Adivinho

Adoro os fatos que realçam a minha convicção e a minha percepção, que me dizem sobre o quão abençoado eu sou.
Ontem, depois da minha hora na bicicleta, comecei a sentir uma dorzinha no joelho esquerdo.
Achei estranho porque a dor parecia ser no osso.
Chegando em casa depois do almoço,  no intervalo da série Bloodline, me deu aquele estalo costumeiro, parecido com aqueles que acontecem quando estou no banho, ou dentro do Classic 2013.
O povo chama de Insight.
Lembrei que quando estava entrando no busão da Cometa às seis e vinte e cinco da matina, dei uma topada com o joelho esquerdo na ponta do braço da poltrona do corredor.
Passei a viagem inteira, passando pelo almoço e pelo sofá e a ficha de sentir a dor só caiu no momento exato que estava deitado no sofá.
Diria que aconteceu Do Nada.
Rio porque a expressão Do Nada, nunca é do nada.
Quase sempre é um acúmulo muito maior do que a trajetória que eu registrei acima.
Não estou falando desses casos objetivos como uma batida no joelho e sua dor posterior.
Falo das dores da alma e do espírito, essas que têm a ver com sentimentos e emoções.
Como existem pessoas dos mais diferentes tipos, como as que resistem mais, as que resistem menos, as que são muito fechadas em si e as mais extrovertidas, esse acúmulo pode ser mais agressivo, ou menos agressivo no final.
A percepção desse processo é fundamental para o trabalho pessoal, que deve ser realizado na tentativa que isso seja menos problemático no futuro.
Porém, essa percepção é uma coisa extremamente delicada, já que na maioria das vezes não estamos dispostos a reagir frente a ela.
Motivos não faltam, já que existe o trabalho e a energia gasta com ele, que nos consome um tempo enorme e se trata de algo bem direto e objetivo.
Normalmente trabalhamos por algum prazer, mas definitivamente o salário é importantíssimo.
Novamente trata-se de dinheiro.
No início deste texto já realcei que, para mim, a percepção do processo que movem os meus acontecimentos é o que mais me importa.
Acho bonito, mesmo que as coisas acontecidas não sejam tão bonitas assim.
Ontem foi uma batida na ponta do braço da poltrona, outro dia o metal da catraca do metrô Faria Lima me acertou a coxa.
Rio porque a minha ansiedade que rege minha hiperatividade é grande.
E rio mesmo, já que os meus problemas são minúsculos em vista de tantos outros que martirizam boa parte dos seres humanos neste mundo.
Mundo em grego é pureza, de tal forma que imundo, é impuro.
Mundo imundo acaba por ser uma redundância, infelizmente.
Novamente minhas pernas estão para cima e para baixo como se refletisse poeticamente meu caminho pela vida.
A lírica, a poética é essencial segundo meu mestre Ferreira Gular, porque segundo ele, a vida só não basta.
Tanto não basta que para os roteiristas de uma boa série criarem tantos detalhes dentro da trama é preciso muita poética.
A poética que trata dos dramas que nós seres humanos enfrentamos todos os dias.
Ao ver cada caso da série, eu tenho certeza que eu não duraria um episódio, devido a tanta pressão exercida nos personagens.
Um grande amigo com o qual eu não falava há muito tempo, na resposta ao meu olá, indicou:
Meu Deus, eu pensava que nunca mais ia te ver e cheguei a pensar que o Personagem Betu Cury era alguém que havia ficado no passado.
Não, eu disse a ele.
A única coisa que você acertou é que eu sou um Personagem.
E estes tais insights são os meus super poderes


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