Sobre poesia
Muitos já escreveram sobre a poesia não ser apenas um arranjo de palavras gerando um texto bonito, reflexivo, que cause estranheza, ou encantamento.
Certa vez uma aluna, ao ver que eu havia colocado um violão no centro da sala de aula, exclamou;
Eu vejo a poesia do objeto!
Fiquei tão entusiasmado com a potência da frase espontânea que
na semana seguinte eu escrevi a frase na cor preta sobre uma camiseta verde escura.
Minha intenção poética foi a de motivar as pessoas a forçar a visão para compreender o que estava escrito.
O contraste entre a cor das palavras e o fundo era bem pequeno.
Coloquei o crédito a quem de direito, é claro.
Uma poesia que provoca outra.
Muitas pessoas já escreveram sobre esse tema, mas cada vez que repetimos essa dialética nós apresentamos a poesia como uma nova perspectiva de diálogo.
Poesia em quadrinhas, sonetos, raicais, prosas, romances e outras tantas coisas que a nossa gramática pode até questionar.
Poesia é portanto, a mutação do estado de alguma que já conhecemos, para outro estado imprevisível e muitas vezes pouco compreendido.
O estado que o Chico Cesar chamou de Estado de poesia.
Esse é o titulo da sua canção que a Bethânia gravou.
A água passa do seu estado líquido, que é mais frequente, para o sólido e para o gasoso, porém também passa pela lágrima dos que choram tristezas e alegrias, pelo Rio que passou na vida do Paulinho da Viola, pela serpente de vidro do Manoel de Barros, pelo planeta do Guilherme Arantes e deve passar por toda a poesia que há no fato objetivo de ocupar pelo menos setenta por cento do nosso corpo.
A poesia mora nas casas, nos edifícios, nas antenas enormes que transmitem sinais dos celulares. Quando acabo de escrever sobre esse tema, nem tenho certeza se a transmissão é para os celulares, ou dos celulares.
Essa dúvida motiva a poesia destas e de outras coisas relativas.
Não entendo a mínima sobre bioquímica.
Porém, vamos dizer que as células carregam proteínas e essas têm as mais variadas funções dentro do nosso corpo.
Da mesma forma nós carregamos poesia e não devemos apenas carregá-la, mas expandí-la para que ela alcance outras pessoas e estas nos alcance.
Agora, falando em biofísica, outro assunto sobre o qual tenho apenas uma vaga ideia, tenho certeza que todos nós temos Antenas no topo da Cabeça.
É quase como ter total ciência sobre isso, porém ela não é uma antena metálica, com fios interligados e comandados por inteligência artificial.
Ainda nos tempos da guerra fria, embora eu ainda ache que estamos nela, o povo falava em telepatia dos russos.
Falavam com total fluência, como se soubessem exatamente do que estavam falando.
Dito isso, nada mudou desde então.
Rio porque me impressiona o fato de eu não ser um rebelde antissistema e ficar aqui sentado, sendo quase um méqui feliz.
Existindo ou não a telepatia, eu resisto em poesia.
Esta que a nossa antena localizada no topo da nossa cabeça encontra afinidades que ignoram o tempo e o espaço.
Estar interligado por ela é uma satisfação ímpar, embora estar a par seja igualmente belo.
Desde muito cedo compreendo a estética do feio em Arte, porém sou brega o suficiente para alimentar a minha estética com a boniteza do padrão.
O meu padrão também não é radical, pois é multifacetado e privilegia a diversidade, aplaudindo até o bordão do moço da praça é nossa:
Vc pensa que é bonito ser feio?
Se pensarmos bem, sentiremos dentro da alma, vinda esta informação da antena do topo da nossa cabeça, que nem tudo que reluz é ouro e que é certo que muitas vezes as aparências enganam.
Dito isso, clique na busca do YouTube e escreva:
As aparências enganam com Elis Regina.
Você ouvirá um dos variados encantos da poesia
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