Tipo assim

Novamente o meu encantamento pelos variados tipos.
Tipos de Pessoas diversas.
Antigamente, pelo menos em Sorocaba, havia uma espécie de gíria:
Olha o Tipo!
Significava: Veja o Tipo que está vindo aí!
Havia algo de pejorativo no chamamento, mas para mim há uma magia em sermos tipos tão diferentes.
É o tipo de coisa que me encanta.
Vejo uma pessoa vestida assim, ou assado e fico imaginando de onde vem, qual o tipo de música, qual o tipo de fala, tudo o que envolve aquele determinado tipo.
Eu sou do tipo Artista, que já é um tipo que gera estranhamento na maioria.
E é justamente o estranhamento que me faz em pé, ágil no sentido de querer resolver tudo, agarrar o mundo pelas pernas e buscar fazer alguma coisa para torná-lo mais global, mais respeitoso com tanta gente diferente, em gostos e afinidades.
Acabo de ver um recorte de um filme sobre Van Gogh no Instagram e a cena me fez vê-la novamente e novamente.
O filme chama-se: No portal da eternidade de 2018.
O que me encantou na cena é que o outro personagem que parece ser um doutor, segue perguntando ao artista porque ele pintou aquele quadro.
A pintura deve ter uns trinta centímetros, por vinte e cinco, mas isso não é importante.
O Artista responde que ele pintou porque não consegue fazer outra coisa e cita Deus, no que o doutor responde:
Você acha que Deus o criou para pintar essa coisa feia?
O que mais me interessou no recorte do filme é que a continuidade da resposta do artista, não parece ter uma moral da história, um efeito bombástico que deixaria o doutor em prantos.
Obviamente que de hoje não passa eu assisitir o filme todo, porém fica o meu encantamento pelo tipo artístico travestido de uma necessidade incansável e inexplicável de fazer, fazer e fazer.
No caso desse tipo genial de artista, a genialidade está justamente no encontro entre a necessidade de expressar-se na pintura e na falta de autocompreesão desse precisar justificar.
Uma incompreensão apenas corpórea, física, afinal a sua mente está toda focada diretamente no fazer artístico.
É por isso que me auto entitulo um artista publicitário.
Que necessita compreender o que faz, relacionando a ideia a tudo o que me aconteceu nessa vida desde criança.
E é também por isso que chamo os tipos artistas opostos a esse meu jeito, de artista uterina, ou de artista visceral.
Estás vendo que até entre um conjunto Típico, existem variações consideráveis.
É tudo isso que eu acho bonito.
Assim eu sou responsável por ser quem sou e fazer as coisas exageradamente urgentes da forma que faço.
Veja que eu não escrevi, que eu pretendo fazer,eu escrevi forma que eu faço.
Claro que algumas vezes exagero, mas até nisso o meu tipo artista preza pela estética.
Acho lindo, além de bonito.
É com essa necessidade feroz que afirmo que a responsabilidade é minha e nunca espero que uma outra pessoa seja capaz de acompanhar essa eletricidade de forma semelhante.
Cabe a mim respeitar e compreender o meu tipo e principalmente respeitar e amar todos os outros tipos que comigo convivem de forma atemporal


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A saga das palavras

Todos

Rima