Renascer
Estou assistindo uma série australiana que parece ir amalgamamdo as minhas últimas reflexões.
Ainda falta a última temporada de seis capítulos e verei como eles vão costurar o final.
A narrativa é sobre seis pessoas que renascem com os corpos que possuíam na hora da morte.
Narrativa que nasce de uma pesquisa sobre células tronco e regeneração celular.
Porém é claro que a ideia é fazer com que eu reflita sobre as várias circunstâncias nas quais essas pessoas são colocadas depois que renascem.
Circunstâncias que são as de todos nós, mas a específica é que cada um vai tendo flashs de momória dos momentos que antecederam a passagem.
Achei graça quando uma personagem brincou com o marido, depois de ter sua morte tida praticamente como certa pelo médico.
Ela disse:
Meu amor, eu me vi num túnel enorme e escuro, vendo passagens da minha vida e no fim eu vi a luz.
Reitero que ela falou de forma jocosa.
A primeira conclusão é que não há como ser feliz se não caminharmos pela natureza da nossa existência e da nossa finitude.
O que está me encancatando é que nem os personagens, nem eu sabemos sobre o porquê disso tudo.
O porquê dessa experiência e da realização proposta por ela.
Nem a autora da pesquisa de doutorado tem ideia de como ela também é vítima desse processo, sendo que tudo começou, segundo ela mesma, por ter uma conexão com um sujeito que morreu há noventa anos, com uns quarenta anos de idade.
Os outros renascidos foram colaterais, mas ela não faz ideia do porquê eles foram de alguma forma escolhidos.
Como sou deveras curioso, vou me ater a cada detalhe dessa última temporada.
Repito que as reflexões sobre o que é viver nesse mundo são várias, mas uma delas passa sobre o poder da indústria farmacêutica.
Uma médica, uma menina que ia pra faculdade, a esposa do policial responsável pelo caso, um empreendedor do início do século
Vinte, um moço que lutou na primeira guerra e o tal homem de quarenta anos que pensava ter sido um assassino, mas na realidade foi um herói.
A palavra Realidade tem um propósito.
A palavra Propósito tem sido usada inúmeras vezes na trama.
Veja a diversidade de seres humanos anexados às vidas do menino e sua família aborígene, seu padrasto, a moça amiga que agora tem um filho e uma imobiliária, a atual esposa do policial, a família aristocrata do ex prefeito empreendedor, o atual amigo mais velho do garoto guerreiro que é colecionador de artefatos da primeira guerra e assim por diante.
Gonzaguinha disse sobre a vida que é bonita, é bonita e é bonita.
Ela é, mas pode nos fazer falta aquela parte que cabe a nós mesmos para a reconhecermos assim.
No caminhar por esses estados todos vou enfrentando a vida na base da observação e de tentativas e erros, sem precisar ser substituído por órgãos regenerados.
Não posso esquecer de falar que a memória imposta na série aos que tiveram a vida restituída, nasce de vibrações elétricas que também fazem parte da pesquisa original.
Original mesmo é a capacidade que algumas pessoas têm de nos envolver com suas ideias.
E nessa série são algumas pessoas mesmo.
Três escritoras fundamentais, uma escritora produtora e só um homem produtor e responsável por escrever alguns capítulos.
Acabo de saber que a Netflix nem divulga algumas temporadas finais de várias séries que ela produz.
Foi assim com Glitch e essa é a Vida como ela é, gananciosa, alegre, triste, angustiante, feliz, fábula cheia de sensações e sempre misteriosa.
A propósito, a vida normalmente é Fabulosa
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