Domingos
Hoje é domingo e a academia está fechada.
Sou acadêmico há quarenta e dois anos, afinal sou professor.
Conversava ontem com um jornalista que fez a peregrinação pelas fazendas dos barões do café, de São Paulo até o Rio de Janeiro.
Ele mostrou na reportagem a trilha turística com suas paradas gastronômicas e os seus caminhos.
Há uma fazenda que preservou a Pharmacia.
É impressionante como o dinheiro concentrado nas mãos de poucos faz parecer que os grandes feitos e construções do tal progresso ganhem um Significado grandioso.
Porém quantas desgraças são esquecidas.
Apenas como um exemplo, essa Pharmacia existia para que os Escravos doentes fossem curados mais rapidamente para que continuassem com alguma saúde para enfrentarem os seus trabalhos Escravos.
Hoje é um ponto turístico e eu nem vou visitar porque saio pouco de casa.
Quero salientar essa discrepância entre o tal progresso e as Desgraças que ele produz no processo.
A gente esquece e muita vezes nem se dá conta, inclusive porque nada disso nos foi ensinado.
Um dia, lá atrás, eu vi uma pequena reportagem que falava sobre os trabalhadores que trabalharam na construção da Rodovia Imigrantes e a quantidade de trabalhadores mortos na construção.
Quando eu subo, ou desço pela rodovia eu nem fico pensando nisso.
Claro que estou falando de acidentes que acontecem em situações de alto risco, como um trabalho na Serra do Mar e sua geografia.
Pessoas expostas por conta da necessidade de um trabalho que lhes proporcione alguma renda.
Como sabemos, nas construções dos estádios para a copa do mundo de futebol dos Emirados Árabes, os trabalhadores apareceram dos mais variados lugares para serem expostos a um calor de cinquenta graus.
Houve uma reportagem sobre o fato dos organizadores esconderem o número real de mortos no processo.
Na época, depois dos fatos expostos, os organizadores propuseram que os que estivessem insatisfeitos escrevessem um termo e eles seriam enviados de volta aos seus países de origem.
De novo ressalto que as pessoas se arriscavam para ter alguma forma de sustento e ainda alguma esperança de enviar algum dinheiro para as famílias.
Lembro da mesma esperança que os descendentes de japoneses tinham quando iam morar no Japão para trabalhar e juntar algum dinheiro para voltar ao Brasil.
Trabalhavam tanto e tinham que morar em situação precária para ainda assim juntarem bem pouco.
Outro exemplo é o pessoal de Governador Valadares que se arrisca ainda hoje para ser mandado para os E.U.A. para trabalhar na construção civil, tentando pular o muro do Trump.
São motivados pela tal luta pela sobrevivência, mas penso que é algo mais.
Além da sobrevivência, a ideia fabulosa de ganhar Muito dinheiro e se dar bem.
Sobre o Dar-se eu não tenho dúvida.
E as pessoas são impelidas a esses impulsos por uma quantidade bem pequena de pessoas que alcançaram algum sucesso numa dessas empreitadas.
Isso para quem idolatra a palavra sucesso.
O Ferreira Gular escreveu uma crônica que eu guardo até hoje falando sobre o Capitalismo ser o sistema vencedor, já que desde sempre as pessoas pensam e se iludem com a possibilidade de ter muito dinheiro e algum poder.
Enfatizo que isso acontesse desde sempre, ou desde que o mundo é mundo.
Eu continuo me sentindo extra terrestre nesta Terra.
Simplesmente simples buscando não ser simplista.
Pedalando
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