A tartaruga lebre
Andar é um exercício de observação.
Recebi um vídeo documentário sobre um artista brasileiro, de Piracicaba, cuja vida e contribuição eu desconhecia.
Mais do que isso.
Tenho certeza que muitas pessoas também desconhecem, sendo que artistas de mais mídia elas também desconhecem.
O artista em questão é Miguelzinho.
Hoje estudado em mestrados e doutorados.
Seu corpo foi enterrado na igreja que ele projetou e construiu.
Fez muitas imagens em aquarela, retratando pessoas e paisagens dos lugares que morou, ou visitou.
Um Brasil genuíno.
Mais do que isso.
Músico e compositor.
Com o advento da atual tecnologia globalizante temos a chance de conhecer muita gente importante que até agora eram desconhecidas, ou esquecidas.
Estou falando de artistas, mas não só.
Todos os dias que abro o Instagram, ou o YouTube, vejo uma infinidade de novidades de tempos passados, mas que têm uma contemporaneidade impressionante.
Pessoas que contribuiram com nossa vida que vivemos hoje.
Nos anos 70, na rua Rio de janeiro, nos reunimos com refrigerante e pipoca na casa do Rogério e do Rubinho para assisitirmos o Som Pop, num sábado, que transmitiu o show do Pink Floyd no Coliseu.
O que quero apresentar é que o filme já era velho quando chegou no Brasil.
Conseguíamos ver na tela da TV os rabiscos no filme original.
Hoje tudo está num clique.
Recebi do filho e do irmão o filme do Yes tocando Them.
Uma das primeiras canções da banda.
Com qualidade remasterizada.
Hoje se a gente quer pegar um filme novíssimo que acabamos de fazer com o celular, a gente pode colocar um efeito de filme antigo.
Que geração maravilhosa a que estou vivendo.
Uma confusão interessante,contraditória e bonita.
No documentário sobre o Miguelzinho o narrador à certa altura fala sobre as contradições humanas.
Assim como disse o Glauber Rocha:
Jamais peça a um artista que não seja contraditório.
A razão de tudo isso é a eterna necessidade de aprender sempre e sempre.
Isso faz com que as informações múltiplas vão se interagindo e se mesclando, o que torna impossível ter uma opinião imutável diante de tantas possibilidades.
Quando disse esta semana que Jesus teve apenas uma mensagem, qual seja, amar os outros como a nós mesmos e de forma incondicional, me parece que foi e é a confirmação do conceito que expús acima.
Sobre esse apelo de Jesus não paira dúvida, sobre todo o resto só o que há são dúvidas.
E estas a gente vai sanando e logo depois revendo e assim por diante.
O viver revendo conceitos torna imutável a existência do bem e do mal.
Em cada Cultura as pessoas sabem identificar em si o que melhora a vida do outro e o que a destrói.
Miguelzinho produziu muitas aquarelas pintadas com tintas produzidas por ele, afinal morava no interior e não tinha acesso às tintas importadas pela Corte.
As cores resistem até hoje e a receita infelizmente levou com ele.
Excetuando as imagens executadas por ele no Documentário, tenho quase certeza que as outras imagens que o retratam em suas atividades de artista foram produzidas por I.A..
O que não desmerece em nada o documentário, pelo contrário.
Elabora a questão da relação passado e futuro que me enriquece.
Ontem ouvi novamente a fala do Clint Eastwood sobre o envelhecimento e suas visicitudes.
Normal.
Ele está com 96 anos, aposentado e vivendo de forma bem simples numa casinha, ou num trailer.
Fala da dureza do corpo e da dificuldade de locomoção, mas ainda está em pé.
Firmeza e realidade.
Eu sou grato por tudo isso e pela possibilidade de ver e rever o conceito do envelhecimento, comemorando com a criançada do Fundamental e do Médio, em dois intervalos no colégio, cantando e dançando a musiquinha do meme six seven.
O senhor Casemiro comemorando o gol de empate com o Japão fez a dancinha e o gesto six seven.
Um dos significados atribuídos ao meme é que six e seven são números que estão entre o cinco, razoável e o dez, ótimo.
Ou seja, six seven é mais ou menos.
Não gosto disso e me empenho em ser um eight.
Rio porque esta é a vida que pedi a Deus e Ele vem me oferecendo, de providência em providência.
O Artista das aquarelas retratou seus lugares.
Daqui eu retrato as coisas que andam me observando e eu a elas, ansiosamente, sendo que também isso é passível de mutação
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