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Mostrando postagens de agosto, 2025

2025

Dois mil e vinte e cinco. Parece que foi ontem o tal mil novecentos e noventa e nove, o ano em que se pensou que o ano dois mil seria o século XXI. Ainda não seria. A virada do dois mil para o dois mil e um nos revelaria o ano da mudança. Pouco mudou, inclusive a velocidade implacável do tempo. Em dezesseis de março de dois mil e vinte fui proibido de deixar a minha casa, onde eu convivia com a dona Anna. Pandemia. Hoje eu tenho a certeza que o ser humano se adapta às mais incríveis situações. Pensei estar enjoado da abóbora cozida, mas qual o quê. Estava apetitosa, macia e muito bem feita. Vamos doar duas bacias de plástico fundas, mas elas ainda serão úteis para ajudar na remoção de uma mancha grande de óleo fino do chão da garagem. Não é água do ar condicionado, mas também não foi constatado nenhum vazamento do motor, ou do freio. Uma mancha que foi se alastrando pelo chão, assim como certos problemas que não enfrentamos e se alastram. Enfrentemos pois. Assim fazemos e eu faço, não ...

Idas

Ontem aconteceram pequenas mutações significativas. Fui à academia depois das nove aulas do dia e deixei o celular na mochila dentro do armário. Durante o dia resolvi que iria me concentrar nos exercícios. Desta feita passarei a não escrever mais pedalando. Na semana passada comecei a usar uma bolsinha a tira colo para guardar a carteira e o celular. Quatorze reais na vinte e cinco. Ela estava esquecida no armário do quarto. Claro que a transformei porque o posicionamento dela no corpo era horrível. Usando, mesmo depois da criativa reforma, ela continuou sendo horrível. Na estética e na função. Ontem uni o útil ao memorável. Voltando aos anos 70, puxei do armário de cima a minha bolsa de couro envelhecido. Ela também é envelhecida, mas nos 70 a gente comprava nova, molhava inteira e punha no sol para envelhecer o couro. Rio porque a gente fazia outras várias coisas engraçadas. Os artistas ripongos e suas pantalonas, calças baixas, batas, macacões de posto e saias indianas. Eu achava e ...

Educação

Eu já sabia que eu não estou sozinho na minha empreitada. Sempre soube desde quando havia o Museu do disco no centro de São Paulo e no fundo sua livraria. Na juventude peguei uma revista inglesa, folheei e numa das páginas vi uma charge com a ideia igualzinha a minha, que eu havia publicado há uns dois anos. A imagem ilustrava uma pessoa sentada com uma mesa na frente, onde estavam dispostas várias peças de um quebra-cabeça e a pessoa se auto montava com as peças. São muitas pessoas nesse mundão e as ideias vão atravessando continentes. Desde sempre e não apenas nesse tempo globalizado. Hoje ao passar pela catraca da academia eu deixei cair meus óculos e antes que eu pudesse pegá-lo um moço rapidamente o pegou e me devolveu. Passei pela catraca e nem percebi que o moço e o amigo já estavam lá fora, saindo. Eu estava a uns quatro metros da porta e vi o moço me esperando, segurando a porta. Eu sei que a minha empreitada é essa. Possibilitar mais suavidade para as pessoas que estão tão pe...

13 tu

Escrever como por encanto é sensacional naquilo que o sensacional tem das mais bonitas sensações. Eu gosto de escrever assim em alguns comentários. Assim como o tal fabuloso é algo que está contido nas fábulas. O espetacular está abraçado ao espetáculo. O extraordinário vai muito além das coisas e acontecimentos ordinários. Ao olhar um desses totens digitais eu li em inglês: Out of home. Juro pra você que no volante do carro eu imaginei: Out of little home. Sim. Fora da Casinha. Rio porque sempre relacionei a nossa casa com o nosso corpo. Fora da casinha é isso. No estar fora do corpo é a mente que está em outro plano, outra esfera. O povo elege todos os artistas como Out of Little Home. Já o nome que ofereci ao meu blog é: A casa da razão mágica, pelo motivo que relatei acima e considerar o fato da minha casa ser racional e mágica, convivendo em harmonia. Isso é aquilo que penso e sinto, mas não posso garantir que os que estão fora da minha casa tenham a mesma percepção. Meu número fa...

Séries

Estou assistindo uma série que é protagonizada por um Trapaceiro. Habilidoso em contar mentiras. Caminhei refletindo sobre a capacidade que um trapaceiro tem para observar os detalhes e ao mesmo tempo ir relacionando com suas memórias para tramar uma saída. Sim, uma saída para tantas enrascadas que lhe são impostas. Óbvio que relacionei com o processo criativo e é também isso que esse trapaceiro processa para tomar uma atitude. De outra fonte, a do Senhor Pablo Picasso, nasce a ideia que toda Arte é uma Mentira feita para conhecermos a Verdade. Aqui, a mentira compreende o fato de um desenho de uma maçã não ser a maçã de verdade. Acaba por ser a Verdade que nasceu do gesto do artista e pode ser experenciada pelo mundo todo. Calculo que o protagonista Marius é um artista, tamanha a habilidade que ele tem para criar várias verdades. Outra ideia que me sobrevoa é aquela que questiona se essa vida que estamos vivendo é a tal Realidade. Claro que são pensamentos aleatórios girando em torno ...

Reagentes

Vindo para cá pensei no antigo presente que ganhei, cujo significativo nome era: O pequeno laboratório químico. Azul de bromotimol e fenolftaleína. Impossível esquecer esses reagentes que a gente colocava em tubos de ensaio, rigorosamente condicionados numa estantezinha plástica. Inclusive o plástico era algo inovador, sendo um vermelho amaronzado e o outro verde escuro. Isso. Eram as cores do plástico. É só lembrar dos soldadinhos que vinham no Toddy. Os soldados e indígenas do Forte apache eram mais sofisticados. Vinham coloridos. Para que eu escrevesse com tinta invisível e fazer o sangue do diabo era apenas juntar o líquido de um frasquinho com outro e bummmm. A química estaria a serviço da zoação. Num belo dia joguei sangue do diabo na dona Anna e ela virou um demônio. Rio porque a dona Anna jamais seria capaz disso. Inclusive o tal sangue aparecia vermelho no tecido da camisa branca, mas logo desaparecia como por encanto. O encanto químico. O mais curioso é que depois de muitos a...

Anseios

Ontem à noite eu digitava no meu celular com ele plugado no carregador. De repente aparece uma mensagem assustadora na tela: Seu celular está aquecendo e você deve desligá-lo em 10 segundos. Sem mais delongas, fui desligando e tentando religar por mil vezes. Fui dormir já pensando em acordar. Rio porque também sou adestrado pela máquina. Acordei e às oito e trinta a moça atendente da Sansung passou um scanner no aparelho e me garantiu: Morreu não, mas respira por aparelhos. Você não vai conseguir nem transportar os seus dados. Às dez eu já estava na loja da operadora comprando uma nova máquina. Abençoada seja a época onde o digital consegue quase recuperar o irrecuperável. Já estou a escrever na coisa nova e com os mesmos aplicativos preferidos nas minhas mãos. Apagador de fundo, fazedor de figurinhas, colagem de fotos, bloco de notas e as redes. Rio porque o artista não para de criar a partir dos detalhes que vão se sucedendo. O papel de parede novo é uma composição de fotos das pesso...

Rodas

Rodoviária e risos. Casa do pão de queijo com um moço olhando atentamente as fotos dos produtos no display acima do balcão. Eu já estava no caixa, sendo atendido pela moça sempre engraçada. Todo domingo ela está ali sorrindo. Já cheguei perguntando: Você tem aquele cafezinho de cento e trinta reais? O moço desandou a rir e não conseguia parar. Até que eu, num repente, comecei a conversar com ele sobre o filme onde o Michael Douglas anda pela cidade e entra na lanchonete com uma metralhadora. Todos assustados e ele olha para o atendente e pede: Eu quero um sanduíche igual àquele da foto. Tinha que ser igual mesmo, nem menor e nem maior. Rio tal qual o moço que, assim como eu, se espanta com o preço das coisas. Ali, o café pequeno é doze e o médio é treze. Rio porque somos enganados na cara dura, relaxamos e tiramos o escorpião do bolso sem pestanejar. Mesmo assim a minha luta é pela redução e pelo reuso. Ontem notei que o vidro de café solúvel estava no fim e comprei um refil. Reusei a ...

Luzes

Eu posso ver figuras nas manchas das paredes e isso é uma afirmação. Assim como eu precisava entregar o meu RG para a minha vice diretora da escola pública, da qual estou aposentado. Isso não é relevante para a leitura visual que faço do mundo, porém ao sair do carro, parado em frente ao portão de entrada da escola, avistei o menino maravilhoso, filho de uma querida professora, que trabalha na secretaria. Tanto ele quanto eu ficamos alimentados de luz. Eu parado do lado de fora e ele do lado de dentro, separados por uma tela de metal pintado. Pelos vãos nos demos as mãos e ele foi de uma gentileza fantástica. De mãos dadas pelos vãos da tela nos dissemos figuras várias, daquelas que vemos nas manchas das paredes e daquelas que nos aparece no vão das coisas e na sensibilidade das tantas pessoas. O quanto fazemos falta e como são esses momentos de reencontro que abrem caminhos de luz para nossos próximos passos. Cada qual nos seus próximos passos. A minha intenção direta com esse texto é...

Desafio

Como tenho dito e escrito há décadas, hoje vou me repetir a partir da audição da entrevista com o Gerald Thomas, artista e dramaturgo. Ao ser perguntado sobre o que é Arte ele respondeu como se eu estivesse respondendo. A Arte é uma neurose bem administrada. É uma obsessão. Ele, assim como eu, vive com a Arte se aprentando nas vinte e quatro horas do dia. Na sequência ele disse que foi treinado para isso. Segundo ele aquelas linhas das pernas da cadeira, onde o entrevistador está sentado o levam até Mondrian e assim por diante. Nisso eu tenho uma visão diferenciada, já que egoísta que sou, não me reporto a ninguém quando estou em observação atenta. Note que eu disse vinte e quatro horas por dia. Claro que o Gerald não se reporta todas as vezes ao trabalho de alguém que ele conhece. Ele tem a sua própria linha de percepção e expressão. Mandei o pequeno vídeo para várias pessoas e elas me responderam em uníssono: É isso. Nascemos já desafiados a termos uma observação diferenciada sobre a...

Barba

Novamente o senhor de barbas longas, morador em situação de rua, me desejou Bom dia. Penso que o Zeca Baleiro não desejou Bom dia ao português da padaria apenas para cortejar a rima. Eu desejo felicitações porque acho bonito. Como quase tudo que faço, inclusive. Você dirá que faço assim pela minha boa educação. Ela veio de Anna e Jorge, que também achavam bonito agir assim. Apenas consigo imaginar o que levava a dona Anna a me colocar junto com ela numa Kombi branca, rumo a São Paulo, para assistirmos Hair, Jesus Cristo Superstar e Lição de anatomia. Eu tinha doze anos. Será que ela tinha uma amiga artista que nos convidava, ou era a sua própria hipersensibilidade que lhe movia? Desse casal nasceram cinco rebentos, todos sensíveis e cada um a sua maneira. Cada um juntando os desafios, problemas e bonitezas dos caminhos familiares e os além desses. Consigo ver de soslaio os olhos do senhor com barbas longas. É costumeiro pensar que ele está vagando pelas ruas por conta de algum desassos...

Elástico

O tênis de marca que eu uso tem dois preços. O de quinhentos e o de mil. Tenho o de quinhentos. Até ontem o cadarço era o original, porém desde o primeiro dia eu havia cortado as pontas e dado um nó em cada uma. Soltava as pontas para vestir e puxava os nós para segurar o tênis no pé. Ontem encontrei na sapataria do futuro um cadarço elástico com um contensor regulável. Achei a invenção incrível nos dois aspectos: Conteúdo e Função. É sssim nos Artefatos, nas Artesanias, onde o conteúdo, a forma e a função são importantes. Entenda como Artesanias a produção dos artesãos. Nas obras da Arte a função deixa de ser necessária. Algumas vezes pode ter uma função específica, mas não é essencial. Não sei se consigo transmitir a essência do meu sentimento e do meu pensamento. Quando acho super interessante o fato de ter substituído os cadarços do meu tênis, por exemplo. Acho bom comparar com o que penso do toque do abraço. Sei e sinto que o abraço é curativo, tanto para mim como para quem abraço...

Provável

Provavelmente se eu esperar um minuto para sair de casa eu perderia oportunidades. Com os pés na rua encontrei o sinal verde para pedestres e já atravessei correndo. Pronto, já estava aceso. E me pus a caminhar ligeiro até a academia. No caminho pensei em algo que comentei em casa. Quase sempre eu falo sobre as crianças que são motivadas fazendo atividades que aguçam sua sensibilidade. Um jovem não teve a oportunidade, em Quatorze anos, de conhecer um gibi. A professora ao preparar a avaliação de gramática da língua portuguesa, colocou numa das questões uma tirinha. Inclusive elas acontecem cotidianamente nos jornais. O jovem não teve a oportunidade de conhecer e ao ler a questão da prova que pedia que ele identificasse o predicativo do sujeito na frase do primeiro Balão, ele não acertou de primeira. Intuiu que o Balão fosse aquela coisinha meio oval em cima do personagem. Pediu-me para que chancelasse a sua intuição. Não tem nada demais ele não saber o que é um balão numa tirinha, mas...