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Arroz

Outro dia, depois de muito tempo fiz meu arroz soltinho. Tanto tempo que esqueci de um detalhe. Fritei o arroz maravilhosamente no azeite e pus a água para ferver. Coloquei a água, mas esqueci que precisava deixar um pouquinho mais no fogo alto para depois abaixar o fogo. No fim das contas o arroz ficou ótimo. Penso que os detalhes não devem ser esquecidos mesmo que o tempo passe voando. Acabo de passar pelo rápido diálogo entre mãe e filha: A mãe disse que não precisava de aparelho auditivo, mas a filha afirmou que ela estava precisando. A passagem foi rapidíssima. O tempo suficiente para que eu ficasse imaginando o conflito de gerações. A filha acha que a mãe não entende o que ela fala. Eu respeito demais as diferenças entre a geração que por hora vai deixando esta história e a outra que está repensando, ou se adaptando aos novos tempos. O mais legal é que ambas ainda estão convivendo, vivendo juntas. Depois deste encontro, notei num pedaço da calçada várias bitucas de cigarros. Acho...

Penta

Achei sensacional a campanha publicitária da cervejaria que daria cerveja pra todo mundo se o Brasil fosse Hexa. Desde sempre ela sabia que o nosso futebol está muito aquém daquele do passado. O dono da ideia foi sensacional. Também fiquei inquieto e depois ri muito, pensando nos dois narradores esportivos que disseram que estavam felizes porque a nossa seleção estava desacreditada e foi dessa forma que a seleção sempre cresceu e foi campeã. Parou nas oitavas. Desta vez, pensei como o autor da ideia da campanha publicitária. Outra história mágica é essa que diz que o Ancelotti é um treinador multicampeão e ia colocar a nossa seleção nos eixos. Começou mal, não por ter perdido a copa, mas por fazer a vontade dos outros, levando um jogador sem condições físicas para compor o elenco, mas que é aplaudido pelo seu passado de menino e suas atitudes sempre orquestradas pelo pai. Levou também um jogador que nunca mais havia sido relacionado, mas havia jogado com ele em clube. Torço muito pelas...

Exame preparatório

Descendo a rua até a casa do meu filho com o meu ultra móvel, Classic 2013, vi uma viatura do Samu parada na frente de uma casa. O homem estava tirando a maca do veículo e a moça estava com a mala de serviço médico já entrando na casa. O uniforme me chamou a atenção. Os dois servidores estavam impecáveis. Quase da mesma forma que me chamou à atenção o uniforme das seguranças de uma unidade empresarial em votorantim. No ambiente havia seguranças mulheres e homens. Vestuários dignos de filmes de Hollywood. Olivódi é o nome de uma criança que deu entrada com a mãe no P.A. do Parque das laranjeiras em Sorocaba. Sim, Olivódi. Depois de muitas tentativas de escrever o nome da criança, a senhorinha que listava os nomes numa planilha já ia desisitir quando a mãe da criança tirou um maço de cigarros do bolso e mostrou como se escrevia o nome da criança: Hollywood. Você deve imaginar a mãe chamando o filho de Olivódi desde sempre, mas constando no registro, Hollywood. Sensacional. Assim a humani...

Correria e assistência

As lojas físicas estão fechando. Não compensa mais pagar os aluguéis, por exemplo. Enquanto isso a gente segue comprando online, muitas vezes sem moderação. O famoso e-comerce. As máquinas e os algoritmos doutrinando e aprendendo com nossos gostos. Eu que gosto de variedade fico pensando como é exaustivo receber na cara centenas de ofertas de determinada loja onde fiz uma única compra. Porém, ainda consigo despistar, pular logo para uma outra história e seguir em frente. Ontem o time de futebol do Brasil foi eliminado tendo um técnico italiano no comando. A Itália faz três copas que não participa do torneio. É claro que o Ancelotti é um técnico vencedor treinando clubes. Quando o nosso Abel Ferreira foi sondado para ser técnico da nossa seleção eu disse: Ele não vai de jeito nenhum, afinal ele ama trabalho e trabalho é coisa que não existe na nossa seleção. O jogo de ontem contra a Noruega me mostrou algo que eu nunca havia visto. O time da Noruega andando em campo, trocando passes de ...

A tartaruga lebre

Andar é um exercício de observação. Recebi um vídeo documentário sobre um artista brasileiro, de Piracicaba, cuja vida e contribuição eu desconhecia. Mais do que isso. Tenho certeza que muitas pessoas também desconhecem, sendo que artistas de mais mídia elas também desconhecem. O artista em questão é Miguelzinho. Hoje estudado em mestrados e doutorados. Seu corpo foi enterrado na igreja que ele projetou e construiu. Fez muitas imagens em aquarela, retratando pessoas e paisagens dos lugares que morou, ou visitou. Um Brasil genuíno. Mais do que isso. Músico e compositor. Com o advento da atual tecnologia globalizante temos a chance de conhecer muita gente importante que até agora eram desconhecidas, ou esquecidas. Estou falando de artistas, mas não só. Todos os dias que abro o Instagram, ou o YouTube, vejo uma infinidade de novidades de tempos passados, mas que têm uma contemporaneidade impressionante. Pessoas que contribuiram com nossa vida que vivemos hoje. Nos anos 70, na rua Rio de j...

Escrever brincante

Faz um tempo. Pequeno espaço sem o pedal que me ajuda a  acelerar o movimento das pernas. Eu tenho uma letra musicada que diz: Hoje eu posso ser um rio servil, um pedal de bicicleta. Escrevi faz tempo. Sempre fiquei a pensar na dificuldade de interpretar esta frase. Eu queria me expressar pela letra, que eu podia e continuo podendo, fazer aquilo que o meu coração e a minha razão pedir que eu faça. Neste trecho eu digo que a minha vida é como um rio que me serve água e movimento, assim como o pedal de bicicleta que impulsiona a roda. Assim eu sigo, sendo que naquele momento nem estava imaginando que faria uma hora diária de bicicleta na academia. O exercício de viver é magno, magnífico. Exercito a cada instante o poder do diálogo já que muitas vezes me via num monólogo. Ainda exagero nas palavras e nos gestos, mas o que acontece, acontece demasiado comigo. Eu tenho uma ex aluna que trabalha com administração e escreveu dois livros. Um a partir da experiência das férias dos filhos qu...

Escrever brincante

Faz um tempo. Pequeno espaço sem o pedal que me ajuda a  acelerar o movimento das pernas. Eu tenho uma letra musicada que diz: Hoje eu posso ser um rio servil, um pedal de bicicleta. Escrevi faz tempo. Sempre fiquei a pensar na dificuldade de interpretar esta frase. Eu queria me expressar pela letra, que eu podia e continuo podendo, fazer aquilo que o meu coração e a minha razão pedir que eu faça. Neste trecho eu digo que a minha vida é como um rio que me serve água e movimento, assim como o pedal de bicicleta que impulsiona a roda. Assim eu sigo, sendo que naquele momento nem estava imaginando que faria uma hora diária de bicicleta na academia. O exercício de viver é magno, magnífico. Exercito a cada instante o poder do diálogo já que muitas vezes me via num monólogo. Ainda exagero nas palavras e nos gestos, mas o que acontece, acontece demasiado comigo. Eu tenho uma ex aluna que trabalha com administração e escreveu dois livros. Um a partir da experiência das férias dos filhos qu...