Barulho

Que barulhão faz o helicóptero que sobrevoa o Itaim.
Sempre nesse horário à tardinha.
Deve ser um helicóptero de policiamento.
Desde ontem os pedreiros fazem um trabalho de desconstrução de uma fachada de um prédio que fica no caminho que faço até a academia.
Acabei de passar pela obra e observei que eles destruíram a escadaria e abriram um mega espaço onde antes ficavam salas pequenas.
No térreo.
De manhã eles abriram buracos e agora as coluninhas de apoio aos vidros estão fixadas.
Tenho notado que as grades estão sendo substituídas por vidros nas entradas dos edifícios.
A placa que anuncia o projeto de reforma me informa que o projeto é feito por um escritório de engenharia.
Estou curioso pra saber qual estabelecimento se estabelecerá no salão gigante.
As palavras interligadas vão surgindo na medida que o sol vai se pondo.
Aqui na capital a gente só sabe por ouvir falar que essa é a hora do por do sol.
A gente não consegue enxergar o horizonte.
Mal consegue ver o céu, o sol, ou a lua.
São conceitos que aprendemos e agora usamos na imaginação no ato de descrever os fatos.
O mesmo senhor em situação de rua que nos cumprimentou na frente do mercadinho enquanto eu conversava com o Vanderlei, me cumprimentou hoje quando eu passava pela feira.
Vanderlei é o segurança do mercado.
Segurança magrinho, seguro de si e poeta, que fala sobre as vidas que moram na árvore que fica em frente.
Falando em céu o senhor tem a cara do São Pedro.
A cara do Santo na imaginação dos artistas, afinal na época de Pedro não havia fotografia.
As roupas surradas e sujas também devem ser semelhantes àquelas que Pedro usava, diferente das que as imagens sugerem.
Repito uma das passagens mais intrigantes dos relatos bíblicos que fala sobre a mulher que acreditou que seria curada apenas tocando a barra da túnica de Jesus.
A intriga foi embora de mim quando o Cristo disse a Pedro: Alguém me tocou e algo saiu de mim.
Eu não imagino, eu tenho certeza que a energia que saiu Dele foi energia suficiente para regenerar todas as celulas doentes da mulher e a colocá-la de volta à vida sã.
Isso que me aparece é deveras Fantástico, sem fantasias.
Realidade pura que vai além da nossa compreensão palpável, embora a ciência esteja muito perto de todas as comprovações.
Prova viva da nossa essência poética, genética, ética e estética.
Enquanto as grades de ferro me sugerem prisão, o vidro me sugere transparência.
O pessoal coloca uns adesivos de pássaros sobre o vidro para que as pessoas não dêm de cara com eles.
Eles, os vidros transparentes.
Também aqui os pássaros servem para nos indicar atenção aos processos.
Liberdade até para dar uma paradinha para que eu não me esborrache de cara nos vidros opressores.
Não acho que a sugestão de transparência seja bem-vinda às entradas dos prédios.
Muito menos as grades de ferro.
As residências nem deveriam precisar de qualquer cercado.
Esse é o mundo das pessoas, dos indivíduos, das gentes, dos humanos e de todos nós, incapazes de convivermos em harmonia.
Conviver é viver junto, em comunidade, em comum unidade.
Isso é fabuloso, vem das fábulas, das morais das histórias.
Infelizmente nossa moral anda em baixa.
Já escrevi e agora repito que apenas os exercícios para o corpo não me sustentam.
Vivo de exercitar a alma, o espírito,  aquilo que realmente é capaz de regenerar as células e trazer benefícios a muitos.
Muitas pessoas ainda dizem que as minhas aulas são filosóficas. Muitas vezes elas querem dizer que é difícil colocar o dito na prática.
Eu já as defino como filosofia prática, afinal eu só peço algo ao outro se eu consigo realizar e faço.
Por isso aquela expressão: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, não me diz absolutamente nada.
O helicóptero permanece fazendo barulho e o senhor deve estar à procura de abrigo

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