Reagentes

Vindo para cá pensei no antigo presente que ganhei, cujo significativo nome era: O pequeno laboratório químico.
Azul de bromotimol e fenolftaleína.
Impossível esquecer esses reagentes que a gente colocava em tubos de ensaio, rigorosamente condicionados numa estantezinha plástica.
Inclusive o plástico era algo inovador, sendo um vermelho amaronzado e o outro verde escuro.
Isso.
Eram as cores do plástico.
É só lembrar dos soldadinhos que vinham no Toddy.
Os soldados e indígenas do Forte apache eram mais sofisticados.
Vinham coloridos.
Para que eu escrevesse com tinta invisível e fazer o sangue do diabo era apenas juntar o líquido de um frasquinho com outro e bummmm.
A química estaria a serviço da zoação.
Num belo dia joguei sangue do diabo na dona Anna e ela virou um demônio.
Rio porque a dona Anna jamais seria capaz disso.
Inclusive o tal sangue aparecia vermelho no tecido da camisa branca, mas logo desaparecia como por encanto.
O encanto químico.
O mais curioso é que depois de muitos anos, quando fomos entrar no Ensino Médio, o MEC introduziu o Ensino profissionalizante e nos indicaram que fizéssemos o curso Técnico em Laboratório Químico, porque preparava melhor para o vestibular.
Nós nem sabíamos o que era vestibular.
Só dois amigos faziam cursinho preparatório.
Eu fui fazer arquitetura por causa de um bilhete datilografado que vi num mural de madeira, quando fui chamar um dos amigos do cursinho.
No bilhete estava escrito:
Exame específico de Desenho para a FAU.
Passei, fiz um ano, passei e fui fazer Artes Visuais na FAAP.
Até hoje, o técnico que auxiliava o professor e a professora de química é meu amigo irmão.
Quando rememoro certas coisas e situações do passado, eu me coloco ainda mais a serviço do presente futuro.
São mutações inteligentes que vão se sucedendo apesar de sermos tão arrogantes, mesquinhos e pequenos.
Vejam que interessante.
Hoje o brinquedo da Estrela chama-se Lab 42.
Mais sucinto como pregam os marqueteiros.
Ontem, na minha frente, parou um carrão cujo nome da marca é Building Your Dreams.
Na mesma hora meu instinto marqueteiro me sinalizou:
Pelamordedeus.
Deveria ser bem menor.
Hoje, faz meia hora, parou um outro carrão na minha frente e na traseira:
BYD
Estou construindo meus sonhos a partir das práticas de laboratório.
Meus tubos de ensaio resistem e os azuis estampam minhas pinturas


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