Tempestades

Ontem e hoje tenho recebido na tela do celular alertas de tempestade.
Caminhando até a academia só chuvisco e garoa.
São Paulo é tão gigante que deve estar caindo o mundo em algum canto, mas não aqui.
Estamos sempre sujeitos à tempestades já que essa vida nos revela a cada instante um desafio.
Acabo de receber dois vídeos registrando a Mostra da Estação Lixo Zero no Colégio.
Imagina o resultado exatamente igual à nossa ideia.
Depois de onze anos consegui mostrar aos alunos as Caixas anuais de materiais.
Tudo começou em 2014 e hoje, a neta com nove anos, já faz mini desenhos para colar na caixa deste ano.
Em tempos de tempestades eu tenho que manter a calma e reflexionar sobre as minhas ideias e realizações diárias.
Bicicletar vinte e três quilômetros por dia me deixa animado para desenhar dentro do círculo que propús para a camiseta branca que o aluno do sétimo ano me pediu.
Depois de exato um ano ele comprou e me entregou a camiseta para a tarefa.
Não desenho todos os dias da semana como um artista legítimo faria, mas quando faço é como andar de bicicleta.
Eu não esqueço como faz.
Hoje eu estou sentado numa bike diferente.
Esta parece muito com uma bicicleta original que anda nas ciclovias ou nas ruas planas de Santos.
Não é nenhuma tempestade em copo d'água, mas vale experimentar e conhecer a diferença.
A senhora que está na bike mais usual acabou de sair, mas sigo firme nessa vibe mais modernosa.
A vibe da experimentação.
Quando mandei o video da Mostra para o meu filho, quem foi me respondendo no zap foi a Alicinha.
Achei graça quando ela foi me responder com um Sim e me respondeu com S.
Uma das respostas mais incríveis dos alunos quando perguntei sobre a quantidade de abreviações nas mensagens, foi essa:
Você não entendeu?
Entendi.
Sensacional naquilo que o sensacional tem das melhores sensações.
Entendi que hoje para que eu não faça uma tempestade num copo d'água, eu preciso compreender a necessidade de ser breve, mas colocar a minha ideia.
Isso requer criatividade no sentido de conseguir articular as palavras de forma lírica, mas objetiva.
Havia uma tempestade na cabeça e eu fui reconhecendo no dia a dia, a partir de observações dos amigos e da família.
Lembro de uma frase marcante do meu Pai Jorge dizendo: Beto, você é distraído, portanto todas as vezes que vier de São Paulo vou comprar na banca um fascículo dos Gênios da pintura.
Isso foi e é um mega incentivo para um sujeito que hoje seria diagnosticado com TDAH.
Rio porque é verdade e sou abençoado com esse poder de atividade e ainda estar consciente que posso caminhar melhor sabendo de tudo isso.
Não há alerta de tempestade que me faça estar desatento.
Quando estou quieto é porque estou tristonho de alguma forma.
Reflexiono também por isso e sobre isso.
Sou agraciado por estar em ação muito mais do que tristinho.
Graças pelas minhas tempestades serem acompanhadas por chuviscos.
O Sol nasce no leste e eu em Curitiba



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