Avante
Caímos na real. Não. Nos levantamos e caminhamos na real. A tal Realidade que é tantas vezes questionada, mas que enquanto vivemos, passeamos por ela com seus enroscos, barrancos, lombadas e tantos outros impecílios aos quais somos submetidos. Escrevo assim logo após ter saído de casa e ser exposto aos sons ruidosos e às luzes faiscantes dos carros que vinham na direção contrária à minha. Já é noite e eu caminho ligeiro. Ao passar pelo ponto de ônibus eu vejo muitas pessoas aglomeradas à espera de condução. Distâncias longas, ou mais curtas, porém todas elas vão demandar tempo para chegar aos seus destinos. O tempo é bonito de se ver. Não ver apenas no pulso, no visor da bike, no canto da TV, ou no relógio digital que está posto no paredão. Ver o tempo e suas estações, suas marcas, seus impulsos, sua métrica, sua inexistência pragmática. O tempo não existir no concreto é maravilhoso de se ver e de se imaginar. Nos filmes onde as pessoas são presas e vão riscando a parede para marcar a ...