Alfabeto funcional
Fui conectar o meu fone sem fio e ele nem deu resposta.
Nada da luz verdinha acendendo, por exemplo.
Pensava ouvir o álbum do Yes, Tales from Topografic Oceam, que é duplo e contém apenas quatro faixas.
Aqui na bike pensava em ouvir duas canções.
O chamado Rock progressivo.
Eu ouço música ou escrevo quando pedalo.
Raramente fico com minhas conversas internas.
Segundo o Leo, palestrante, é complicado mesmo ficar com a gente mesmo em silêncio, porque a tendência é a gente enfrentar as próprias angústias.
Eu tenho as minhas em pequena quantidade, mas é claro que eu as tenho.
Tenho uma preferência pelo otimismo e também durante a palestra do Leo percebi que a minha bênção recebida é ser artista e professor de Arte.
Tudo o que ele afirmou como procedimentos saudáveis para a nossa saúde mental, a mente do artista contempla.
Quero deixar claro que na minha experiência, existem pelo menos dois tipos de artistas.
O artista do âmago, que é expressionista e deixa fluir Todos os sentimentos e emoções nas suas expressões e o artista que eu chamo de publicitário.
O primeiro tipo é aquele que sofre bastante.
O publicitário sou eu, que precisa da temática pensada, refletida, que se acanha um pouco diante dos sentimentos e privilegia o raciocínio.
Veja que digo isso também pensando nos meus desenhos atuais, que parecem vir do âmago, mas que são o resultado deste processo vivido entre os meus traços e o meu professorado.
Ontem ouvi um jovem artista muito popular no Instagram dizendo que o dom não existe.
Eu entendo porque também externava esse pensamento no passado.
Ele e eu, como professores, sabemos que todo mundo pode se expressar através do desenho, porém o tal do dom facilita muito o percurso deste caminhar.
Eu e ele não pensamos como o Picasso, que disse que: Ou é fácil, ou é impossível.
Entendo também o que o artista quis dizer, mas vale apenas para as pessoas que escolhem ser artistas por profissão.
Existem estes.
Ou é fácil, ou é impossível.
Porém para a maioria das pessoas que não tem essa coisa que vive dentro e não sabemos direito de onde vem, há a possibilidade da expressão super divertida.
O maior problema dessas pessoas é que elas tomam como referência o tal Desenhar Bem, que na maioria das vezes tem a ver com o desenhar as coisas iguaizinhas como elas as vêm.
Numa época de inteligência artificial e até um pouco antes dela, as obras hiper-realistas são produzidas, mas ao meu ver cansam, dado o fato que muitas pessoas conseguem reproduzir perfeitamente aquilo que a máquina fotográfica já faz com a tal perfeição.
A mim me encanta mais a fala e as realizações do Paul Klee:
Eu não represento o visível, eu torno visível.
É o próprio ato da criação de uma imagem que nunca ninguém viu, ou jamais sonhou.
Isto é encantador.
E é assim também nas outras linguagens artísticas como a música, o teatro e a dança.
Nada a gente cria do nada.
É claro que mesmo os artistas do âmago têm as suas referências coletadas ao longo da vida.
A arte possibilita que quando o aparelho não funciona porque está descarregado, a gente encontre outras formas de vencer as angústias, ou simplesmente expô-las para que seja expiadas.
Vamos dar uma espiadela nisso tudo?
Comentários
Postar um comentário