Idas

Ontem aconteceram pequenas mutações significativas.
Fui à academia depois das nove aulas do dia e deixei o celular na mochila dentro do armário.
Durante o dia resolvi que iria me concentrar nos exercícios.
Desta feita passarei a não escrever mais pedalando.
Na semana passada comecei a usar uma bolsinha a tira colo para guardar a carteira e o celular.
Quatorze reais na vinte e cinco.
Ela estava esquecida no armário do quarto.
Claro que a transformei porque o posicionamento dela no corpo era horrível.
Usando, mesmo depois da criativa reforma, ela continuou sendo horrível.
Na estética e na função.
Ontem uni o útil ao memorável.
Voltando aos anos 70, puxei do armário de cima a minha bolsa de couro envelhecido.
Ela também é envelhecida, mas nos 70 a gente comprava nova, molhava inteira e punha no sol para envelhecer o couro.
Rio porque a gente fazia outras várias coisas engraçadas.
Os artistas ripongos e suas pantalonas, calças baixas, batas, macacões de posto e saias indianas.
Eu achava e continuo achando bonito tudo isso, só que hoje sou ainda mais simples.
Calça jeans, tênis preto e camiseta com meus desenhos.
Nos anos 70 eu também desenhava nas camisetas imitando as estampas do Roger Dean, capista do Yes.
Na época Ariam, que seria o nome do meu filho futuro, eu escrevia com N, já que começávamos a ser mais quintal dos States.
Na rua da Penha, olhando pra sei lá sabe Deus o quê, percebi que Ariam com M era Maria, escrita ao contrário pelas sílabas.
Quando nasceu Maira, pusemos o seu nome como o palíndromo mesmo.
Dois filhos, duas cabeças e várias sentenças bonitas.
Nos anos 70 a oração, a frase, também era chamada de Sentença.
Rio porque a minha sentença já foi determinada pelo juiz:
Ser bem atormentado pela Arte 24 horas.
Um tormento divino, já que é mais uma coisa que acho bonita.
Ainda no escuro da manhã, esperando o uber para ir pra rodoviária, olhei para o terreno vizinho e vi uma caixa de papelão só com as laterais, um cadarço amarrado em dois furos em cada lateral e quatro pratinhos de plástico colados nas laterais imitando as rodas.
Coitado do carrinho.
Foi atirado ao esquecimento depois da festa.
A minha sorte é que eu o vi, durante todas as mutações


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