Exercer
Exercícios.
Lembro-me de quando eu estava na escola e os professores pediam para fazermos exercícios para casa.
Em todas as matérias, mas a gente sempre faz o link com a matemática.
Isso não mudou, permanece assim.
Exercícios para casa.
Ando fazendo exercícios para manter meu corpo saudável e exercitando a boa alimentação, monitorada pelo ensinamento básico do doutor Henna.
Você pode comer de tudo, mas pouco.
Exercício de disciplina e autoconhecimento.
Agora farei um exercício de interpretação do meu próprio verso.
Eu normalmente escrevo para que a velocidade da palavra se confunda com a velocidade da melodia e assim escrevi:
Um canto novo.
Raridade bem mais velha que essa ideia da graça que passa.
Quando surgiu essa ideia do novo fui direto para uma vinheta do Canal Curta que pergunta a vários artistas o que é o Novo para eles.
As respostas são as mais diversas como você pode antever.
Quando apareceu para mim o verso: Raridade bem mais velha, logo me veio o Museu de grandes novidades do Cazuza.
Mas não só.
Velha como a ideia da graça que passa, é sobre a graça do riso, da risada, que passa até que momentos mais angustiantes cheguem no pós alegria.
E isso passa a ser novo.
O canto é novo a cada novidade, seja boa ou ruim.
Exercícios da vida que se apresenta e que nos alimenta com força e fé.
Exercício de fechar os olhos para nos vermos por dentro, admirando-nos para que, a partir dessa leitura, observemos sem o auxílio da visão, nos abrindo para o cuidado com o outro.
O outro que de tanto ver com os olhos abertos acaba por enxergar a vida de forma mais sombria.
Há muito tempo ouvi o Chico Buarque falar que ele era um sujeito sempre angustiado por ver as coisas ásperas tão de perto.
Não gosto, mas seria saudável ser ignorante, ignorarando tantas coisas mal feitas em nome de Deus.
Estou aqui exercitando meus braços e fechei os olhos para sentir os movimentos e a respiração.
É bem diferente fazer isso com os olhos abertos.
Com os olhos abertos os ouvidos se fecham e ouvir é um exercício cada vez mais necessário.
Além de ver os detalhes, também ouví-los.
Antes de chegar até aqui ouvi uma mulher sentada num murinho na calçada, no seu horário de descanso, sem descansar um só segundo.
Ela gritava com o celular encostado na boca, da qual saiam palavrões e revolta.
Não existe mais o entre quatro paredes.
A revolta é escancarada e tudo isso vai alimentando o tal dragão feroz da maldade.
Você deve lembrar da fala chinesa que diz que temos dois dragões dentro da gente e precisamos nos certificar a qual temos alimentado mais.
Em qualquer Cultura há o exercício da crença e em todas há o bem e o mal.
Eu sou assim e tenho os dois dragões me habitando, claro.
O exercício é grande para não alimentar as minhas italianices.
Poderia escrever que tenho tentado, mas prefiro dizer que tenho conseguido lidar com mais clareza.
No próximo verso da canção há outro canto novo.
No qual o passado revela o mistério que até ontem era só pura intuição.
Estamos intuindo e já nos foi revelado algo anterior que apenas intuímos.
E assim seguimos em exercício constante.
Ao que me consta o sedentarismo paralisa.
Somos seres holísticos e como tal vivemos no exercício de nos apresentarmos inteiros.
Gavetas só para os móveis imóveis
Comentários
Postar um comentário