Divertido

Há muito tempo eu percebi na palavra Diversão, o prefixo Di, que significa dois.
Portanto, na Diversão sempre há duas versões.
Se realmente existirem duas versões eu prefiro a mais bem humorada.
Sim, afinal o que é divertido pra mim pode não ser nada divertido para o outro.
Rio porque existe a expressão: Uns gostam dos olhos, outros da ramela.
Rio novamente só em pensar na cara de nojo de algumas pessoas ao ouvir a palavra RAMELA.
A vida é assim diversa e a ramela é a expulsão de coisas nocivas aos olhos em forma de secreção.
Imagina se todos gostassem das mesmas coisas.
Não daria para darmos palpites nem pela frente, nem pelas costas, sobre o mal gosto do outro.
Rio porque sou brega.
Meu pai tinha alguns amigos japoneses e ele aprendeu a história do basebol e a gostar do esporte.
Ele gostava muito e tentou me explicar as regras do jogo duas vezes.
Duas Vezes e não foi nada divertido.
Até hoje não sei como funciona.
Quando algumas pessoas fazem desenhos ou pinturas abstratas a primeira reação de muitos é perguntar: O que é isso?
É divertido, porque um menino de uns doze anos, quando uma senhora fez essa pergunta diante de um quadro no Masp, respondeu:
São linhas, formas, cores e texturas dispostos em harmonia.
Simples assim, para quem foi instruído desde cedo à fruição de uma obra.
A gente aprende naquilo que é divertido e muitas vezes naquilo que é penoso também.
Mas não digo penoso de dar pena, mas de necessidade mesmo.
Acaba sendo importante, já que exercitamos o aprendizado diante daquilo que a vida nos apresenta.
E ela nos apresenta cada coisa penosa e divertida que dá até gosto de ver.
Eu vejo que ficar nervoso diante da TV por causa de um jogo de futebol não tem razão e nem vale a pena, mas vai dizer isso para o cérebro.
Ou seria para o coração?
Haja coragem, sabendo que a Coragem é a Ação do Coração.
Ele parece estar condicionado ao sofrimento.
Rio porque ontem nem nervoso fiquei, já que o nosso futebol sul-americano está muito fraco, fraquíssimo.
Muitas faltas e faltas totalmente desnecessárias.
Falta Diversão e sobra Distorção e Despreparo.
Já o prefixo Des, significa falta.
Desacredito, me falta crer, acreditar.
Isso se aplica ao meu cansaço sobre alguns assuntos.
Não me animo mais com a desinteligência e a falta de senso.
Porém continuo me divertindo com as pessoas e suas contradições, tradições e condições.
É divertido divergir às vezes.
Provocar e vocalizar, atribuindo dúvidas às conversas.
Tudo é divertido quando não só a alma não é pequena, a paciência também não deve ser pequena.
Aí tudo terá valido a pena.
Outro dia colei uma pena de uma das galinhas d'angola na caixa de materiais.
São várias no Colégio.
Tô fraco é algo que aqui não cabe.
Sou forte de uma fortaleza meio mole, maleável, gelatinosa, até que eu enfrente as destemperanças que aparecem.
Tenho me sentido bem, já que tem sido assim que me atirei até esse momento.
Sempre uma diversão puxando a outra e sendo todas impulsionadas por alguém que não sou eu.
Teresa, Horácio, Alckimar, Vanessa, Kiko, Mari, Alexandre, entre alguns outros que me pegaram pela mão e me mostraram o caminho do estar empregado e exercer a profissão que amo.
Acho divertido nunca ter precisado procurar emprego nesses setenta anos.
Continuo a me divertir com pouco, sem a inspiração da Poliana.
Há que não perdermos a ternura.
O caminhar é divertido quando preciso escolher uma das passagens numa trifurcação na floresta.
Fechando um dos caminhos está um leão faminto, no outro um crocodilo gigante e no terceiro uma onça pintada.
É claro que é divertido escolher o caminho da onça, afinal ela está Pintada numa pedra e eu posso passar tranquilo.
Rio porque eu me divirto com bem pouco



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