Esquisito

Apesar de ser esquitito eu gosto muito das marcas deixadas no cimento das calçadas.
Digo esquisito porque é uma contravenção.
O profissional deixa o cimento lisinho, vem alguém e passa por cima com o cimento fresco marcando o piso.
Desta vez o chão está marcado por um pneu de bicicleta e bem rente a essa marca, patas de cachorro.
Como todas as marcas elas vêm recheadas de significados.
Não apenas as marcas no cimento, mas principalmente as que são impressas na gente pelos acontecimentos.
Ao passar olhando para o chão a marca de pneu me remeteu a quantidade incrível de entregadores de encomendas.
Entregam desde objetos até comida de todas as naturezas.
Estão trabalhando duro e sem nenhuma garantia.
Aqui no bairro quem anda pelas calçadas deve ter atenção redobrada, afinal o que os ciclistas entregadores mais fazem é andar pela contramão.
Quero dizer na contramão sobre as calçadas
As patas de cachorro têm muito a ver com o declínio da natalidade.
O crescimento do mercado Pet é ultravisivel, afinal muitas pessoas estão preferindo os bichos às crianças.
Acho interessante a quantidade de vezes que falamos sobre escolhas.
Enquanto isso a América insiste em ser repartida na visão dos sujeitos que têm no ódio a razão do viver.
Viver amassando os outros, ridicularizando e menosprezando aqueles que têm nas ideias criativas e progressistas o respeito pelas diferenças.
Cachorros escrotos, baratas que mostram suas patas nojentas.
Vivem de passar marcando as calçadas dos que não têm a mínima condição de reagir.
Desta forma, alguém com visão de vanguarda, convida e dá todo o suporte para uma apresentação forte e decisiva num intervalo de jogo dos mais assistidos do planeta, em solo norte americano.
América é una.
Nome dado em homenagem ao navegador Américo Vespúcio.
América.
América onde já havia os povos originários, os que deram origem ao desbravamento dessas terras sobre as quais seres em bicicletas e animais domésticos hoje trafegam pelas calçadas.
Desbravar é um tempo muito forte, já que os indígenas desde sempre preservaram o meio ambiente, usando da forma mais sustentável possível e reverenciando a Natureza como deusa dos acontecimentos misteriosos.
Coelho mal é um nome fictício apadrinhado pelo artista portoriquenho e também é esquisito por ser interessante, já que o Coelho é símbolo de fertilidade, da natalidade.
Há que se pensar que ele é mal para quem?
Nas horas vagas ele luta boxe.
Assim como nós, lutadores e remadores contra uma corrente sistemática de traumas e escolhas nem sempre corretas.
Gosto da expressão passar pano.
Acho que tem a ver com dar um lustro, lustrar aquilo que é sujo, menos limpo.
A gente passa um pano e a escolha fica mais brilhante.
De tal forma reluzente que chega a cegar principalmente o passador de pano.
A vida é essa encrenca na qual nos metemos.
Alguém vai dizer que não fomos nós que escolhemos vir pra cá, mas essa ideia não é a minha.
Um elemento foi escolhido, ou foi mais forte e já fez parte de mim, unido a outro elemento, numa união maravilhosa entre um elemento masculino e outro feminino.
O que acho mais lindo ainda é que quando nos expulsamos da barriga e entramos em contato com o oxigênio já começamos a sentir os efeitos do mundão.
Lindk também é eu ter gravado imagens e sons das crianças próximas e elas não lembrarem que fizeram isso ou aquilo.
E mais lindo ainda não saber o que significam palavras inventadas na hora e que eu nunca saberei o real significado.
O significado é misterioso porque o signo é Mistério.
Ir ao parque do povo na mostarda da Mira é divino, quando uma criança no meu cangote, indo brincar no Parque do povo em São Paulo, começa a cantar uma canção inventada na hora.
Vai que ela, assim como eu, gosta de passar a Mostarda na batata frita, Mirando vorazmente o sanduíche na minha frente?
Uma criança pega o Ukulelê e canta inventando uma letra bem afinada.
André Abujamra é uma criança crescida no Karnak


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A saga das palavras

Rima

Todos