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Mostrando postagens de outubro, 2025

Corretor

É incrível como não sou capaz de acertar a compra da passagem do ônibus de dois andares para Sorocaba. Na segunda viagem descobri que as poltronas de números mais baixos são as que ficam em cima. Nada mais simples, porém ao comprar a passagem aqui no autoatendimento fiquei em dúvida olhando o desenho das poltronas na tela. Percebi onde estava o motorista a partir do desenho da direção, mas ao invés de olhar os números fiquei atento ao desenho que indica a frente do busão. Pronto, comprei a cinquenta e oito. Embaixo. Não existe problema algum, mas é legal ficar vendo a rodovia de cima. Rio porque é a única maneira que faz que eu olhe pessoas de cima, no sentido de ostentação e arrogância. Ao andar pela rodovia Castelo Branco, passaram três Porshes a toda velocidade pela minha esquerda e pela direita. Não vejo problema algum alguém ter Porshes e tals, mas a hipervelocidade colocando em risco outras pessoas acho um disparate. E os motoristas delas vêm trançando, o que denota um desrespeit...

Lixo zero

Vai acontecer uma instalação chamada Lixo Zero. É um projeto para uma ação estudantil. A utopia de uma sociedade sem lixo, ou melhor, com a menor quantidade de lixo jogado em aterros, por exemplo. Ainda existe um grupo de funcionárias e funcionários na escola que se dedicam à limpeza das salas de aula, dos corredores e dos pátios. A quantidade de trabalho dessas guerreiras e guerreiros é imensa. As vassouras e pás sempre estão cheias de todo tipo de lixo, quando acaba o período dedicado às aulas das mais variadas disciplinas. Seria necessário disciplina para diminuirmos drasticamente o trabalho  desses humanos incansáveis da limpeza. Isso acontece, apesar da escola ter cestos com três cores diferentes em cada sala e em cada canto. Sei que a melhor solução seria a redução drástica do consumo, mas sobre isso já escrevi exageradamente. Apesar, que exagerada mesmo é a quantidade de lixo ainda sendo jogada no chão. Há muito tempo era impensável que os motoristas e passageiros de um veíc...

Tipo assim

Novamente o meu encantamento pelos variados tipos. Tipos de Pessoas diversas. Antigamente, pelo menos em Sorocaba, havia uma espécie de gíria: Olha o Tipo! Significava: Veja o Tipo que está vindo aí! Havia algo de pejorativo no chamamento, mas para mim há uma magia em sermos tipos tão diferentes. É o tipo de coisa que me encanta. Vejo uma pessoa vestida assim, ou assado e fico imaginando de onde vem, qual o tipo de música, qual o tipo de fala, tudo o que envolve aquele determinado tipo. Eu sou do tipo Artista, que já é um tipo que gera estranhamento na maioria. E é justamente o estranhamento que me faz em pé, ágil no sentido de querer resolver tudo, agarrar o mundo pelas pernas e buscar fazer alguma coisa para torná-lo mais global, mais respeitoso com tanta gente diferente, em gostos e afinidades. Acabo de ver um recorte de um filme sobre Van Gogh no Instagram e a cena me fez vê-la novamente e novamente. O filme chama-se: No portal da eternidade de 2018. O que me encantou na cena é que...

Chaves

Eu uso uma chave elétrica para o meu automóvel. Até aí nada de mais. O carro veio com uma única chave e um dia ela se desfez. Esfacelou-se. Fui ao Chaveiro, meu conhecido Garcia e ele me vendeu uma chave nova. Não faz tanto tempo. Há um mês mais ou menos eu percebi que a chave estava se desfazendo do lado dos botões de liga e desliga. O material do revestimento é uma borracha preta. Ficou parecendo aqueles calçados de sola de borracha que ficam guardados por muito tempo. Apodrecem. Rapidamente colei fita isolante preta por cima dos botões e toquei a vida. De repente percebi que o botão do lado direito, o que desliga o alarme, estava precisando que eu apertasse muito pra que ele funcionasse. Tirei toda a fita crepe, fiz uma almofadada de fita para cobrir o botão e enrolei durex. Não durou uma semana. Rio porque eu adoro uma gambiarra bem feita. Ao tirar a fita e a almofadinha, a borracha podre foi automaticamente se descolando aos pedaços. Tive uma daquelas minhas ideias geniais. Saquei...

Conectivos

Depois de comprar um adaptador para os cabos USB da mochila do meu filho e ele não ser o ideal, descobri que era mais interessante comprar um outro carregador externo. Ao fazer isso, meu filho me presenteou com o carregador dele, mais antigo. Como a entrada oficial está corrompida, eu precisava de um cabo USB A, com a outra ponta USB Mini. Todos os fios não mais necessários eu doo para um senhor que tem uma lojinha de consertos de eletro-eletrônicos no bairro. Todos mesmo. Um dia em São Paulo e um dia em Sorocaba me desfiz de todos os cabos do universo particular e da família. Deixei apenas quatro fones de ouvido com fio na mesinha do computador. Desses quatro, dois eu já doei há duas semanas. Há uma gaveta aqui em Sorocaba onde eu guardava os tais fios. Estava deitadão quando me estalou a cabeça: Vou dar uma olhada na antiga gaveta de fios cuja maçaneta eu até troquei com a quebrada do guarda-roupa, afinal eu nem ia abrir mais a dita cuja gaveta sem fios. Forcei, abri e ali só havia u...

Vírgulas

Houve um tempo que os professores e professoras de Língua portuguesa diziam que as vírgulas eram usadas para que a gente desse uma respirada. Já ouvi que hoje não é mais assim. Vai vendo a forma que aprendemos hoje: Usamos as vírgulas para separar elementos em uma lista, isolar vocativos e apostos, marcar o deslocamento de adjuntos adverbiais e separar orações coordenadas e subordinadas. Só de pensar já quero usar uma virgulona. Dar aquela respirada. O que quero abordar é a parada para um respiro. Estou cansado, mas estou muito ativo. Cansado das mesmas ladainhas das coisas públicas serem tratadas como privadas, cansado de pedir para que jovens tragam uma pasta para guardar as atividades das aulas, cansado de ver crianças fazendo caretas para realizar tarefas simples que os pais pedem educadamente e cansado de perceber tanta desigualdade de poder aquisitivo. Quando escrevi a palavra Aquisitivo, claro que veio junto o verbo Adquirir e isso também me provoca cansaço. É muita Aquisição. J...

Terrenos

Papai, acho que nunca construíram tantos terrenos aqui no Itaim. Residências antigas no chão e terrenos aplainados recém construídos. Agora, eles trazem super brocas gigantes e fazem os furos para depois plantarem as estacas de cimento que são os novos alicerces. O que era Ótica, La guapa, Chaveiro, Sapataria, mais tarde se tornará um único edifício. Agora eu entendo quando a tia estava de passageira no carro e sempre perguntava onde estávamos. Depois de ouvir a resposta ela sempre falava: Mas está assim? Você tem certeza que é o mesmo lugar? Tudo isso é semelhante ao conflito de gerações. Esse conflito não precisa ser bélico, ou briguento, mas é pura e simplesmente a constatação que o velho dá lugar ao novo. Calma. Não é um choramingo meu. Apesar de ser a ordem natural das coisas, existem as coisas dos artistas que são sempre atemporais. O meu agradecimento por ter nascido com o movimento pessoal pelo entendimento e pela compreensão. O movimento pessoal de ver a Beleza em quase tudo. ...

Tridimensional

Minha neta aprendeu nesse ano os conceitos de bi e tridimensionalidade. Explicou-me através de sólidos geométricos que ela montou com papel e também com uma página da sua apostila. É curioso que eu sou tão prolixo, mas adoro e sou fascinado pelas esculturas do Luiz Sacilotto e do Amílcar de Castro. Ambos Concretistas. Luiz, o precursor, o pioneiro. A partir da bidimensionalidade da Forma geométrica feita em metal, eles produziam cortes e dobras para gerar a tridimensionalidade escultórica da peça. Tenho fascínio por essa aparente simplicidade. Você consegue imaginar a cena? Você pega um quadrado, ou qualquer outra Forma de papel duro, faz um corte numa das mediatrizes, ou raio e dobra. A peça para em pé e nesse caso serve como ornamento para a sua mesinha de centro, por exemplo. As peças dos artistas em questão normalmente são muito grandes. Outro conceito que eu gosto bastante é o de ornamentar, enfeitar, decorar. Acho bonito. Não é a única forma estética de jeito nenhum, afinal eu re...

Encontrôes

Acho que tem a ver com uma certa idade, mas os jovens adultos quando andam nas calçadas em duplas, ou em trios não me notam de jeito nenhum. Ou eu desvio, ou tomo um encontrão. Pode ser que eu resolva também olhar para baixo e dar de encontro com os trios, mas tenho procurado me acalmar e compreender as razões das distrações. Minha calma me remete a outros tipos de encontrões. Eu até digo melhor, outro tipo de encontro. Encontrar na medida que se procura, ou ainda melhor, encontrar sem estar procurando nada. Os encontros casuais são os mais estimados e a observação atenta de como tal fato acontece é o tema desse relato. Não pretendo e nem conseguirei ser assertivo nessa empreitada, mas direi apenas que acredito nos encontros que parecem misturar as almas e os espíritos. Costuma-se dizer que deu química e a ciência tem cada vez caminhado nessa direção. A conexão pela eletricidade já foi medida pelos cientistas, nascendo do topo da cabeça. Assim tem pouco a ver com o coração no seu senti...

Agressividade

Imagine que não dá nem tempo de sentir o coração saltar, ou levar um susto. Estávamos falando no carro sobre as más condições de moradia do povo que mora em barracos de madeira com teto de zinco em cima. Tudo isso embaixo de um viaduto enorme. Uma casinha geminada à outra. Bummmmmm? O vidro do carro estoura, um braço vestindo moletom entra e em um segundo desaparece. O celular que estava no painel mostrando a rota é levado. Sobra o suporte e o vidro estilhaçado. Sobram também dois cortes no meu casaco forrado. Nenhum dos dois se machucou. Nossa condição de professores é razoável e desde ontem tudo está como antes. O que mudou foi mais um aprendizado. Agora, ao sair do prédio, entrei rapidamente no estúdio do moço artesão e perguntei se já havia acontecido com ele. Ele me respondeu assim: Aprendi com o ocorrido. Nunca mais celular no painel. É claro que quando o meliante resolve que vai te assaltar ele assim o fará. Cabe-me respeitar os limites de uso do aparelho. Eu por natureza, já ga...