Cartões

Daqui eu ouço: Bip Bip.
Não é o Papa léguas do desenho animado, mas sim as motocas dos entregadores.
Rio porque escrever motoca é o auge da minha breguice anciã.
O que de alguma forma é irritante, já que além da atenção redobrada para atravessar qualquer rua, eu tenho que ouvir centenas de vezes: Bip Bip.
Coisas da cidade.
Eu adorava quando o coiote caía no abismo, mas só quando subia a fumacinha.
A fumacinha era demais.
Outra coisa da qual gostava era a transformação do MoonRá nos Thundercats.
E o narrador falando: Transforme essa forma decadente em MoonRá!
E o ciclone se formava até a apoteose.
No meu discurso para 2026 incluí uma transformação, porém não acho de forma alguma a minha forma decadente.
Até que estou me achando bonitinho.
Este bigode e este cavanhaque é só mais um recurso para criar novas histórias.
Rio porque quando alguém me encontra já sabe:
Senta que lá vem história.
Deve ser coisa de professor professador.
Hoje eu tirei a manhã para pequenos consertos.
Colei a porta do armário do banheiro, retirei o reator de uma das luminárias da área de serviço e o repús na luminária que estava piscando e coloquei um novo gancho no painel de luz.
Gosto destas pequenas atividades para desanuviar a mente e selecionar as ferramentas, colas e parafusos da caixa de serviço.
Dona Anna, minha mãe, repetia uma frase do Nono: Quem guarda tem.
Eu não guardo tanta coisa como a dona Anna, mas guardo miudezas e essas sempre me são úteis em momentos decisivos.
O gancho por exemplo era o único no meio de vários parafusos guardados no pote de requeijão com tampa laranja.
O com tampa azul é usado para guardar parafusos e buchas maiores.
Minha irmã advogada não acreditou que eu era, ou sou, tão organizado. Percebeu quando precisou procurar um documento no meu armário.
Sempre fui organizado, mas esta tarefa sempre foi facilitada porque nunca tive muita coisa.
Penso que é isso.
Hoje estou inundado por calças e camisetas, estas que eu vou ganhando quando não servem mais nos outros e até algumas que ganho de presente mesmo.
Além do meu Classic 2013 e duas caixas de papelão, esta é a minha herança.
Sou agraciado por tudo isso e ainda agraciado pela presença de pessoas muito importantes que me cuidam e que abrem espaço para que eu as cuide.
Achamos estranho nas séries de TV quando as pessoas dizem afirmando:
Tome cuidado!
Como assim?
A pessoa é detetive, ou policial, saca de sua arma setenta e nove vezes. Como terá cuidado, se é exposta cotidianamente ao perigo?
E uma pergunta recorrente:
Você está bem?
Como assim?
A pessoa leva inúmeros socos no estômago, no baço e no fígado, como ela pode estar bem?
Rio porque sempre eu falo:
É filme!
Agora eu ri muito, afinal na nossa vida real isso acontece muito.
Depois de uma certa idade eu aceito quando me oferecem alguma guloseima.
Antigamente eu era muito educado:
Não, muito obrigado.
Por que eu falei sobre isso?
Porque é a mesma relação com o tome cuidado e o você está bem.
A pessoa está oferecendo algo que ela tem e é importante que eu aceite, sem tomar nenhum cuidado e estando muito bem com tudo isso


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