Dormindo jamais

Você pode me encontrar dormindo, mas é raro.
Durmo bem as minhas cinco horas e meia, às vezes, seis.
Meu ser se reinventa de dia.
A noite, de tão criança que é, para mim ela dorme cedo.
Desde sempre já sabia que a minha hiperatividade acontece andando com o sol, mesmo que algumas vezes chova entre as sete da manhã e as dezenove.
Claro que este não é um horário fechado, mas sou muito mais produtivo durante o dia.
Cheguei na rodoviária às 13h30 e havia uma fila pequena nos guichês, porém desta feita, os dois terminais de compras digitais estavam funcionando.
Estou no busão das 14h.
O ar condicionado só começa a funcionar quando o motorista dá na chave.
Antes estávamos todos assando dentro do carro, mas eu não reclamo, afinal já estamos em movimento e eu trago sempre a minha garrafinha da Pacco.
Muito chique mesmo, afinal algumas vezes ela fica torrando no Classic 2013 e quando vou beber, a água está fresquinha.
Impressionante.
Coisa boa muitas vezes tem seu preço.
No caso da garrafinha é valor.
Eu tenho algumas coisas que ganhei e que dou muito valor, já que uso bastante.
Esta camiseta do Parque da Autonomia é um exemplo.
Sei que vou usá-la até rasgar de tão gostoso que é o tecido, além da leveza das estampas.
Minhas duas calças desenhadas que uso para dar aulas no Colégio.
Minha guitarra Kagima que presenteei o meu filho.
Meus dois edredons, presentes da minha irmã.
Meu vaso de cerâmica com um desenho especial que ganhei da ex aluna artista.
Meu violão elétrico, o violão de levar pra escola e o de ficar em casa.
Aquele que meu filho pediu para o luthier colocar um acetato na lateral e hoje veste a parede do meu quarto.
A parede do fundo do quarto onde eu colo todos os desenhos e pinturas que ganho dos alunos.
O filtro branco que o meu irmão comprou pra deixar no apartamento.
Meu tênis então tem um valor muito elevado, porque eu uso até furar.
Consegui guardar o tênis cinza só de enfiar os pés, porque ele não serve para usar na academia, então guardo para dias sem exercícios em Sorocaba.
E assim a blusa de frio cinza e o moleton azul marinho, que podem ser substituídos pela camiseta de manga longa com uma inscrição japonesa no peito.
Gosto das camisas de manga curta.
Para encerrar o causo eu descrevo o essencial:
Camiseta, calça jeans, meia curta e tênis.
Sou eu e os homens da minha tribo dos anos 70.
Um sucesso.
Falando em anos 70 eu gosto bastante do som do Emerson, Lake and Palmer, sendo que os dois primeiros já não estão mais entre nós.
Sempre achei o Palmer um dos melhores bateristas do rock.
Que ideia genial ele está trazendo para o Brasil em maio.
Ele no centro do palco com a sua bateria gigante e dois meninos, um de cada lado, fazendo guitarra, baixo e teclados.
Porém em várias músicas haverá uma projeção com as imagens e sons do Emerson e do Lake.
Não é nada de extarordinário nos tempos digitais, mas eu acho bem bonito.
Achar bonito é comigo mesmo, já que durante o dia a visão é mais abrangente.
Daqui eu posso ver todas as ideias bacanas que os outros têm, juntando pedaços das suas memórias afetivas, ou não.
Juntando alhos com bugalhos, coisas aparentemente iguais, mas cheias de diferenças.
Assim como o alho, que na mística afasta vampiros e na lógica afasta pessoas e o bugalho que de semelhante só tem o final da palavra, já que é uma protuberância do tronco do carvalho por conta de uma picada de inseto, ou por fungo.
Como eu imagino que você não fazia ideia do que era um bugalho, agora ficou sabendo que o Bagulho é Louco
Eu também não fazia ideia, mano.
O baguio é loko


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