Diariamente
Caminhando pude olhar para a esquerda e ver minha imagem refletida nos vidros grossos que separam o prédio da calçada.
Não se usa mais grades para a proteção contra invasões.
No reflexo vi minhas pernas finas e brancas.
As panturrilhas ganharam mais relevo, mas só.
Rio porque um dia descobri porque o goleiro do Inter de Porto Alegre era apelidado de Maizena.
Ao ver a cena me lembrei da piscina e principalmente do mar.
Quando eu era jovem ainda sonhava em ter a pele preta.
Faz tempo que não suporto ficar queimado com vermelhidão de segundo grau.
Vou comprar uma daquelas peças de manga longa preta para surfistas para usar quando for tomar sol nesses lugares insalubres.
Rio novamente, afinal a piscina é relaxante.
A vinda até aqui não se limitou a esta visão, mas vi e revi as poças d'água totalmente imóveis nas calçadas, refletindo a paisagem urbana.
Uma delas era emoldurada lindamente pela falta de uma lajota na calçada.
Quadrada, com o reflexo e uma folha verde no centro.
Bonito de ver.
E assim as bonitezas saltam aos meus olhos, de forma que dar forma a elas é só uma questão de tempo.
Assim fazem os artistas nas suas Linguagens escolhidas, ou híbridas.
Hoje vou sair daqui e comprar mais uma tela painel, mas esta terá um tamanho pequeno.
Falando em saltar aos olhos, estes com certeza se apresentarão como é minha característica.
Meu doutor desde sempre me pergunta:
Você continua desenhando, né?
Continuo e sei bem quais os motivos da pergunta.
Ontem ouvi um doutor falando bonito sobre a classificação e não sobre o diagnóstico das síndromes.
Eu nunca fui diagnosticado com nada desse tipo, mas compreendo.
Segundo o doutor se a energia está faltando num pedaço da gente ela está sendo canalizada para outro pedaço.
Da gente, do humano, do ser único e particular.
Quando o Arnaldo, a Marisa e o Carlinhos escrevem: Só não se perca ao entrar no meu infinito particular, os geniais artistas já sacaram tudo.
Da série Stranger Things só gostei da primeira temporada.
O que mais gostei nessa última temporada foi a recuperação da gíria: Saca, Saca?
Eu tive uma sacada não literal - apesar de também a tê-la em Sorocaba - que foi reverenciar também o título da série:
Coisas estranhas.
Afinal eu sou estranhíssimo, além da minha caretice.
P.S.- No ato de terminar este texto sou surpreendido pela Imagem construída por Hozana, que me ajuda na arrumação da casa em Sorocaba.
Ao arrumar a mesa do NoteBook, ela usa o mouse pad e o peso de papel do Nono Humberto para construir essa imagem, inscrevendo um círculo no outro.
Genial.
Fico encantado, emocionado e conectado com as pessoas que compreendem a força e a Intensidade do gesto da moça que constrói essa imagem com um peso de papel do Nono Humberto e um Mouse Pad, encontrados na mesa que ela estava arrumando
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