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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Disposição

O ato de estar disposto. Ontem ouvi algumas vezes que as palavras são vazias se não houver uma ação correspondente. Eu digo que este é o meu lema, minha convicção. Perdi meu Chaveiro com as chaves de casa. Saio com a minha bermuda cujo bolso é bem curto e não percebo que qualquer movimento que eu faço sentado, o que estiver no bolso corre risco de cair. Podia jurar que havia colocado o Chaveiro dentro da sacolinha que levo às costas. Ao voltar da academia fui colocar a mão dentro da sacola para abrir a porta da calçada e Cadê? Nada em lugar nenhum. Hoje passei na farmácia e não estava. A padaria estava fechada. Sobrou a academia. Já entrei perguntando para o moço da portaria que também é personal: Será que ontem alguém achou o meu Chaveiro? Eu devo ter derrubado num dos aparelhos? A resposta veio ligeira: Eu não estava aqui ontem. Insisti dizendo que quando as pessoas esquecem alguma, ou deixam cair, alguém acha e o pessoal coloca nas gavetas do móvel que estava na nossa frente. Ele en...

Já no vestiário

Já no vestiário vi que não havia trazido os meus fones. Faço essa observação por causa da primeira impressão que me passou o esquecimento. Não tenho tanta coisa para escrever sobre os acontecimentos de hoje. Dia de Planos para Projetos escolares que acontecerão no decorrer do ano. Acho graça na nossa empolgação com os temas e possibilidades quase infinitas de propostas. Acho graça por ter a certeza que a equação se resume a: A nossa empolgação dividida pela quantidade de empolgação de jovens entre onze e quatorze anos. Rio porque a maioria está pensando em cumprimentar os amigos e se possível fazer novas amizades e quiçá um namorico aqui e outro acolá. Realidade de quem é rico e ri à toa, como eu. Porém, ainda no vestiário recebo uma mensagem de uma ex aluna do Colégio que hoje tem dois filhos gêmeos. Entraram no ano passado para estudar com a gente. E este é o primeiro ano que eles têm aulas comigo, já que faz um tempinho que a mãe deles tinha quinze anos e estava no primeiro ano do E...

Alfabeto funcional

Fui conectar o meu fone sem fio e ele nem deu resposta. Nada da luz verdinha acendendo, por exemplo. Pensava ouvir o álbum do Yes, Tales from Topografic Oceam, que é duplo e contém apenas quatro faixas. Aqui na bike pensava em ouvir duas canções. O chamado Rock progressivo. Eu ouço música ou escrevo quando pedalo. Raramente fico com minhas conversas internas. Segundo o Leo, palestrante, é complicado mesmo ficar com a gente mesmo em silêncio, porque a tendência é a gente enfrentar as próprias angústias. Eu tenho as minhas em pequena quantidade, mas é claro que eu as tenho. Tenho uma preferência pelo otimismo e também durante a palestra do Leo percebi que a minha bênção recebida é ser artista e professor de Arte. Tudo o que ele afirmou como procedimentos saudáveis para a nossa saúde mental, a mente do artista contempla. Quero deixar claro que na minha experiência, existem pelo menos dois tipos de artistas. O artista do âmago, que é expressionista e deixa fluir Todos os sentimentos e emoç...

De novo, o novo

Eu estava até minutos atrás caminhando pela calçada e logo à minha frente um moço segurava carinhosamente um cãozinho. Ele trajava o uniforme do petshop. Nas costas o nome estava impresso: Cão de ló. Ele, sério e compenetrado seguia o seu caminho enquanto eu apertava o passo. Ao passar do seu lado eu falei: Adorei o nome Cão de ló. O mais importante de tudo isso é que ele sorriu largado. Adoro não deixar para trás esses momentos que desarmam as pessoas das suas angústias, ou mesmo de pensamentos alegres. O importante é movimentar os tais músculos da face. Acho graça e entendo quando algumas pessoas acham, ou pensam que esse meu desejo é um desejo de chamar à atenção. Explico melhor: Eu me exponho para que as pessoas que foram alvo da minha abordagem possam ver e interagir com a minha carência. Rio porque a minha carência é de cartão de crédito com crédito infinito para que eu pudesse entrar numa loja de materiais artísticos e comprasse todo o estoque. Comprei duas telas painel no merca...

Poema poético

Lembro-me do dia no qual, passeando pelo Instagram, eu vi e ouvi alguém sugerindo a diferença entre poema e poesia. Mais tarde vi e li num material didático esse mesmo questionamento. Poesia é uma espécie de elã que envolve as coisas e situações, assim como nos mostrou lindamente o Chico Cesar na canção Estado de poesia. Portanto, um poema normalmente é cheio de poesia. A poesia é orquestrada pelo raciocínio e pela emoção do poeta. Pode ser uma questão semântica, mas eu acho bonito. Também poderia ser bonita, a questão, ou complexa. Há poesia no fato das esteiras estarem alinhadas, tendo um espaço com uma esteira vazia entre outra com uma pessoa. Uma esteira vazia, na outra alguém, outra esteira vazia e na próxima outrem. Porém há poesia no desalinhamento também e assim adentramos à arte moderna, por exemplo. Quiçá na Arte Contemporânea. Há boniteza na poesia do poema, ou há angústia e aflição também. Outro dia vi e ouvi um desabafo da Lygia Fagundes Teles que falava que ninguém dava a...

Conectar estrelas

Nestas férias uma das informações mais interessantes que eu obtive foi o fato que uma estrela explode e pulveriza no espaço todos os elementos da tabela periódica e que o hidrogênio é bem simples. Por uma conjunção de fatores a terra foi formada deste jeito que a conhecemos, propiciando Vida. Isto é muito sensível. Sempre me intrigou a bioquímica, no sentido de tantas conjunções que se movem e nos faz mover. Tantas substâncias resultantes e seus movimentos. Adoro a história do micro e do macro e sua relatividade, como há tempos nos mostrou aquele vídeo que começa com a imagem da Terra observada do espaço e a câmera vai aproximando, passa pela pele de alguém que está numa cadeira de praia e vai entrando e mostrando o que há dentro da gente até chegar nas micro partículas, que na relatividade nos mostra que aquele micro também é macro e o que está no universo vive dentro da gente. A ideia que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma é fenomenal. Ao saber de várias cois...

Caminhadas

Retornando à rodoviária. Antes trafego por três linhas do metrô. Brigadeiro, Paulista e Barra funda são as estações onde desembarco para o traslado. Antigamente eu falava translado. Muitas pessoas nos trens, mas como hoje é domingo, sempre estou no contra fluxo e vou tranquilo. É dia de passeio na avenida Paulista e a diversidade de estilos, línguas e comportamentos é ainda mais gigante e eu adoro. Realmente a minha vida segue direta, de forma que quase eu nem sinto que estou em férias, ou trabalhando. Vida de artista, descoberta que fiz há pouco tempo, mesmo que desde pequeno e desde sempre, tenha esse comportamento teimoso. Que teima em sentir, processar e expressar o tempo todo. Hoje é sempre e é daqui pra frente. Escrevendo eu sinto o motorista ligar o busão e na mesma hora ouço o barulho do ar condicionado. Lá fora está muito abafado e já fico a imaginar o mormaço em Sorocaba. Chegar e colocar as roupas da semana na máquina de lavar. Esses privilégios contemporâneos que são ferram...

Folhagem

Ando percebendo na caminhada até aqui que muitos imóveis no bairro estão fechados. Preços altíssimos do aluguel e lojas fechando. O comércio online com certeza favoreceu esta situação na qual as lojas físicas se tornam obsoletas. Porém o que me fez observar mais atentamente foi o meu amassar de folhas secas nas calçadas. Lojas fechadas, ninguém mais limpa a calçada da frente. E os transeuntes não colaboram, jogando todo tipo de embalagens. De danoninhos até caixas de isopor para sanduíches. A Educação colocada em xeque. A chuva noturna continua provocando poças nos buracos do asfalto. Continuo achando bonito ver os reflexos da cidade nestes espelhos d'água. Parei em frente a uma construção de um prédio Office de alto padrão. É o que está escrito na placa. Interessante que a fachada é inclinada em relação à rua. Os andaimes vão subindo e a engenharia sendo mais tecnologicamente avançada. São construções mais rápidas. Não paro de pensar num comentário de uma moradora do meu prediozin...

Nove

Ontem, dia 8 de janeiro, fiquei tão empolgado que já escrevi que o dia era Nove de janeiro. Noves fora, oito. Este oito que é símbolo de infinito. Essa vida infinita, onde nada se perde e tudo se transforma. Viemos com hidrogênio, carbono e a tabela periódica inteira e o que vamos deixar são estes elementos espalhados pelos cantos onde estaremos próximos. Acho bonito este movimento. Do Universo para o Universo. Enquanto isso eu vou me movimentando entre os nascimentos e as convivências. Viver entre o conjunto de pessoas que eu vou encontrando entre conhecidos e desconhecidos, ligados pela energia elétrica dos corpos e mentes. Estou prestes a fazer uma torta alemã de maçãs onde só vão ingredientes secos na massa. Nós somos setenta por cento água e é dessa água que posso pensar que somos hidroelétricas humanas. Energia é vital para todo desenvolvimento e as unhinhas da bebê já vêm crescidas. O pequeno arranhão no rostinho fez com que a mãe aparasse as unhas da pequena. Assim corre o temp...

Calços

quência de lajotas desenhadas e pintadas, queimadas no forno e salpicado entre outras lajotas marrons do mesmo tamanho. Uma composição bonita. Ainda resistem aqueles pequenos espaços de calçadas com pedras que formam uma composição com o mapa do estado de São Paulo em preto e outro branco. Havia uma lei proposta pelo então governador que todas as calçadas do estado deveriam ter a mesma composição. Imagina a falcatrua com o produtor das tais pedras ornamentais. Também foi assim com a tal necessidade das tomadas com três furos e o kit anti incêndio dos automóveis. Tudo pelo dinheiro, explorando nós, os aquietados. De volta às calçadas, que linda a da frente da padaria, onde o trabalhador colocou anteparos de ripa para criar um relevo em diagonais. Quando eu sair da academia darei de pés na calçada. Esta povoada por chicletes pretos amassados. Eles eram verdes, amarelos, rosas, mas de tanto serem pisoteados pelas botas, tênis, sapatos e chinelos dos trabalhadores da cidade, acabaram escur...

Mega Cena

Tudo é uma grande encenação? Claro que nem tudo, mas esses reality shows são primeiramente montados para que durante as interações humanas os dramas e alegrias possam aflorar e na base da sorte e de alguma resistência física alguém ganhe um prêmio em dinheiro e façam a felicidade das emissoras e dos patrocinadores. Eu gosto do show da realidade. Numa resposta vinda de um amigo ex aluno, ele disse que também gosta de fazer alguma amizade com desconhecidos. Rio porque a história que lhe contei foi de um gerente do Méqui, portanto desconhecido, que ao ouvir a minha voz pedindo batatas fritas pediu que eu gravasse para a esposa um correio elegante falado. Outro dia encontramos o gerente na loja aqui mais perto de casa. Meu amigo me pediu o áudio porque queria relembrar as festas juninas onde eu narrava as quadrilhas. Os prêmios neste meu show de realidade são essas demonstrações de afeto e carinho que vêm das pessoas conectadas com esse espírito de partilha. Eu sou tão egoísta que fico mar...