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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Enormes

São Paulo continua sendo a terra da garoa. No meio de tantos prédios, comércios gigantes, eu vou à uma lojinha de sapateiro. O pai do moço era sapateiro. Quando entrei já encostando no balcão vi que havia um funcionário mais velho trabalhando para o moço. Ou seja, Sapataria não é mais uma coisa moderna. O moço agora só recebe o serviço e fica plantado no caixa. O modernismo sempre me atiçou a mente e as minhas ações. De tal forma que tenho apreço pelas coisas Contemporâneas, mas tenho predileção pela palavra: Moderna. Não significa que eu fique elogiando as coisas do passado como sendo sempre as melhores, pelo contrário, tenho para mim a certeza que sou agraciado pelas coisas deste tempo no qual estou inserido. O tal Agora. Consigo e acho bonito fazer análise sobre tudo de novo que se apresenta diante de mim e pelas coisas novas que alguém me apresenta. Essa história de: No meu tempo, só me vale como experiência. E essa experiência participa da análise das coisas que se apresentam agor...

Inquieto

Uma lembrança boa foi o instante em que na minha adolescência meu pai fez a observação: Betu, você é distraído. Hoje acho que essa síndrome teria outro nome, mas de toda forma eu estava no mundo da lua. Um mundo onde os artistas de maneira geral estão alocados, já que precisam de certa distância para encarar os detalhes e arrancar deles uma certa, ou incerta elegância. O que é interessante, já que hoje e cada vez mais, me sinto como um E.T., tamanha a diferença de atitudes e incompreensões ante aos acontecimentos cotidianos. Mundanos. Ontem vi nas redes antissociais um comentário pertinente: A Internet não perdoa. Todos referentes ao senhor Zezé de Camargo. Ele se posicionou contrário a atitude das filhas do Silvio Santos de convidar o presidente para a festa de inauguração de um novo canal de notícias do SBT. O músico, na sua recusa para participar da festa, afirmou que o senhor Abravanel jamais faria o que as meninas fizeram. A partir daí foi uma enxurrada de vídeos mostrando o quant...

Relevância

Até aqui o mesmo de sempre. Toda semana tem pelo menos uma lojinha sendo reformada. Reformada é um termo leve, já que as lojinhas são totalmente refeitas, virando outra coisa comercial. Sempre o que me passa pela cabeça é o questionamento: Será que o proprietário faz uma pesquisa de mercado antes de abrir o comércio? Embaixo de casa, há algum tempo, foi aberto um café. Dois cliente por dia foi a maior quantidade de clientes que presenciei dentro da loja. O que mais existe no bairro são cafés. Graças a Deus e ao menino, hoje é uma loja-ateliê de um fantástico artesão. E vai durar muito, já que ele faz ítens por encomenda e vende artefatos de primeira qualidade executados por ele com maestria. Sabiamente ele está criando sua carteira de clientes de bom gosto. Aprendeu o ofício com seu Tio na Itália. Volto com certa tristeza ao relato das reformas, ou da total destruição de lojas, para a construção de outras, que já nascem com a expectativa do fechamento. Triste como o fato de eu ter esqu...

Cartões

Daqui eu ouço: Bip Bip. Não é o Papa léguas do desenho animado, mas sim as motocas dos entregadores. Rio porque escrever motoca é o auge da minha breguice anciã. O que de alguma forma é irritante, já que além da atenção redobrada para atravessar qualquer rua, eu tenho que ouvir centenas de vezes: Bip Bip. Coisas da cidade. Eu adorava quando o coiote caía no abismo, mas só quando subia a fumacinha. A fumacinha era demais. Outra coisa da qual gostava era a transformação do MoonRá nos Thundercats. E o narrador falando: Transforme essa forma decadente em MoonRá! E o ciclone se formava até a apoteose. No meu discurso para 2026 incluí uma transformação, porém não acho de forma alguma a minha forma decadente. Até que estou me achando bonitinho. Este bigode e este cavanhaque é só mais um recurso para criar novas histórias. Rio porque quando alguém me encontra já sabe: Senta que lá vem história. Deve ser coisa de professor professador. Hoje eu tirei a manhã para pequenos consertos. Colei a port...

Pesos e medidas

Ontem cheguei em casa correndo porque à minha espera estava uma pequena pedra de seixo sobre a mesa. Durante muito tempo ela ficou escorando a porta de uma sala de diretoria. O desenho feito sobre ela estava desbotado, mas ao tentar tirá-lo com solventes fortes ele resistiu. Sobre a mesa decidi que iria desenhar sobre o desenho anterior e não só reforçar os traços. Assim o fiz e gostei do resultado. Acabei de retornar a pedra no seu lugar de origem e ela já está escorando a porta de vidro da diretoria. Bem cedinho fui tomar o meu sagrado café com leite e comer meu pão com manteiga na padaria. Tanta gente fala nas redes antissociais sobre a importância das coisas simples e esta é uma das minhas coisas simples e gostosas. Ao escrever esse adjetivo levei a minha percepção ao gosto, ao gostar, é Gostoso. E parece ser mais gostoso na padaria do que em casa, se sozinho. Gostar é uma satisfação, um estado que me leva sempre a outras coisas boas. Aquela história de uma coisa puxar a outra. Voc...

Umidade

Quando vou à academia bem cedo preciso tomar um café com leite e comer um pão. O café é mais para levar os remédios para dentro do corpo que será condicionado pelos exercícios. Lembrei da frase: Se não houver remédio, remediado está. Lembrei de outra frase, esta da revista Seleções: Rir é o melhor remédio. Esta segunda é a coisa mais realista que conheço e a primeira fala sobre a minha preocupação antecipada com os acontecimentos. Faz um ano mais ou menos que ouvi num vídeo no Instagram algo simples e esclarecedor. Normalmente quando nos ocupamos de algo que ainda não aconteceu, nosso cérebro é acometido por pensamentos desastrosos. Quase nunca somos levados a pensar que tudo dará certo e teremos momentos de mais tranquidade. A reportagem tratava dos ansiosos, é claro. Tenho melhorado muito com a idade do R.G. baixo. Outro dia a moça da farmácia perguntou meu R.G. e eu falei cada um dos sete algarismos. Ela ficou parada, esperando o resto do número. Rio porque é este o melhor remédio. ...

Cavanhaque e bigode

Caminhando pela calçada botei reparo que havia esquecido meu relógio digital em casa. O esquecimento ficou mais evidente quando notei que ele já fez uma marca mais clara na minha pele do braço. Coincidentemente fui à dermato nesta semana. Ela não percebeu nenhum problema e apenas receitou um protetor solar e um sabonete líquido para o rosto. Tenho a pele bastante oleosa. Sigo à risca as prescrições médicas. Fui advertido que estou escrevendo muito sobre mim mesmo. Em parte é uma afirmação verdadeira, mas também é verdade que meus textos falam sempre de mim mesmo. Sei que a advertência privilegia à condição de escrever sobre acontecimentos dos outros que interferem na minha existência. Realmente tenho manifestado mais aquele egoísmo sobre o qual já escrevi algumas vezes, afinal tudo o que faço me deixa bastante feliz e aquilo que é arremessado sobre mim, procuro levar mais de boinha. Quando observei a mancha mais clara no meu pulso em relação ao resto do braço, o protetor solar que foi ...

Mágica

A afinidade é um afinar delicado e ao mesmo tempo resistente. As cordas esticadas do violão e a afinação em Mi. Mi, Lá, Ré, Sol, Si, Mi no violão. Na minha caminhada é afinação afirmada pelos sentimentos e pelas emoções. Porque sim é a melhor explicação para essa trajetória inexplicável. Porém esse porque sim é recheado de coisas que se entrelaçam pelo gosto. E em mim o gosto é Arte, são linguagens que se alternam e se misturam em gestos, palavras, desenhos, cores das pinturas, sons e mais sons. Reafirmo que a afinação é a afirmação do gosto. Identidades que aparentemente nada têm a ver e de repente vêm no encalço dos afinados. Pode nem haver refino, ou ser nada refinado, basta ser um porque sim afirmado. Tanto que é preciso dizer sim e quando for não, logo depois ele se traveste de sim, sim e sim. Acabei de encontrar uma mãe, ex aluna e filha de um grande amigo já falecido, que ao me ver me contou que seu filho de sete anos escreve histórias em papéis bem pequenos. Ela gostaria de sab...