Barba

Novamente o senhor de barbas longas, morador em situação de rua, me desejou Bom dia.
Penso que o Zeca Baleiro não desejou Bom dia ao português da padaria apenas para cortejar a rima.
Eu desejo felicitações porque acho bonito.
Como quase tudo que faço, inclusive.
Você dirá que faço assim pela minha boa educação.
Ela veio de Anna e Jorge, que também achavam bonito agir assim.
Apenas consigo imaginar o que levava a dona Anna a me colocar junto com ela numa Kombi branca, rumo a São Paulo, para assistirmos Hair, Jesus Cristo Superstar e Lição de anatomia.
Eu tinha doze anos.
Será que ela tinha uma amiga artista que nos convidava, ou era a sua própria hipersensibilidade que lhe movia?
Desse casal nasceram cinco rebentos, todos sensíveis e cada um a sua maneira.
Cada um juntando os desafios, problemas e bonitezas dos caminhos familiares e os além desses.
Consigo ver de soslaio os olhos do senhor com barbas longas.
É costumeiro pensar que ele está vagando pelas ruas por conta de algum desassossego, ou desastre.
Fato é que ele é capaz de, no meio dos ruídos da cidade, fazer com que o segurança Vanderlei, depois de um Bom dia na semana passada, elogiar os animais praticamente invisíveis que habitam a grande árvore que guarda a frente do mercadinho.
Não foi a copa Grande que motivou nossa poesia.
O senhor que vaga pelas ruas do bairro deve intuir sua boniteza

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