Neon

Ontem estava chovendinho aqui no Itaim.
O lugar onde compramos uma casquinha de sorvete é quase um Méqui, só que o sorvete é mais incrementado nos recheios e é mais barato.
Porém, imagine um lugar escuro, com as paredes pintadas de preto e com as letras piscando em neon.
Rio porque essa observação deve ter a ver com a minha idade avançada, embora eu me considere até avançado pra minha idade.
Lugar escuro, pequeno e com mais funcionários do que clientes.
Nada disso era importante, não fosse as duas televisões ligadas em alto volume.
Uma transmitia um replay de um desses shows de fim de ano e a outra, o jogo Street Fighter em ação.
Desta vez eu liguei para o barulho, se bem que pra ter barulho tem que estar ligado, tá ligado?
E assim eu sigo a minha sina de perceber as coisas por um outro viés.
Como ansioso mais jovem eu sempre estava pensando no dia seguinte, principalmente nas situações relativas à escola.
Outro dia ouvi nas redes antissociais uma fala muito real sobre isso.
Pessoas com essa síndrome pensam muito em coisas que acontecerão no futuro próximo e em noventa e nove por cento das vezes, os acontecimentos parecem catastróficos.
Quando eu passo pelo pseudo problema vejo que não aconteceu nada da forma como eu pensei.
Nenhuma catástrofe.
Ao contrário, deu tudo bom, afinal a minha assertividade e a minha convicção são imensas.
Volto ao meu olhar com outro viés.
Vou pedalando agora, afetando agora, acarinhando agora e agora é um encantamento com momentos não tão encantadores assim.
Claro que sei que é uma coisa cerebral, mas sei também que existe tratamento e seguindo à risca as orientações as coisas se passam bem melhores.
É cerebral, é emocional e penso que justamente por ser assim deve ser enfrentada com sabedoria.
Minha principal característica quando mais jovem era a quase certeza do meu alcance sobre o controle.
Hoje eu tenho certeza que a única pessoa que controlo e bem meia boca, sou eu mesmo e sobre os acontecimentos, existem coisas sobre as quais não tenho controle e portanto, não posso intervir para solucionar.
Eu que adoro achar soluções.
A frase: Se não tem remédio, remediado está é um bom exemplo da minha crença, mas não apenas isso.
Hoje temos uma infinidade de recursos para prevenirmos situações e para acharmos soluções reparadoras.
A vida é isso e o meu viés é reservar bastante espaço para a intuição.
Desta forma sou conectado com os otimistas que trabalham duro para viver com simplicidade e altruísmo.
Sei que o otimismo só não basta por isso tenho a minha caixa de ferramentas sempre à mão e aos olhos para que a minha solução seja visando mais o coletivo do que o meu egoísmo inerente


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