Samba
Logo cedo acordei e fui pegar a escadinha que mora no banheirinho da área de serviço.
O serviço era desocupar a parte de baixo do armário que guarda as roupas em cabides.
Tirar as coisas das duas partes de cima, preencher o espaço com as coisas de baixo e repor as coisas retiradas antes.
Coube tudo, só com uma ressalva.
O resumo é que neste movimento, várias coisas sobram para serem doadas, ou jogadas fora.
Esta é a ressalva.
Novamente o que é enfatizada nesse processo é a memória que todas as coisas guardam.
No final tem espaço para os papéis, espaço para todos os outros materiais de Arte e espaços para todas as outras coisas que são úteis no trabalho.
Essa utilidade é essencial nos dias de hoje, me trazendo à lembrança a necessidade de se comprar roupas que não necessitem ser passadas, por exemplo.
Os apartamentos que são oferecidos para a classe média já prevê que os habitantes cheguem apenas para passar a noite.
Claro que eles tem que ter um espacinho para o computador usado para a atividade Home Office.
Cozinha, a menor possível, dada a quantidade cada vez maior de restaurantes mais acessíveis em termos de preços, variedade e qualidade.
Não preciso lavar a louça (gastar com água, eletricidade e gás), por a mesa, ou até comprar as guloseimas no mercado.
Mesmo assim sei que não é para todos.
Há que se ter um certo planejamento financeiro e quando não tenho condição, tenho que preparar a marmitinha na noite anterior.
Também existe a possibilidade de se fazer a comida da semana no domingo e congelar.
Para mim está sendo de total importância comer pouco e bem, além dos vinte e três quilômetros feitos em uma hora na bicicleta ergométrica.
A calçada no caminho que me traz até a academia, exalou um cheiro forte de xixi.
Quando eu era adolescente a frase que falávamos para os professores quando queríamos ir ao banheiro era:
Professor, posso ir à casinha?
Engraçado porque hoje meninos e meninas na sua maioria soltam o grito:
Posso mijá?
Quando escrevo isso novamente me vem à memória a frase recorrente dita pelos alunos:
Você não entendeu?
Frase que significa que tanto faz a forma como se diz, ou escreve, o que importa é se a outra pessoa entendeu a mensagem.
É claro que são mensagens mais objetivas e menos líricas.
É um paradoxo, já que ninguém consegue chegar a uma conclusão do que é mais certo.
Eu adoro a estética, a boniteza dos gestos.
Desta forma quando a coisa chega nos meus ouvidos, ou é ruído, ou delicadeza.
Porém isso é apenas uma forma de enxergar, já que o xixi me pareceu humano.
Humanidade que requer paciência e vontade de seguir adiante.
A escadinha já está no banheirinho do fundo, logo à frente da tábua de passar roupa.
No armário da área de serviço tenho três ferros, ou seja, um luxo que deve ser compartilhado com quem está precisando, sendo que um deles a sobrinha já levou.
O artista Guto Lacaz tem uma obra que é um ferro de passar roupa com a parte de passar virada para cima.
Sobre ela, um ovo frito.
Lacaz é um artista bem humorado, mas não vou compartilhar o ferro restante com ele, já que a ideia dele já se tornou Real com um outro ferro.
É preciso que alguém ainda não possua um utensílio desses e que vá usá-lo em roupas que não sejam calças jeans, ou camisetas.
Eu coloco essas peças bem arrumadinhas no varal e quando estão secas eu já coloco para uso.
Este sou eu e minhas manias clarificadas pela minha incessante carência de satisfazer meu ego.
O que posso fazer se nasci com essa vontade de sermos felizes, fazendo o que Gostamos, Admiramos e Amamos?
Além de nós humanos fazermos xixi, ainda adoramos dar palpites em tudo.
Eu tenho preferido palpitar sobre o que já estudei e experimentei como artesania, mas isso é coisa minha e de outros com afinidade.
Depois de uma hora na bicicleta, sei que o escritório está pronto para o uso Coletivo
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