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A saga das palavras

Os signos são sinais. Elementos de códigos diversos. Vivemos a decifrar esses códigos, um a um, todos os dias. A Arte é comunicação. Para isso ela nos usa para ue através de pelo menos quatro linguagens possamos Expressá-la. Sentir um certo cansaço, estar fora de forma física, é doença, sedentarismo, ou idade avançada? Eu nunca tive sessenta e cinco anos e desta forma não sei afirmar ao certo. Os exames decifrados em miligramagem dizem que está tudo dentro do esperado. É com todos esses anos que eu estou aprendendo, criando e tentando decifrar os códigos que a mim são apresentados. Nosso código é Oxigênio, Hidrogênio e Carbono. Juntamos a esses elementos químicos os anos desde a gestação e nos tornamos esses seres integrais, holísticos, animais carnais e espirituais. Que Maravilha saber que os Portugueses ao se referirem à cor vermelha a chamam de Encarnado. Que potência o verbete adquire. A saga das palavras começou um tanto depois da experiência vital dos mamíferos pensantes. Antes d...

Sofá

Ao fechar a porta do apartamento hoje bem cedo, percebi uma mancha no assento do sofá que pensei ser a projeção de luz vinda do janelão da sala. Antes de fechar a porta, entrei e percebi que não era luz no assento. Voltei para a porta segurando minha sacola amarela com pertences relativos às minhas aulas do dia. Dentro da sacola uma caixa com materiais diversos e duas pastas com papéis em branco e trabalhos de alguns alunos. Fechei de vez a porta do apê e fui até o carro sem contar os degraus da descida. Normalmente subo com o elevador e desço pelas escadas, afinal estou apenas no segundo andar do prediozinho. Andar eu ando bem devagarinho, a sessenta por hora no máximo, dentro do meu carrinho, espreitando à direita, o silêncio do prédio onde antigamente habitavam as pessoas com doenças mentais. Ontem, quando voltei para casa vi no muro uma composição feita com mosaicos quadrados. Uma composição realizada num projeto pilotado pelo grande Artista Chico Chanes, feito há bastante tempo. P...

Uberlândia

O moço que me levou até à rodoviária não tem trinta anos. Suave e tranquilo no volante. Tão tranquilo que o Wase queria nos levar sabe Deus pra onde. Decoramos até o nome da minha rua, já que o aplicativo pediu pra ele entrar na rua perpendicular porque havia muito trânsito na Belmira Loureiro de Almeida. A perpendicular é uma rua estreita, portanto ele teve que ir um pouco mais em frente. E a moça elétrica do aplicativo disparou: A cem metros pegue a rua Belmira Loureiro de Almeida. Mas estávamos subindo e a Belmira fica atrás da gente. E ela mais uma vez, mais outra e outra: A cem metros pegue a rua Belmira Loureiro de Almeida. Pegamos. Lógico que depois de subirmos um tanto mais, depois de entrarmos na garagem do prédião vizinho e darmos meia volta. Aí pegamos a Belmira. Se tivéssemos pego a Belmira mesmo ela nos indicaria melhor o caminho para a rodoviária. Foi só pegarmos a rua Belmira e logo a moça elétrica falou vire à esquerda na rua Félix. Rua Félix? Nem existe rua Félix. Empo...

Procuras

Estive procurando poesia. Acabo de escrever e acabo achando o verbo no gerúndio, Procurando. Pró Curando. Antes de tudo, curando. Acho que o Chico que é César está muito certo desde dois mil e oito, quando escreveu: Perigo é se encontrar perdido, encontrar-se distraído e achar sem querer. Repare que fiz um apanhado da ideia genial do gênio. Ninguém é todo bom, ou todo mal, mas a possibilidade de escorregarmos por erros, equívocos, ou desvios de conduta é grande. Tão grande quanto afirmar-se no Bom, no que engrandece e enaltece. Sigo a procurar poesia. Alguns poetas dizem que a gente a encontra e outros dizem que é ela que nos encontra. Ando a procurar e acho que de alguma forma promovo encontros palavrísticos, líricos, poéticos. Não me basta encontrar. Também não quero apenas espalhar. Gostaria que germinasse. Porém isso não está no meu controle e veja que acho que não existe alguém que goste mais do controle do que eu. Bobinho. Achar que é possível ter algum controle sobre tantas vari...

Que medo é esse do medo que dá?

Vejo tanta coragem em pessoas que estão bem perto. Uma fibra resistente, quase inquebrável. A armadura poderosa dessas pessoas queridas é feita dessa fibra. Elas enfrentam as vicissitudes da vida com fé. E enfrentam situações reais, problemas que se apresentam, revezes palpáveis. E eu aqui medroso. Com medo de coisas imaginativas, inventadas pela própria deslembrança, ou por pensamentos mágicos que não condizem com a realidade. Aprendo que é coisa de ansioso, pensador acelerado, mas nada disso faz mesmo sentido. A não ser o sentido de ficar triste e mais pensativo ainda. Direcionando o estar acordado com o estar com um medo desnecessário. Só é necessário para esse ser cheio de manias e mimado. Escrevendo talvez eu pense que só pode ser necessário para que eu reveja as posições negativas, tomando providências para mudar esse estado de coisas. Comer muito menos pães, queijo amarelo, farinhas e açúcar, também sabendo que as massas farinhentas são transformadas em açúcares. Eu sei de muita...

Ressureição

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Que Maravilhoso esse Lavoisier. Pego uma folha de papel A3 e depois de olhar atentamente para uma lasca de tronco, eu a desenho Tim Tim por Tim. Ledo engano pensar que a lasca ficou idêntica, igualzinha aquela que acabei de ver em 3D, bem na minha frente. A lasca pensou perder-se em meus traços, porém foi apenas transformada. Ficou igualzinha, mas não idêntica. A identidade dela é outra, não é desenho feito a mão. É identidade de árvore, um ser vivo descascando. Talvez envelhecendo. O meu desenho é novo, jovem por ter sido feito a pouco. Outro dia ouvi alguém falando bonito sobre Deus, o chamando de Natureza. É natural que a gente pense e reflita sobre isso. Quem já viu aquelas plumagens de pássaros ditos exóticos tem quase a confirmação da Natureza de Deus. Confiar é Fiar junto, confiar. Pegar a providência divina com a mão também deve contemplar a coragem, a vontade de seguir caminhando, ir em frente, criar, não se perder, ...

Mistério, Poliana, ou nada disso?

Pensei um pouco antes de começar a escrever. Você vai me perguntar: Como assim? Nós sempre pensamos antes, durante e depois de escrever. Está correto, mas pensei se conseguiria passar a sensação que sinto quando me acontecem determinadas situações. E não é de hoje que sinto e sinto forte, como se pegasse a Coisa com a mão, como disse sempre a dona Anna. Polianiamo seria? Otimismo demais? Crença, subjetividade, filosofia? Não gosto nada quando a minha conversa soa apenas filosófica. Desejo uma filosofia prática. Aqui está. Saio de casa e ainda estou no escuro de inverno. Dou partida no meu automóvel, ligo a luz baixa e saio. Dirijo até a padaria cotidiana, peço meu pão com manteiga sem chapa e meu café com leite médio. Devoro o lanche e pago a minha conta com cartão de crédito. Desejo uma ótima semana a todas as funcionárias, entro no meu carro e saio em direção à Marginal da Rodovia Raposo Tavares. Não ligo o som e vou tranquilo e devagar pela pista. Meu destino é o Colégio onde minist...