Pesos e medidas

Ontem cheguei em casa correndo porque à minha espera estava uma pequena pedra de seixo sobre a mesa.
Durante muito tempo ela ficou escorando a porta de uma sala de diretoria.
O desenho feito sobre ela estava desbotado, mas ao tentar tirá-lo com solventes fortes ele resistiu.
Sobre a mesa decidi que iria desenhar sobre o desenho anterior e não só reforçar os traços.
Assim o fiz e gostei do resultado.
Acabei de retornar a pedra no seu lugar de origem e ela já está escorando a porta de vidro da diretoria.
Bem cedinho fui tomar o meu sagrado café com leite e comer meu pão com manteiga na padaria.
Tanta gente fala nas redes antissociais sobre a importância das coisas simples e esta é uma das minhas coisas simples e gostosas.
Ao escrever esse adjetivo levei a minha percepção ao gosto, ao gostar, é Gostoso.
E parece ser mais gostoso na padaria do que em casa, se sozinho.
Gostar é uma satisfação, um estado que me leva sempre a outras coisas boas.
Aquela história de uma coisa puxar a outra.
Você vai pensar no meu otimismo constante, mas fui abençoado justamente por isso, uma coisa levar a outra a partir de uma satisfação, um desejo que as pessoas ao meu redor sintam-se amparadas, mais felizes.
E digo isso porque quando reajo assim a minha satisfação é gigante.
Novamente estou escrevendo sobre mim e pude constatar que assim é porque conta do dia inesquecível que descobri que os artistas são compulsivos.
A minha vida é, nas relações humanas, sempre estar conectado com a condição artística.
E esta, é a sensibilização, a percepção e a expressão.
Tanto que meus atos intempestivos vêm apenas da expressão.
Vêm da italianice que só sente e expressa grosseria.
Estes momentos são por mim isentos de percepção, de racionalização, de encadeamento de experiências anteriores benditas.
E assim, tenho evitado esse tipo de reação e me concentrado nas coisas gostosas, como estar na frente de um papel que protegia a bandeja da xícara, dobrá-lo em quadrado e confeccionar uma caixinha para micro presentes de Natal.
Na mesma hora que dobrava eu pensava no moço do caixa da padaria que depois de um acidente atende na cadeira de rodas.
Eu o conheço desde antes do acidente e ele era segurança no empreendimento.
Ao deixar a mesa para pagar a conta o único caixa era ele.
A providência é sempre gostosa, assim como o aperto de mãos, com as quatro mãos entrelaçadas.
Meu cavanhaque segue sendo cultivado e ficando a cada dia mais espetacular.
Um espetáculo.
Um espetáculo que se revela no Coletivo, já que sozinho eu não sou nem um grão de areia, embora ache mais bonita a metáfora do grão de mostarda


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