Graça

Achei a maior graça a reação de uma senhora à resposta do motorista.
Antes de entrar no Cometão a senhora perguntou:
Motorista, quanto tempo levaremos para chegar em Sorocaba?
Ele disse:
Duas horas, duas horas e quinze.
O quê?
Tudo isso?
Assim caminha a humanidade que já intui a resposta antes de fazer a pergunta.
Porém eu pude aprender porque demora todo esse tempo.
O motorista pacientemente respondeu ao outro quetionamento da senhora que perguntou:
É por causa do trânsito?
Não Senhora, é que nós não podemos ultrapassar os Oitenta quilômetros por hora.
Genial.
Eu sinto que todo domingo a viagem é bem lenta e suave, mas não sabia desta obrigatoriedade.
Afinal, porque a pressa?
É claro que algumas pessoas devem ter algum compromisso importante, mas penso que se fosse assim elas teriam saído bem antes.
A gente nunca sabe direito, mas o que seria de mim sem os meus palpites?
Lembre-se que a maioria dos palpites não modificam coisa alguma, mas nós, os seres humanos somos dotados deste artifício milenar.
Eu juro que eu não tenho nada a ver com a vida dos outros, mas como seria a minha vida sem ter uma ideia de solução para coisas que acontecem com aqueles que não sou eu?
Eu sou um cara que adora resolver.
A moça que retirava os pratos do almoço no restaurante demorou tanto para fazê-lo que eu ajudei a retirar os vinte pratos da mesa.
Esta solução era necessária para que o pessoal pegasse os pratos menores para comer a sobremesa.
Esqueci de mencionar que depois da Festa Literária da escola, fomos almoçar num restaurante pousada com vinte pessoas.
Entre os papos, muitas histórias e muitos palpites.
Quando eu digo que amo a diversidade é porque não me interessa a mínima saber qual a opção de gênero do outro, a religião, o gosto culinário, entre outras escolhas, mas sobre o resto, adoro meter a colher do palpite.
E palpiteio muito sobre eu mesmo, já que fui retirado do colo da minha mãe quando eu tinha apenas quinze dias de idade.
Fui levado de avião para São Paulo, fiquei roxo nas alturas, o piloto baixou um pouco a aeronave e voltei ao normal.
Em São Paulo passei fome porque a minha tia de apenas vinte anos não sabia que tinha que furar o bico da mamadeira.
Viajei de trem para Regente Feijó para ser criado por três meses pelos meus avós e duas primas pequenas.
Em Regente, nos passeios diários puxado pela minha prima de seis anos, fui derrubado três vezes do carrinho e com tudo isso tenho sobrevivido com raça e galhardia.
Rio muito porque com tudo isso nunca fui de mi mi mi.
Senta que lá vem história é o meu lema.
Sou basicamente um contador de hiatórias e é isso que me faz um professor ativo e vibrante.
As histórias me perceguem e todas elas são apoiadas pela providência divina e por um anjo da guarda gigantesco.
Como o que me amparou no dia em que fui sozinho ao Show Rock do Brasil no ginásio do Taquaral em Campinas.
Depois do Show fui parar na rodoviária.
Era tão tarde que não havia mais ônibus para Sorocaba.
Fiquei dormindo ali mesmo, nos bancos da rodoviária.
Chegou um Guarda municipal e me pediu os documentos.
O único que eu tinha era a carteirinha de estudante do colégio que tive a manha de apresentar.
Penso que o guarda ficou tão comovido com a ingenuidade deste idiota, que além de tudo me disse:
Você não pode dormir na rodoviária, mas fique aí até que o próximo ônibus pra Sorocaba chegue para sair às cinco da matina.
Que dó.
E em Parati?
Nesta viagem estávamos em três idiotas.
Ficamos dormindo na frente da cantina da escola estadual porque nâo levamos barraca e nem dinheiro.
Cada um com seu colchonete.
Fomos acordados com chutinhos laterais por soldados do exército.
Ficamos aterrorizados até que ouvimos a voz do sargento:
Vocês jogam futebol?
Claro que jogamos.
Depois do jogo na quadra da escola o sargento deu a ordem:
Agora continuem dormindo, mas levantem acampamento quinze minutos antes das seis, porque às seis o pessoal chega para abrir a escola.
Assim eu caminho com a minha humanidade.
Meu palpite?
É que ainda posso palpitar à vontade, sabendo que só eu serei agraciado pelo meu palite


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todos

Rima

Vídeo Game