Já no vestiário

Já no vestiário
vi que não havia trazido os meus fones.
Faço essa observação por causa da primeira impressão que me passou o esquecimento.
Não tenho tanta coisa para escrever sobre os acontecimentos de hoje.
Dia de Planos para Projetos escolares que acontecerão no decorrer do ano.
Acho graça na nossa empolgação com os temas e possibilidades quase infinitas de propostas.
Acho graça por ter a certeza que a equação se resume a:
A nossa empolgação dividida pela quantidade de empolgação de jovens entre onze e quatorze anos.
Rio porque a maioria está pensando em cumprimentar os amigos e se possível fazer novas amizades e quiçá um namorico aqui e outro acolá.
Realidade de quem é rico e ri à toa, como eu.
Porém, ainda no vestiário recebo uma mensagem de uma ex aluna do Colégio que hoje tem dois filhos gêmeos.
Entraram no ano passado para estudar com a gente.
E este é o primeiro ano que eles têm aulas comigo, já que faz um tempinho que a mãe deles tinha quinze anos e estava no primeiro ano do Ensino médio.
Na época o ciclo era conhecido como Colegial.
O primeiro filho, que conheci na saída do colégio no ano passado, agora me mandou uma mensagem de áudio louvando o fato e confirmando que vai ter aula de Arte com esse que vos escreve.
Aí a mãe entrou na conversa lembrando dos velhos tempos, porém de velho só restou eu mesmo.
Rio porque sou experiente em bem viver.
A experiência é a alma do negócio e o meu Mestre Coordenador sempre fala que devemos escrever nos papéis aquilo que é a Realidade e não inventar coisas que sabemos que não iremos realizar.
Ele tem experiência e ela coincide com a minha.
Na Real é uma gíria que faz todo sentido.
É muito importante tornarmos reais as nossas ideias e de preferência, que tenhamos o apoio de outras várias pessoas.
Este é um trabalho coletivo.
Como primeira atividade de Arte vamos, eu e a Meri, propor uma papietagem de uma caixa.
A inspiração veio de uma pequena introdução da professora Fernanda, responsável pela área de sustentabilidade do Colégio.
A professora Lorena lembrou que o espaço no lixo de cada sala é muito pequeno para papéis e esse é o descarte mais comum em cada sala de aula.
No mesmo instante coloquei a ideia da papietagem feita por mim e pelos alunos da sala, começando com a colagem dos primeiros papéis que eles iriam colocar no lixo.
Claro que levarei outros papéis já descartados para ajudar na quantidade de elementos.
Para quem ainda não sabe Papietagem é o ato de cobrir um objeto tridimensional com colagem de pequenos e médios pedaços de papel.
Que é diferente do papel Marchê que é uma massa de papéis triturados e misturados com cola branca.
Técnica a serviço de não precisarmos comprar mais cestos maiores de lixo de plástico.
Todos nós professores sabemos que a maturidade da criançada demora um pouco mais para acontecer, mas a gente com razão, insiste em propor a ela, atividades que agucem as dúvidas e façam com que ela se questione e experencie algo que não faria sozinha em sua casa.
Repare que usei o pronome ela para me referir à criançada.
Terapia pelo trabalho, pelo por as mãos na massa, arregaçar as mangas e fazer das tripas um coração.
O coração como agente de afeto e ocupação é essencial.
Estamos aptos a iniciar um novo ano com o desafio incansável de tornar a vida de todos mais acessível e iluminada por alguma alegria.
Há dois anos ganhei um copo no dia dos professores.
A mãe da aluna querida teve o cuidado de mandar imprimir num dos lados a frase:
Professor é aquele que ensina.
E do outro lado do copo:
Os Mestres são os que inspiram.
Ambos são importantes quando somam esses dois elementos numa equação de Felicidade.
Que assim seja.
Assim será, já que minha neta de nove anos, ao ouvir a frase: Eu queria ser feliz, na letra da Música Cais, interpretada pelo Milton, disse em alto e bom som:
Pois então seja


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todos

Vídeo Game

Serviços