Falseta
Existem coisas que funcionam apenas se forem originais.
Meus fones de ouvido não são encontrados mais pelo Bluetooth do meu celular.
Parece que os comprei no trem do Metrô, mas não.
O moço entra no trem e já vai comunicando:
Tenho aqui fones sem fio originais que nas lojas custam cinquenta reais.
Tenho aqui por vinte.
Levando dois faço cada um por dez.
É claro que ele vai durar no máximo um mês.
Rio porque não sou ignorante neste aspecto.
Penso que não apenas neste.
Acabo de comprar um fonão daqueles que cobrem a cabeça por trintão.
É claro que talvez ele nem carregue, mas comprei com meu coração peludo e raivoso.
Rio porque eu não sei se posso ser mais ignorante.
Chega amanhã e quando puser pra funcionar eu conto como foi.
Depois que tive que comprar um celular novo, achei incrível que ele não têm mais entrada para fones com fio.
Comprei porque o outro apagou de vez.
Coisa da modernidade.
A obsolescência dos produtos.
Eu sinceramente gosto de usar coisas que estão em bom estado e já serviram a outros, mas neste caso a coisa não funciona mesmo.
Esta é a última experiência que faço comprando um mecanismo tecnológico falseta.
Praticamente já sei o resultado, mas sou um insistente incorrigível.
Exagerei, afinal acabei de dizer que será a minha última experiência neste sentido, portanto corrigirei este mau hábito.
E será.
Aristóteles escreveu que: Nós somos o que fazemos repetidamente.
A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.
Não deixarei minha ignorância ser habitual.
O que gosto é o meu hábito de viver de forma simples e isso acaba por ser a minha excelência compartilhada.
Eu me habituei a fazer das minhas ações em sala de aula, várias possibilidades de criação para a criançada.
Na próxima aula de Desenho levarei meu violão.
A convivência com tantos outros diferentes me traz uma experiência vasta, múltipla e cheia de surpresas agradáveis.
Eu acabo vibrando com insignificâncias quase como o Manoel de Barros.
Barros é original.
A origem de tudo está em achar soluções coletivas que realmente possam funcionar.
Colocar em funcionamento é um hábito que não admite preguiça.
Bora trabalhar.
Mesmo que a gente não se atenda a apenas um fazer por excelência, que a gente faça de tudo um pouco para que este mundão nos impulsione através do mistério.
Como a partir de uma característica pessoal insana, pessoas criativas podem construir uma narrativa psicológica tão fantástica?
Entre o bem e o mal eu fico com a humanidade
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