Simples quase assim

Uma das letras do Falcão para a melodia do Lenine.
Simples assim.
E a pergunta sempre necessária:
Eu preciso desenhar?
Eu já perdi a paciência e quase abracei a fala do Zeca:
Deixa a vida te levar.
Quase, porque não consigo e nem acredito.
Sei que não preciso ficar estressado se os outros não entendem coisas que eu considero bem simples.
A tal da polarização só me leva a um caminho bem simples: O caminhar contrário aos que são anticultura.
Não resta a menor dúvida que sou contrário ao rancor, às armas, às guerras e aos preconceitos.
Este é apenas um exemplo daquilo que algumas vezes alguns outros confundem com alguma loucura.
É coisa de artista que com o tempo foi recolhendo experiências de amor e bonitezas.
Recolher é colher de novo, de novo e de novo.
Estou bicicletando e ouvindo as melhores do Vander Lee.
As melhores são todas as letras e as melodias.
Ele foi compor e cantar no céu, com seus 50 anos, afinal fazer o que ele fez por aqui o fez seguir seu pensamento mágico e alcançar o Céu.
Quando solitário ele simplesmente escreveu que ele era Pista Vazia Esperando Aviões.
E a gente consegue, com o nosso pensamento mágico, experenciar a cena inteira.
O movimento mineiro com aquele tempero do sotaque bonito.
Não conhecia, mas estou conhecendo agora a maravilhosa: Galo e Cruzeiro.
Como ser anticultura se existe Vander Lee, Rita, Caetano, Zélia, Chicos, Gil, Tiago, Ana Vitória, Cassia, Gadu e tantas outras e tantos outros?
A resposta é preciso ser desenhada?
Perdi a paciência porque ainda é preciso desenhar.
Boa parte da minha vida é desenhar.
Bordar com linhas espaços bidimensionais e ocasionalmente, tridimensionais.
Estes desenhos acabam por refletir na real, olhos e mais olhos.
Quando o fato mostra que eu além de ter facilidade, acho muito bonito representar o Olho como elemento da composição, talvez revele o desejo de sempre estar atento ao.movimento do Outro, já que sozinho existo apenas dentro de um apartamento pequeno.
Existo esperançoso de sair pra respirar os ares novos de mais um dia.
Claro que tudo isso reflete a vontade imensa de sair fazendo, acontecendo, desvendando e seguindo ligeiro em frente.
Eu observo às vezes desatento e às vezes concentrado.
Ai eu preciso desenhar.
Muito além do que a IA me proporciona a partir de uma foto, mas apresentar ao mundo o ainda não existido, não realizado, original.
Original porque dá origem aos olhos e aos sentimentos dos outros.
A IA me produz como eu mesmo me produziria a caneta esferográfica azul, mas eu posso mais, um tanto mais, com o meu pensamento mágico que me coloca na pista antes vazia, com uma bandeira de alerta em cada mão, indicando uma das possibilidades de aterrorizagem dos aviões 

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