Sinalizando

Andei olhando o estado das calçadas até chegar aqui.
Existem todos os tipos de revestimentos.
Pedras, cimento, mosaicos e até azulejos.
Hoje a maioria delas está coberta com folhas.
Observando as folhas caídas eu resolvi olhar para cima.
As copas das árvores que ainda resistem e são moradas de alguns pássaros me encantam, até pela variedade de matizes do verde.
Parece que a gente não vê mais pardais por aqui e nem por aí.
Dizem que professores pardais são vários treinadores de futebol que, vez por outra, estão a inventar esquemas.
Esquemas mesmo são movidos pelo dinheiro e esses a gente sabe que cansamos de ver acabarem em pizza.
Houve um tempo que eu dizia que o meu prato predileto era pizza, mas em vista do que como hoje, a lista aumentou bastante.
Dois jovens adultos entraram na academia e nenhum deles segurou a porta para mim.
Quando entrei na loja de armarinhos e aviamentos para comprar meio metro de velcro branco, quem me atendeu prontamente foi a moça mais velha, afinal a mais nova estava entretida com uma peça de tecido.
Citei esse evento porque entrei cumprimentando as duas e só uma respondeu.
Não foi a da costura.
A minha atenção sempre está voltada para a iniciativa e neste caso a ideia é que quem está no comércio está querendo vender.
O senhor com a vassoura está varrendo as folhas da calçada que amanhã estará cheia novamente.
Não importa.
O que importa é que agora ela está limpa na frente do prédio onde ele é zelador.
Zelador, o que zela.
Como é fantástico o zelo.
Não um fantástico de fantasia, mas um fantástico de extraordinariamente bonito.
Bonito é o fato de deixar a calçada mais acessível aos que passam, ainda mais com essa garoa fina que cai, depois de um calor escaldante.
Existem riscos de queda, parecidos com o que aconteceu com a senhora que estava pronta para atravessar a rua em direção à farmácia.
Há um desnível no cimento e ela já havia se desequilibrado quando eu passei ao seu lado.
Caímos eu e ela.
Eu fui escorando com meu corpo para aliviar a sua queda.
Não nos machucamos e ela agradeceu a mim e a todos que vieram saber se estava tudo bem.
Tudo ficou bem menos a calçada em desnível e com buracos.
Quase sempre ando calçado, mas gostaria bastante de andar descalço.
Sentindo a terra seria loucura de um cidadão, já que esta é uma terra impermeabilizada pelo asfalto.
Talvez sentirei as pedrinhas, os vãos, os buracos, os lisos, os ásperos e as folhas.
Já fui várias vezes repreendido por colocar os pés na rua, além da calçada, esperando ansioso o sinal de pedestres abrir.
Está funcionando, afinal o meu equilíbrio está mais para o título do CD em italiano do Renato Russo.
Equilíbrio distante.
O índice de atropelamento no cruzamento da Joaquim Floriano com a Bandeira Paulista é grande.
Todos pisando na rua apressados e tentando desviar das motos e dos carrões.
Nada disso é necessário.
Nem a pressa, nem o descuido.
Espero cuidar sempre para que as coisas se equilibrem.
Ao sair dou de cara com uma calçada cimentada.
Já sei que desviarei dos chicletes esmagados pelas botas, tênis e rasteirinhas.
As outras composições observarei com mais cuidado.
Estou calçado nesta ideia


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