Que medo é esse do medo que dá?
Vejo tanta coragem em pessoas que estão bem perto.
Uma fibra resistente, quase inquebrável.
A armadura poderosa dessas pessoas queridas é feita dessa fibra.
Elas enfrentam as vicissitudes da vida com fé.
E enfrentam situações reais, problemas que se apresentam, revezes palpáveis.
E eu aqui medroso.
Com medo de coisas imaginativas, inventadas pela própria deslembrança, ou por pensamentos mágicos que não condizem com a realidade.
Aprendo que é coisa de ansioso, pensador acelerado, mas nada disso faz mesmo sentido.
A não ser o sentido de ficar triste e mais pensativo ainda.
Direcionando o estar acordado com o estar com um medo desnecessário.
Só é necessário para esse ser cheio de manias e mimado.
Escrevendo talvez eu pense que só pode ser necessário para que eu reveja as posições negativas, tomando providências para mudar esse estado de coisas.
Comer muito menos pães, queijo amarelo, farinhas e açúcar, também sabendo que as massas farinhentas são transformadas em açúcares.
Eu sei de muita coisa por aprendizado observatório.
E é aí que a frase só sei que nada sei torna-se ainda mais viva e presente como paradoxo socrático, ou um paradoxo meu mesmo.
Paradoxo, afinal ao mesmo tempo que enfrento remotas crises de pânico, substituindo-as por energia de trabalho, fico inventando de tempos em tempos, medo de passar dessa para uma bem melhor.
Claro que na magia dos pensamentos posso até mudar para passar dessa para uma bem pior.
Enfim, qual a razão de tudo isso?
Qual o sentido de sobrevivência que me arremessa para essas situações novelísticas de assombro?
Eu faço um exame de rotina, ele dá bom no sentido de que está estável há quase Quatorze anos e apenas porque a Doutora diz que precisamos ficar atentos, afinal já fiz sessenta e cinco anos, eu passo o tempo todo encaraminholando desesperos e destemperos.
Veja que Ela ainda afirmou:
Ainda bem que hoje os remédios estão cada vez mais maravilhosos, caso você venha a desenvolver algo mais preocupante.
Ela tão animadora e eu tão bobo.
Sabe o que é mais constrangedor?
É que amanhã eu tenho consulta com o meu doutor e ele vai me tranquilizar.
Claro que eu vou entrar no consultório fazendo o maior escândalo, contando toda a história e ele vai ficar lendo na tela a conclusão da Doutora.
O certo é que apesar dos pesares eu ainda sou um Artista professorando.
Hoje está fazendo um frio digno do meu casaco novo, forrado por dentro com pelos sintéticos.
Com o gorro dele eu fico parecendo um esquimó.
Devo aprender com eles a sair do iglu e ir à caça quebrando o gelo e me sustentando.
Ainda há muito o que fazer e hoje vou avaliar quantos alunos enviaram fotografadas, as tarefas feitas em aula.
Avaliando os corajosos eu me auto avalio.
Confiança é fiar junto.
Tecer armaduras com os exemplos maravilhosos daqueles que enfrentam os problemas reais com galhardia e muita vontade.
Confiança, meu caro.
Pela janela do busão vejo desfocados mil matizes de verdes das árvores.
Sei que são árvores mesmo que não veja suas raízes
Comentários
Postar um comentário