Resumo
A palavra abstrata é interessante também em inglês.
Abstract, resumo, resumir.
Uma vez eu levei para uma visita ao Masp uma turma das aulas de Arte.
No terceiro andar havia uma exposição do acervo que começava com as obras Abstratas.
Uma professora me perguntou quando estava observando uma das primeiras obras:
Betu, o que é isto?
Não tive nem tempo de respondê-la e um menino de uns dez anos saiu correndo de trás de um biombo e foi respondendo:
Isto é uma Composição com linhas,formas, cores e texturas.
Óbvio que eu nunca me esqueci desta cena.
Incrível.
Já faz um tempo que meus jovens alunos têm alguma noção do Abstracionismo, já que estão tendo aulas de Arte muito boas no Ensino Infantil.
Porém, muitos ainda relacionam o Surrealismo com o Abstracionismo.
É simples entender.
Quando produzem ou encaram uma Obra Surrealista normalmente eles me dizem que a Obra não tem Sentido.
Ou seja, os elementos da imagem nâk têm uma organização que conte uma história real, que faça um sentido direto com que eles conheçam da normal realidade.
É quase a mesma sensação que eles têm ao produzir, ou encarar uma obra Abstrata.
Nesta, mais ainda eles não vêm sentido que Abrace a tal Realidade.
São dois movimentos diferentes.
No Surrealismo a história é contada além da realidade, ou mostra coisas impossíveis de acontecer no nosso dia a dia, por isso Surreal.
Ainda hoje existe o Surreal funcionando como gíria.
Cara, isso é Surreal!
Fantástico.
Verbete que por sinal nasce do verbete Fantasia.
Já no abstracionismo, como disse o menino de dez anos, que hoje deve estar casado e com filhos, a história é contada plasticamente.
Através de cores, tons, texturas, linhas e formas.
Não deve haver nenhum paralelo com as tais coisas reais, como um rosto, um sofá, ou uma flor, por exemplo.
De tal maneira que a maioria das obras abstratas têm como título: Composição 1, 2 e 3, imagem 1, Abstração 3 e 4, enfim.
Todo esforço do Artista para não levar o espectador à uma imagem que ele já conhece como real.
Pela centésima vez eu escrevo a frase genial do Mestre Paul Klee:
Eu não represento o Visível, eu torno Visível.
Assim os artistas mostram ao mundo algo que nunca havia antes.
Criatividade à flor da pele.
Antigamente um dizia que uma obra hiper-realista não entrava nesta categoria, mas hoje eu encaro de forma diferente.
A cabeça, as mãos, a boca e os pés dos artistas, por mais que façam uma obra igualzinha a uma fotografia, ainda terá um toque de humanidade.
Resumir é um ato de muita coragem, principalmente para alguém que fala pelos cotovelos.
Outro dia vi um cartaz na parte de trás de uma banca de revista trazendo um grupo de pagode.
O nome do grupo é Menos é Mais.
Faz tempo que isso foi até tema de uma prova para o curso de Arquitetura da USP.
E é incrível o poder de com Menos, significar Mais.
Misterioso poder.
Abstrair é divino, assim como enxergar nas entrelinhas
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