Observando estrelas

Sempre compro um assento no corredor no ônibus da Cometa.
Hoje não foi diferente e quando entrei um moço já estava sentado na janela.
Sentei-me, coloquei a mochila no colo e até coloquei o cinto de segurança.
Quando o ônibus deixou a rodoviária eu notei que havia muitos assentos vazios.
Saí de onde estava e resolvi sentar na janelinha, deixando a mochila no banco do corredor.
Por uma dádiva dos céus a parada no terminal São Paulo, onde as pessoas pagam um valor inferior na passagem, hoje também estava quase vazio.
Entraram três pessoas.
Quando já estávamos na rodovia Castelinho resolvi deixar a cortina azul entreaberta para observar o movimento do sentido contrário.
Na hora pensei e tive a ideia de fazer um paralelo com a minha chegada na rodoviária de São Paulo depois de subir a escada rolante em direção ao metrô.
Explico.
É um monte de gente na direção contrária à minha e uma diversidade extraordinária de tipos e jeitos.
Do outro lado da rodovia também.
Automóveis de todos os tipos, dos mais altos, aos mais baixos, carrões e carros mais simples.
Há um tempo tenho notado que não existem muitos carros de outra cor rodando por aí.
A maioria é preta, branca, ou cinza.
Tem os prateados também.
Eu uso o transporte público em São Paulo.
Metrô e ônibus sem pagar as passagens, usando meu cartão sênior.
Adoro esse adjetivo: Sênior.
Quando o ônibus parou no sinal vermelho uns metros antes do meu ponto de chegada, eu e o motorista vimos um dos carrões pretos com a frente bem abalrroada e parado bem na esquina.
O carro estava sozinho e com o pisca alerta ligado.
Bateu numa pilastra que o nosso amigo Bruno havia colocado na frente do seu restaurante.
Colocou as pilastras, tamanha era a quantidade de carros que batiam na sua porta de entrada.
Hoje ele e a familia moram na Itália e o estabelecimento é uma hamburgueria.
Uma das pilastras sofreu apenas uma queda de massa e pintura, já o carrão perdeu seu para-choque e as lanternas frontais.
Penso ter acontecido o desastre de madrugada com o motorista em estado de ser repreendido por dirigir.
Eu gosto disso.
Eu não tenho certeza e nem poderia.
Não estava no local na hora do ocorrido e também não achei precisão de perguntar se alguém sabia.
O mesmo se deu quando observava os carros no sentido contrário.
Aquele Fiat vermelho dirigido pela senhora de cabelo preso a estaria levando para um seminário na Uniso?
O BYD cinza chumbo dirigido pelo moço calvo o estaria levando para o Museu da energia em Itu?
E o moço da Porshe azul?
Será que existe mesmo um autódromo particular onde as Porshes se reúnem aos domingos para rachas absurdos?
Isso ninguém me contou.
Eu é que imagino ao ver uma quantidade imensa desses veículos na Castelo Branco aos domingos.
E pela minha observação vários deles entram numa ruazinha vicinal depois de Araçariguama.
Além de adorar contar histórias vividas eu adoro imaginar as histórias dos outros.
Ontem à tarde acontecem as minhas duas turmas da Eletiva de Desenho.
Dois meninos me agradeceram pela aula.
Eu acho bonito mesmo.
Agora, a frase da menina da segunda turma encerrando a tarde foi emoção pura.
Betu, eu queria morar aqui na sua Aula.
Ela ainda não deve saber que quem me ensinou foi ela


 

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