Original

Certas canções que ouço calam tão dentro de mim, que perguntar carece:
Como não fui eu que fiz?
Esse verso da letra do Tunai em parceria com o Milton Nascimento, me apareceu quando vibrei.
Vibrei ao ver uma coleção de imagens na rede social.
Imagens de vários trabalhos de diversos artistas espalhados pelo mundo.
Ao observar algumas delas me deu vontade de perguntar como não fui eu que as fiz.
Porém, depois de vasta experiência já autorespondo que cada indivíduo realmente tem a sua identidade e é muito bom ter esse respeito.
Desde 1977 descobri o caminho de linhas e formas com o qual me identifiquei e que ficou definitivamente marcado em mim.
A partir daí fui direcionando, mudando, adaptando, vendo e revendo quais grafismos faziam e fazem parte da minha construção de imagens original.
Gosto de pintar também, mas o desenho me encanta.
Deixa-me encantado.
É como um canto.
Um canto que refere-se a semelhança da flauta de Hamelin sem os ratos, ou como me advertiu o Cazuza, preciso pensar se a minha piscina não está cheia deles, ou está com pelo menos uns dois, ou três.
Tenho certeza que dou conta dos meus, já que minha liberdade atuante está atrelada aos traços, formas e cores.
Ontem estava na fila da farmácia esperando para ser atendido quando ouço a moça farmacêutica dizer para uma cliente:
Eu não sou uma máquina, sou uma pessoa.
O Artista é uma pessoa e como tal tem contato com outras tantas.
Algumas vezes tranquilas, outras vezes hostís.
O Artista também por vezes é hostil e outras vezes gracioso.
Gosto de deixar claro porque algumas pessoas imaginam que o Artista é um ser Ideal, fantástico antes de ser fantasioso.
Ouvi outro dia alguém fazendo relações entre as pessoas artistas e suas obras.
Essa pessoa dizia que precisamos distinguir uma coisa da outra.
Distinguir a pessoa e suas agruras e angústias, das suas obras.
Claro que essas observações citavam relatos de artistas agressivos, abusivos, entre outras desfaçatezas.
Poderiam citar também os atos de outros artistas que são diferentes desses, mas a audiência é maior nas Desgraças.
Palavra que é a antítese da Graça.
Desde cedo eu ouço que a Arte é a filosofia do Belo.
Houve época que questionei, já que tivemos e ainda temos a estética do Feio na História da Arte.
Respeito e acho que deve ser ainda a forma de expressão de muitos, porém eu me identifico com a beleza.
Sim, a beleza tradicional, aquela que a maioria considera e que em se tratando de objetos artísticos, é Aparente.
O que acontece no interno, é muito bem descrito na letra do Vanderly:
Eu queria agora, meu bem, morar no interior do meu interior.
Esse é envolvido e embalado pelo mistério.
Estou a falar do aparente que pode e até deve refletir o interior, mas isso não é uma garantia.
Hoje apareci no mercadinho e o porteiro Vanderlei não me reconheceu com minha touca de lã preta.
A aparência pode ser até perigosa.
Porém, depois que ele olhou mais atentamente foi só abraço esfuziante.
Fazia um tempo que o Vande não aparecia.
Aparentemente foi apenas desencontro de horários.
Os artistas são assim.
É como certas canções que me chegam.
Foi o Tunai, irmão do João Bosco que escreveu, mas eu repito.
Essas canções me chegam como se fosse o Amor

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