Hojes

Não existe sinal vermelho para as motos.
Motoqueiros passam por ele sem parar e sem noção do perigo.
O caos é que o mau senso não lhes dá a noção do perigo que é para eles e para os outros.
Colocam a vida de todos em risco e a explicação para a maioria dos casos é a quantidade de entregas rápidas que eles têm que fazer para ganhar alguns trocados.
Coisa de um neo liberalismo que só é liberal com os banqueiros.
Aquela história dos uberistas que pensam estar trabalhando por conta própria, mas além de estarem trabalhando para uma Starptap poderosa, trabalham sem nenhuma garantia de direitos trabalhistas, arcando com as despesas de manutenção do veículo que usam, por exemplo.
A ideia é a abertura da economia para que todos possam estar bem financeiramente, mas que na verdade sempre prioriza as vantagens do Sistema  Mercadológico, que é regido pelas leis do muito dinheiro para pouquíssimos e a miséria para muitos e mais e mais e mais.
Um Sistema que sabe da vulnerabilidade dos senhores e senhoras de idade avançada e retiram deles o pouco da parca aposentadoria com os tais empréstimos consignados.
O resultado não precisa nem de poesia, crônicas, ou romances.
Basta ver onde moram as pessoas que trabalham nos bairros nobres das cidades.
Ontem fui até uma cidade da Grande São Paulo e para chegar eu andei duas horas de carro.
Fui surpreendido ao saber que muitas diaristas moram em lugares ainda mais distantes e fiquei imaginando quantas conduções elas usam para chegar no trabalho.
Elas driblam a artrose, as dores nas costas e quando chegam a noite, muitas ainda participam, sabe lá Deus como, das aulas da Escola para Jovens e adultos.
E assim um batalhão de pessoas que lutam diariamente nesse transtorno caótico, na luta pela sobrevivência.
Sim, sobrevivência.
Uma vivência sofrida, sobrevivida e bem menos vivida.
Também por isso reflito sempre sobre como devo seguir vivendo nesse mundão.
Vivendo com simplicidade e bom senso, buscando deixar menos triste e pesada a vida dos outros.
O Sistema é poderoso e rude.
A gente vai se sacudindo, fazendo das tripas um coração e essa expressão é a realidade de muitos.
A esses sempre as sobras.
A nós terceiro mundistas as sobras também.
Ontem vi numa série europeia as bancas de frutas numa feira.
Deu até para sentir os perfumes e o aveludado das delicadas e belíssimas cascas.
A gente produz e os melhores resultados do nosso processo de produção vai para fora, sempre dizia a sábia dona Anna.
Acho impressionante que tudo isso que escrevi até aqui é tão superficial e óbvio que começo a ter um pouco de vergonha.
Porém rapidamente mudo a direção do meu senso.
É assim que consigo enxergar.
Qual a minha indagação eterna:
Como tudo isso salta aos olhos e quase todos insistimos em seguir com essa trolagem?
Somos amalgamados, moldados e convencionados a seguir nessa toada que oprime e principalmente, separa com um abismo de distância, os poucos que têm muito dos muitos que têm tão pouco.
E seguimos com sorrisos nos rostos, disfarçando a insensatez com a esperança de andarmos por um mundo com menos trevas e mais luz.
Novamente me deparo com a reflexão sobre a obviedade de tudo isso.
Posso ser um feliz derrotista, mas não vejo solução que me satisfaça, satisfazendo a maioria.
Não consigo vislumbrar.
Palavra sensacional que nos traz a visão e a luz.
Vislumbrar.
Para me vislumbrar penso em Suassuna dizendo sobre a beleza da língua portuguesa, já que em português, Copo é Copo, vidro é vidro e óculos são óculos.
Em inglês é glass, que também é vidro, ou óculos e assim por diante.
No final da sua fala ele apresentou um Copo plástico e perguntou:
Isso então é um glass de plástico?
Pessoas como essa me confortam pela sabedoria da simplicidade como muito nos ensinou Manoel de Barros.
O meu conforto e consolo é a poética das coisas, das situações e principalmente das pessoas.
Isso sim é Vislumbrante.
Do resto toma conta a desgraça funesta do Sistema



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A saga das palavras

Todos

Rima