Pular para o conteúdo principal

Arroz

Outro dia, depois de muito tempo fiz meu arroz soltinho.
Tanto tempo que esqueci de um detalhe.
Fritei o arroz maravilhosamente no azeite e pus a água para ferver.
Coloquei a água, mas esqueci que precisava deixar um pouquinho mais no fogo alto para depois abaixar o fogo.
No fim das contas o arroz ficou ótimo.
Penso que os detalhes não devem ser esquecidos mesmo que o tempo passe voando.
Acabo de passar pelo rápido diálogo entre mãe e filha:
A mãe disse que não precisava de aparelho auditivo, mas a filha afirmou que ela estava precisando.
A passagem foi rapidíssima.
O tempo suficiente para que eu ficasse imaginando o conflito de gerações.
A filha acha que a mãe não entende o que ela fala.
Eu respeito demais as diferenças entre a geração que por hora vai deixando esta história e a outra que está repensando, ou se adaptando aos novos tempos.
O mais legal é que ambas ainda estão convivendo, vivendo juntas.
Depois deste encontro, notei num pedaço da calçada várias bitucas de cigarros.
Acho estranho que as fotos horripilantes dos estragos que o cigarro provoca, não choquem os usuários da droga.
Assim é por conta do fumar ser um vício difícil de se desvencilhar.
Nunca fumei e penso que se fumasse já teria deixado este mundo onde os conflitos são evidentes e são prova da existência humana.
Conflitos são necessários para o aprendizado de todo mundo, mesmo que seja a causa de muita dor e sofrimento.
Não me esqueço do comentário da condômina que respondeu ao questionamento de outra que implicava com o barulho que o catador de entulho do lixo fazia de madrugada.
Ela respondeu:
Quem não quer barulho que vá morar no sítio.
Conflito.
Aqui no texto não importa quem tem razão.
O que importa sempre é a provocação, afinal os artistas vivem de provocações.
Eu escrevo isso, mas sou um mero provocador alienado.
Sempre querendo por panos quentes para aliviar as dores, porém não uso mais a frase: Vai ficar tudo bem.
Afinal, nem esta certeza eu tenho mais e nem seria possível.
Uma coisa que não temos é o controle total de quase tudo.
Talvez possamos controlar algum processo criativo para a realização de uma obra, porém nem isso é garantido.
Desta forma vou vivendo as experimentações cotidianas a partir de experiências aprendidas e apreendidas.
Hoje farei mais uma panela de arroz e não esquecerei de nenhum detalhe.
O detalhe está e não está nas receitas 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Certo, o incerto

Indonésio

Vídeo Game