Vírgulas
Houve um tempo que os professores e professoras de Língua portuguesa diziam que as vírgulas eram usadas para que a gente desse uma respirada.
Já ouvi que hoje não é mais assim.
Vai vendo a forma que aprendemos hoje:
Usamos as vírgulas para separar elementos em uma lista, isolar vocativos e apostos, marcar o deslocamento de adjuntos adverbiais e separar orações coordenadas e subordinadas.
Só de pensar já quero usar uma virgulona.
Dar aquela respirada.
O que quero abordar é a parada para um respiro.
Estou cansado, mas estou muito ativo.
Cansado das mesmas ladainhas das coisas públicas serem tratadas como privadas, cansado de pedir para que jovens tragam uma pasta para guardar as atividades das aulas, cansado de ver crianças fazendo caretas para realizar tarefas simples que os pais pedem educadamente e cansado de perceber tanta desigualdade de poder aquisitivo.
Quando escrevi a palavra Aquisitivo, claro que veio junto o verbo Adquirir e isso também me provoca cansaço.
É muita Aquisição.
Já escrevi várias vezes que gosto bastante de ganhar roupas dos outros.
Ganho normalmente de parentes e amigos.
Adquirir também me remete ao fato de pensar em sustentabilidade.
Penso no meu R preferido:
Reduzir.
Tarefa insalubre num mundo regido pela ganância, pelo lucro imenso e pelo consumo desenfreado.
Para tudo isso desejo usar vírgulas.
Houve um tempo que eu comprava na Eletroradiobrás, iogurte Danone e só havia dois sabores:
O natural e o de morango.
Depois vieram o de coco e o de abacaxi.
O pacote de confeitos Confetti era gigante e custava um cruzeiro.
A borracha era Mercur, o lápis era número 2 e a caneta, uma Bic azul.
A cola era Tenaz, mas o último álbum de figurinhas que colecionei, colei todos os cromos com cola de farinha de trigo.
Estou cansado de ficar rememorando essas coisas de um passado distante, afinal, como eu já disse, estou modernamente ativo.
Rememorei para ficar usando vírgulas, separando as listas de coisas velhas.
Rio porque o idoso Tá On.
Ah o cansaço.
O meu cansaço é mais ou menos como o braço do sujeito usado para quebrar o vidro do carro e levar o celular.
É vapt-vupt e foi-se.
Da mesma forma, eu tenho que ir pensando adiante, ir resolvendo.
Ontem dei uma super dica para um adulto jovem, também hiperativo.
A pessoa que for se relacionar conosco tem que ser forte e encarar a labuta, porém somos nós que ao fazermos tudo dessa forma agitada para quase todo mundo, temos que ter paciência, equilíbrio e jamais cobrarmos a mesma postura do, ou da Parça.
Disse ao jovem que eu faço porque desejo e só peço ao outro o que eu sou capaz de fazer.
Só para garantir, já que ele ou ela, não tem a obrigação de seguir na mesma toada doida.
E assim eu respiro e remo, remo e respiro, lembrando do Virgulino, que era bravo.
Virgulino era cabra arrojado.
Eu sei o porquê da expressão cabra macho, mas a fêmea forte é a cabra e o macho da cabra, é só o bode.
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