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Mostrando postagens de julho, 2025

Painel

  Eu não ia começar o texto por aqui, mas daqui eu vejo o painel que acabei de aprontar. Sim, aprontar, deixar pronto e ponto. De repente esse ponto nunca é um ponto final. Vários pontos de interrogação e exclamações. Recebi um pedido da família para pintar uma paisagem peruana fotografada pela Júlia, que desenvolveu a tese de mestrado sobre o país sul-americano e esteve na Universidade de Lima. A medida era bem específica devido ao arredondado da parede da sala. É claro que a história da compra do painel é Providencial. Entro na loja onde o moço já me garante que eles não fabricam mais telas. Hoje eles apenas revendem as telas. Pergunto se havia uma tela painel de um metro e vinte por quarenta centímetros. A resposta foi negativa e para não ficar sem levar nada, comprei um grafite 6B e um pincel redondo. Quando estava quase saindo da loja, vejo em cima de uma pilha de latas de tinta, um painel comprido sem o plástico de proteção. Exatamente. Um metro e vinte por quarenta. Agora el...

Alfabeto

Adoro saber sobre códigos. Criá-los a partir do ponto, da linha e da forma, por exemplo. Dar o nome de desenho ao decifrá-lo, criando um novo código a partir do resultado. Na arrumação da casa encontrei dois chaveiros doados numa promoção antiga. Promoção de uma concessionária de veículos. A imitação de couro liso em forma de gota, fez com que eu desenhasse grafismos com caneta preta a partir dos códigos que descrevi acima. Quando eu usar as chaves caberá ao observador decodificar o desenho. Interpretar usando o conjunto de informações que ele tiver na memória vivida. Engraçado que me senti incomodado em escrever no masculino, ele. Claro que elas estão no contexto e muitas vezes são mais sensíveis às interpretações mais detalhadas. Repare que esse código que estipulava que O Ser Humano é  Homem, passa a ser docodificado como ultrapassado. Ultra, muito, passado. O presente é da ciência humana. Mulheres cientes das suas posições e cientes das mesmas necessidades e capacidades que nós...

Féria

  Hoje é feriado e dá pra sentí-lo na quantidade de movimento nas ruas da Capital. Um sossego. Atravesso a rua assobiando. Estranho mesmo é que feriado tem a ver com férias, mas às vezes tem um significado oposto. Féria, entendida como o recebimento de um dia trabalhado. O meu está trabalhado no descanso, embora esteja me movimentando aqui no leg press. Lembrei-me ao tomar um cafezinho, do dia no qual errei redondamente numa observação linguística. Rio porque sou sem noção até a ficha cair. O que vou narrar aconteceu faz tempo. Hoje tomo conta de pensar uns segundos antes de abrir a boca. Na avenida o supermercado nem existe mais. O café e algumas lojinhas ficavam embaixo do mercado. Na inauguração do novo café as atendentes usavam uma camiseta que nas costas eu podia ler a palavra Espresso. Lá fui eu perguntar como o pessoal pode cometer um erro desses. A moça não sabia me informar. O desinformado aqui nem pensou que a marca do Café era italiana e em italiano o café é Espresso. Es...

Exercer

Exercícios. Lembro-me de quando eu estava na escola e os professores pediam para fazermos exercícios para casa. Em todas as matérias, mas a gente sempre faz o link com a matemática. Isso não mudou, permanece assim. Exercícios para casa. Ando fazendo exercícios para manter meu corpo saudável e exercitando a boa alimentação, monitorada pelo ensinamento básico do doutor Henna. Você pode comer de tudo, mas pouco. Exercício de disciplina e autoconhecimento. Agora farei um exercício de interpretação do meu próprio verso. Eu normalmente escrevo para que a velocidade da palavra se confunda com a velocidade da melodia e assim escrevi: Um canto novo. Raridade bem mais velha que essa ideia da graça que passa. Quando surgiu essa ideia do novo fui direto para uma vinheta do Canal Curta que pergunta a vários artistas o que é o Novo para eles. As respostas são as mais diversas como você pode antever. Quando apareceu para mim o verso: Raridade bem mais velha, logo me veio o Museu de grandes novidades ...

Razões

Sempre apreciei muito as falas simples ditas em séries de TV, em revistas, livros e nas redes. Elas me fazem refletir. No seriado Bull, ele solta essa, depois de ouvir algumas coisas de uma senhora que discorda dele: Como é que alguém pega uma gripe? Muitos escrevem sobre a deficiência imunológica que de repente sofremos, seja por tristeza, violência, ou uma questão de natureza cromossômica. A tal baixa imunidade. A pergunta veio questionadora mesmo. Alguns são expostos ao vírus e não ficam gripados. Esses são mais resistentes. Faz-me pensar no que faz ficarmos com baixa resistência, já que esses micro bichos são difíceis de me pegar. Claro que quando um deles me pega me derruba, me deixa triste, me desanima. De onde vem essa resistência ou a falta dela? Alimentação, exercícios físicos, genética, ou outro mistério qualquer? Rio com as inúmeras propagandas de multi vitamínicos que começam dizendo: Pra Vc que sofre com dores no corpo, fadiga, cansaço mental! Quem hoje não sofre com esses...

Hojes

Não existe sinal vermelho para as motos. Motoqueiros passam por ele sem parar e sem noção do perigo. O caos é que o mau senso não lhes dá a noção do perigo que é para eles e para os outros. Colocam a vida de todos em risco e a explicação para a maioria dos casos é a quantidade de entregas rápidas que eles têm que fazer para ganhar alguns trocados. Coisa de um neo liberalismo que só é liberal com os banqueiros. Aquela história dos uberistas que pensam estar trabalhando por conta própria, mas além de estarem trabalhando para uma Starptap poderosa, trabalham sem nenhuma garantia de direitos trabalhistas, arcando com as despesas de manutenção do veículo que usam, por exemplo. A ideia é a abertura da economia para que todos possam estar bem financeiramente, mas que na verdade sempre prioriza as vantagens do Sistema  Mercadológico, que é regido pelas leis do muito dinheiro para pouquíssimos e a miséria para muitos e mais e mais e mais. Um Sistema que sabe da vulnerabilidade dos senhores ...

Original

Certas canções que ouço calam tão dentro de mim, que perguntar carece: Como não fui eu que fiz? Esse verso da letra do Tunai em parceria com o Milton Nascimento, me apareceu quando vibrei. Vibrei ao ver uma coleção de imagens na rede social. Imagens de vários trabalhos de diversos artistas espalhados pelo mundo. Ao observar algumas delas me deu vontade de perguntar como não fui eu que as fiz. Porém, depois de vasta experiência já autorespondo que cada indivíduo realmente tem a sua identidade e é muito bom ter esse respeito. Desde 1977 descobri o caminho de linhas e formas com o qual me identifiquei e que ficou definitivamente marcado em mim. A partir daí fui direcionando, mudando, adaptando, vendo e revendo quais grafismos faziam e fazem parte da minha construção de imagens original. Gosto de pintar também, mas o desenho me encanta. Deixa-me encantado. É como um canto. Um canto que refere-se a semelhança da flauta de Hamelin sem os ratos, ou como me advertiu o Cazuza, preciso pensar se...