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Avante

Caímos na real. Não. Nos levantamos e caminhamos na real. A tal Realidade que é tantas vezes questionada, mas que enquanto vivemos, passeamos por ela com seus enroscos, barrancos, lombadas e tantos outros impecílios aos quais somos submetidos. Escrevo assim logo após ter saído de casa e ser exposto aos sons ruidosos e às luzes faiscantes dos carros que vinham na direção contrária à minha. Já é noite e eu caminho ligeiro. Ao passar pelo ponto de ônibus eu vejo muitas pessoas aglomeradas à espera de condução. Distâncias longas, ou mais curtas, porém todas elas vão demandar tempo para chegar aos seus destinos. O tempo é bonito de se ver. Não ver apenas no pulso, no visor da bike, no canto da TV, ou no relógio digital que está posto no paredão. Ver o tempo e suas estações, suas marcas, seus impulsos, sua métrica, sua inexistência pragmática. O tempo não existir no concreto é maravilhoso de se ver e de se imaginar. Nos filmes onde as pessoas são presas e vão riscando a parede para marcar a ...

Juro

  Ah, juro pra você que não me sinto exagerado. No caminho que me trouxe para cá eu vinha pensando em mudar a minha forma de escrever. Ledo engano. Escrever é a prova cabal de que a nossa expressão é única, como a nossa digital. E a simples tentativa de deixá-la diferente da original já é algo impensável. Aprendi há tempos que antes do Pê e do Bê sempre usamos o Eme. E fazemos assim porque o Eme nos faz fechar os lábios pra falá-lo e o Pê e o Bê nascem dos nossos lábios fechados. Experiente falar empoderamento com Ene antes do Pê. Incrível né? Assim como não dá pra crer tentar mudar a forma como eu escrevo. E não só. A forma como faço quase todas as coisas na minha existência. Claro que sei que algumas vezes exagero, mas é no exagero que ganho forma e conteúdo. Eu nem acho que sou tanto assim, mas as afirmações contrárias existem e eu respeito. E é assim que tem dado tudo muito certo. Ontem ouvi o texto de uma outra pessoa que foi escrito como um discurso para o lançamento de um li...

Renascer

Estou assistindo uma série australiana que parece ir amalgamamdo as minhas últimas reflexões. Ainda falta a última temporada de seis capítulos e verei como eles vão costurar o final. A narrativa é sobre seis pessoas que renascem com os corpos que possuíam na hora da morte. Narrativa que nasce de uma pesquisa sobre células tronco e regeneração celular. Porém é claro que a ideia é fazer com que eu reflita sobre as várias circunstâncias nas quais essas pessoas são colocadas depois que renascem. Circunstâncias que são as de todos nós, mas a específica é que cada um vai tendo flashs de momória dos momentos que antecederam a passagem. Achei graça quando uma personagem brincou com o marido, depois de ter sua morte tida praticamente como certa pelo médico. Ela disse: Meu amor, eu me vi num túnel enorme e escuro, vendo passagens da minha vida e no fim eu vi a luz. Reitero que ela falou de forma jocosa. A primeira conclusão é que não há como ser feliz se não caminharmos pela natureza da nossa ex...

Andar

Saí de casa e hoje está bem mais frio do que ontem. Ficar assistindo série meio deitadão e depois levantar e sair pra rua, dá até vertigem. Rio porque o que gosto mais é de ficar andando mesmo. As séries de suspense e investigação são as que mais me encantam. Comecei ontem e terminei hoje uma cuja narrativa foi muito criativa. Desde o início um homem está no seu próprio julgamento, fazendo as considerações finais da própria defesa. Quatro capítulos com ele dando a versão dele, usando apenas as evidências apresentadas pela procuradoria. Muito boa a conclusão inconclusiva. Rio porque também poderia ter escrito super conclusivas. Acho que tem algo a ver com meus textos. Rio porque você me entende. Eis aí a qualidade da trama e a possibilidade de haver Amor nas pessoas, tanto a partir de uma criação recheada dele, ou na sua falta total. Na presença do Amor a chance de o absorvermos é maior, claro. É com essa prerrogativa que devemos nos oferecer em amor efetivo. Escrevo assim porque é o me...

Domingos

Hoje é domingo e a academia está fechada. Sou acadêmico há quarenta e dois anos, afinal sou professor. Conversava ontem com um jornalista que fez a peregrinação pelas fazendas dos barões do café, de São Paulo até o Rio de Janeiro. Ele mostrou na reportagem a trilha turística com suas paradas gastronômicas e os seus caminhos. Há uma fazenda que preservou a Pharmacia. É impressionante como o dinheiro concentrado nas mãos de poucos faz parecer que os grandes feitos e construções do tal progresso ganhem um Significado grandioso. Porém quantas desgraças são esquecidas. Apenas como um exemplo, essa Pharmacia existia para que os Escravos doentes fossem curados mais rapidamente para que continuassem com alguma saúde para enfrentarem os seus trabalhos Escravos. Hoje é um ponto turístico e eu nem vou visitar porque saio pouco de casa. Quero salientar essa discrepância entre o tal progresso e as Desgraças que ele produz no processo. A gente esquece e muita vezes nem se dá conta, inclusive porque ...

Divertido

Há muito tempo eu percebi na palavra Diversão, o prefixo Di, que significa dois. Portanto, na Diversão sempre há duas versões. Se realmente existirem duas versões eu prefiro a mais bem humorada. Sim, afinal o que é divertido pra mim pode não ser nada divertido para o outro. Rio porque existe a expressão: Uns gostam dos olhos, outros da ramela. Rio novamente só em pensar na cara de nojo de algumas pessoas ao ouvir a palavra RAMELA. A vida é assim diversa e a ramela é a expulsão de coisas nocivas aos olhos em forma de secreção. Imagina se todos gostassem das mesmas coisas. Não daria para darmos palpites nem pela frente, nem pelas costas, sobre o mal gosto do outro. Rio porque sou brega. Meu pai tinha alguns amigos japoneses e ele aprendeu a história do basebol e a gostar do esporte. Ele gostava muito e tentou me explicar as regras do jogo duas vezes. Duas Vezes e não foi nada divertido. Até hoje não sei como funciona. Quando algumas pessoas fazem desenhos ou pinturas abstratas a primeira...

Barulho

Que barulhão faz o helicóptero que sobrevoa o Itaim. Sempre nesse horário à tardinha. Deve ser um helicóptero de policiamento. Desde ontem os pedreiros fazem um trabalho de desconstrução de uma fachada de um prédio que fica no caminho que faço até a academia. Acabei de passar pela obra e observei que eles destruíram a escadaria e abriram um mega espaço onde antes ficavam salas pequenas. No térreo. De manhã eles abriram buracos e agora as coluninhas de apoio aos vidros estão fixadas. Tenho notado que as grades estão sendo substituídas por vidros nas entradas dos edifícios. A placa que anuncia o projeto de reforma me informa que o projeto é feito por um escritório de engenharia. Estou curioso pra saber qual estabelecimento se estabelecerá no salão gigante. As palavras interligadas vão surgindo na medida que o sol vai se pondo. Aqui na capital a gente só sabe por ouvir falar que essa é a hora do por do sol. A gente não consegue enxergar o horizonte. Mal consegue ver o céu, o sol, ou a lua...