Reforma etária
Quando a tia Lilia era viva e estava de copilota no carro, ela sempre observava:
Aqui é aquele lugar que a gente comia esfirra, ali é o lugar onde havia um mercadinho?
E por aqui e ali, íamos.
Nunca me esqueci desta história e estou vivendo um pouco, esta forma moderna de existir.
Escrevi umas duas ou três vezes sobre a reforma de um prédio praticamente novo no caminho para a academia.
Ainda tem tapumes na frente, mas estão colocando um portão enorme, daqueles automáticos que descem lentamente por controle remoto.
Ontem uma aluna me apresentou sete lápis de cor com as cores do arco-íris e me deu vontade de explicar pra todos os tais raios invisíveis.
Sim, os raios visíveis são o vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta, portanto o vermelho e o violeta estão nas pontas do espectro luminoso.
De tal forma que os raios que estão abaixo do vermelho são infravermelhos e acima do violeta são os ultravioletas.
Minha querida irmã pensa que mudei de assunto, mas essas informações complementares aconteceram por causa do controle remoto do portão do prédio em reforma.
Os controles funcionam por raios infravermelhos.
E os raios que queimam demasiadamente a pele são os ultravioletas.
Além da reforma o que me levou à lembrança da tia Lilia está sendo a demolição de várias casas comerciais conhecidas no bairro.
Agora eles colocam um teto de madeirite sobre a calçada e cobrem as antigas construções com um tecido preto, para que algum estilhaço não acerte alguém, ou algum carro aqui embaixo.
Essa demolição específica me fez lembrar na hora da obra do Artista búlgaro Christo.
Christo era conhecido por embrulhar locais ou edificações famosas em várias cidades do mundo.
Você consegue imaginar, não é?
Acho a ideia original fantástica, já que ao invés de esculpir ou modelar uma peça, a ponte da Rua Quinze, por exemplo, aparentaria ser uma enorme peça esculpida.
Genial.
Penso que é estranha a sensação de ver demolições, mas fico com a ideia mágica do menino que disse ao pai ao ver uma:
Papai estão construindo um terreno.
Complexo é o fato que realmente sobrará o terreno, que no mercado imobiliário está valendo milhões, mas não para por aí.
Já existe a placa da Incorporadora que construirá mais um edifício cheio de estúdios.
Quase todos para especulação.
A lei infalível que diz que quem tem muito não apenas almeja, mas com certeza terá mais, é mais uma vez validada.
Alguém dirá: E os que não produzem nada e só ganham com os dividendos?
Para mim estes estão colocados na mesma prateleira.
Sobre a total relatividade das coisas, ontem eu ouvi o Karnal responder a um seguidor que perguntou-lhe por que ele havia se vendido.
Não vou gastar aqui palavras, redigindo a resposta, porém a essência, segundo as palavras dele, é que todos nós nos vendemos quando trabalhamos para alguém e que há uma relatividade na avaliação de quem é rico.
Ou seja, blá, blá, blá e ele hoje é Bradesco assim como os Charlie Brown Jr foram, ou são Coca-cola.
Eu sinceramente não conheço os meandros e a vida deles, portanto prefiro ficar com a minha vontade incessante de me vender aos que necessitam aprender sobre coisas que eu domino e ainda tenho oportunidade de aprender.
No fim do ano passado eu garanti que o meu bigode ficaria poderoso e está.
Sempre quis deixar aquela barbinha esculpida embaixo da boca e consegui.
O moço do restaurante falou que combinou demais comigo já que somando com meus óculos verdes eu faço o visual de um Artista.
Estou me rendendo ao capitalismo visual.
Vejo coisas sendo derrubadas e coisas sendo construídas.
A experiência não se perde e aqui eu deixo o meu coração em oração pela alma de um amigo querido, um pouco mais velho que meu filho, que nos deixou nesta semana.
Ele já está edificando sua morada eterna sem reformas, afinal eu creio que mesmo que seja energeticamente, quando saímos deste plano continuamos caminhando, caminhando e caminhando.
O Universo está cotidianamente em expansão
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