mais que a gente faça, acabamos engolidos pelo sistema.
Um resumo tosco, afinal o grande barato é percorrer cada frase, cada silêncio, cada imagem com um fundo musical delicado e no volume certíssimo.
Com tudo isso a paródia com a nossa vida de mais velhos vai confirmando que o que mais vale é a caminhada.
Quando escrevi que por mais que façamos o sistema nos engole, nâo é nada frente a cada ação de vanguarda, de força ideológica, de graça, de carinho, de Língua afiada, que pela vida vamos expirando e inspirando.
Neste filme não há como dar spoiler.
Tem que ser visto e vivenciado, observado e absorvido.
As atuações são tão memoráveis que eu senti profundamente o que sempre digo aos meus alunos e amigos:
Eu acho uma bobagem essa coisa de Luta do século, Decisão do século e tantas outras coisas que imputam como sendo do Século.
Tipo: The Oscar Goes To...
Existem Obras que não precisam de premiação, elas precisam ser sentidas, percebidas, expressadas e reinterpretadas por cada pessoa que tem o prazer de tomar-lhe contato.
Eu esqueci de trazer meus fones carregados, mas estou cheio de energia para além das pedaladas. Energia para dizer pra você que vale a pena a autenticidade e a garra de um e a resiliência absoluta do outro, já que a gente descobre que todos somos um quando o assunto é viver de alguma forma e aprendendo. Podemos e muita vezes vamos dando saltos entre uma personalidade e outra.
Um segura a mão do outro e juntando as diferenças aprendemos que a coisa toda não tem fim.
Sinto-me patético ao descrever assim essa Obra.
Talvez tenha feito até propositalmente assim para que a Obra seja muito mais, mais e mais.
Inclusive um dos atores foi um dos protagonistas de outra Obra Argentina maravilhosa cujo nome não poderia ser outro:
Minha Obra prima.
Um pintor e um amigo mercador de Arte.
Assim logo me remeto ao filme inglês: O melhor lance.
Outra genialidade com a sabedoria dos roteiristas geniais que vão permanecer habitando este planeta.
Eu aprendo que as regiões iluminadas do cérebro são distintas entre todos nós humanos.
Sei que podemos desenvolver estas habilidades ou deixá-las silenciosas.
E cada sujeito com sua subjetividade.
Michelângelo dizia que ao tomar contato com o bloco de mármore já via a figura dentro dele e a partir daí ele só tirava o que não via.
Área iluminada do cérebro genial.
Até hoje a gente pode observar no Instagram artistas que têm a mesma região privilegiada e ainda produzem esculturas hiperrealistas.
Levando minha neta para casa, ela cita alguém com Altas habilidades e eu falo a ela que talvez ela tenha essas altas habilidades.
No exato momento ela me corrige dizendo que não e que talvez tenha alguma habilidade sobre algumas coisas.
Perguntou outro dia para mãe:
Se um organismo unicelular poderia ser considerado um Ser vivo.
Um doutor em Ciências deu uma resposta longa e começou dizendo ser uma questão filosófica interessante, levantada por ela.
Eu já pararia por aí, afinal eu adoro filosofias aplicadas.
Aplicando na prática, normalmente esses organismos se reproduzem assexuadamente.
Na minha visão são capazes de resolver as coisas por si só.
Que pena para eles.
Eu já adoro ter pessoas com sensibilidade e potência para resolverem as coisas no Coletivo.
E é bem provável que precisemos ter muito cuidado com esses unicelulares que resolvem nos atacar.
Os pluricelulares também, mas esses são visíveis aos olhos.
Ao sistema a gente oferece a Nossa Vanguarda


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