Demolições construídas

A demolição do conjunto de casinhas está quase terminando.
Todas as casinhas postas a baixo.
Hoje havia uma das placas de alumínio aberta e pude ver a escavadeira e os restos de parede do porão.
Aparentavam ser azulejos vistos daqui de longe.
Muita terra.
Uma montanha de terra e escombros.
Restos de ferro, cimento, rejuntes, tintas e todo tipo de materiais usados nas construções antigas.
Aquela frase da dona Anna repercute aqui: É mais fácil destruir do que construir.
Anteontem duas funcionárias de uma casinha reformada para ser uma loja Pão e carne me informaram que a lanchonte continuaria ali, firme.
Ela no meio do prédião.
Fiquei curioso quando eles saíram da Joaquim Floriano e mudaram-se para a João Cachoeira, sendo que todas as casinhas do lado já estavam fadadas ao extermínio.
Esta resistiu.
Eles vendem tantos sanduíches que na Joaquim Floriano permanece o Delivery.
Os clientes são trabalhadores jovens da redondeza.
Lembro do dia que eu saía das aulas no Colégio em Campinas no período da manhã e quarenta minutos depois estava em aulas do período da tarde.
Comia um salgado e um suco, porém neste dia eu resolvi.
Nunca mais almoçaria sanduíche, ou salgado.
Era o início da comida por quilo e comecei a almoçar todas as quintas no restaurante da avenida.
Ali, se você pesasse exatamente quinhentos gramas, você ganhava o almoço.
Em dez anos ganhei apenas uma vez, já que os meus pratos sempre pesavam seiscentos ou setecentos gramas.
Rio porque o baguio é loko.
Assim como é louca a minha reação aos acontecimentos além de mim.
Como pode um compositor e cantor como o Vander Lee não ser conhecido do grande público?
Eu sei como, mas estou apenas provocando, já que todo mundo viu a correria e a exaustão da trupe do filme Ainda estou aqui para que o filme ganhasse o Oscar.
Marquetismo à parte, a quantidade de seres geniais que andam a produzir Arte é imensa e hoje é possível fazer alguma divulgação, mesmo que o algorítmo escolha para quem ele vai mandar a informação.
Rio porque sou professor e faço dessa façanha o meu próprio fazer artístico.
Enquanto estava com a minha caneta Posca preta riscando uma das treze telas, fiquei viajando nos traços e percebendo que vou bordando com linhas o linho da tela.
Vou equilibrando as linhas com pelo menos três espessuras para criar o contraste de claros e escuros.
Esta é a parte técnica, o resto é pura intuição.
Depois de quarenta anos desenhando escolhi cinco ou seis grafismos para representar estas intuições.
Nesta série eu vou construindo composições a partir de algumas figuras pré determinadas por traços soltos sobre o tecido, no começo do trabalho.
Peixes, pássaro, rosto e vou bordando com linhas pretas.
Construindo a partir dessa minha imposição.
Construção a partir do próprio formato quadrado da próxima tela será a imposição e a forma original.
Sem peixes, sem pássaros e sem rostos.
Será?
Talvez a desconstrução não seja uma opção.
A desconstrução é uma necessidade já que a escolha é pela simplicidade.
Hoje a minha escavadeira gera menos escombros e menos caminhões de terra.
Minha escavadeira pretende remexer dentro de mim mesmo, tentando construir algo melhor

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todos

Vídeo Game

Serviços