Óculos
Ontem uma aluna me perguntou se os meus óculos tinham grau.
Raciocinei e percebi que ela havia achado os meus óculos estilosos.
No começo da carreira o cantor e compositor Silvio Brito usava os óculos sem as lentes.
Ele também achava estilosos os seus óculos redondos e até hoje ele os usa.
Imagino que pelo avançar da idade, hoje eles tenham lentes com graus.
O meu é verde e foi fabricado na Espanha, vendido em Portugal e trazido ao Brasil pela filha bailarina. Ela que já é mamãe de uma filha que nascerá em janeiro.
Maria, condinome Mia.
As lentes no meu caso são principalmente para que eu consiga desenhar, escrever e ler.
Coisas que devem ser observadas de perto.
Observo de perto os acontecimentos que vão se desenrolando nas séries de suspense, já que não assisto a TV aberta há anos.
Algo que seja muito importante eu posso ver nas imagens e textos no Instagram.
Você pode pensar que eu estou me alienando, mas não.
Estou me defendendo de programas que mostram uma realidade ficcional produzida pelo sistema que, por imprimir desigualdades, vai incitando violência e terror.
É claro que nas redes antissociais esse tal conteúdo também existe e persiste aos montes, mas eu vou selecionando e mais alimentando do que sendo alimentado.
Assim é como acredito, tentando ver de perto os conteúdos relevantes da lírica e da poesia.
Um aluno atendeu o telefone para falar com o pai.
Deixei que ele soubesse que o pai já estava lá embaixo esperando e antes que ele desligasse, perguntei:
Qual o nome do seu pai?
O aluno me disse: Lucas.
Pedi o telefone e fui logo falando:
Lucas, aqui é o professor, você tem um filho muito especial e tem crescido muito no desenho.
Ele me responde que o filho está se esforçando bastante e tem muito orgulho disso.
Eu desejo boa noite e falo que sei que o aluno também cuida bastante da irmã pequena.
O pai agradece, realça sobre o cuidado com a filhinha e se despede.
O menino é isso mesmo.
É um garoto que cuida e se esforça muito para melhorar a sua técnica, já que eu incentivo muito que ele não perca o desenho que lhe é bem próprio, com uma tendência cubista.
O mais importante mesmo é o cuidado universal que nos conecta com as coisas mais maravilhosas deste mundo, muitas vezes até confundindo-o com o mundo espiritual.
Espírito de cuidado, Espírito de cuidar.
Essas coisas que precisam ser olhadas bem de perto e que apesar de muitas vezes julgarmos impossível, nós vamos nos adequando em conformidade com o nosso coração.
Repare bem de perto que nunca o cuidado está sozinho.
Quem cuida cuida de alguém e esse vai cuidando de outrem.
Esse outrem são tantos que nunca me sinto sozinho.
Noto cada vez mais que uma boa parte das pessoas pensa num futuro sombrio para todos os assuntos, mas de repente posso olhar para isso como uma fase e como já presenciei várias vezes, a fase de um jovem, quando se torna adulto, muda radicalmente.
O que hoje é desesperador, amanhã é só alegria e trabalho generoso.
A minha conexão é extravagante no sentido de esperançar dias e dias sensacionais, onde a sensação que eu tenho é que a poesia alicerça e vence a maldade.
Até a minha, que ainda pode resistir.
A minha lente busca ser telescópica e alcançar os menores e menos brilhantes planetas neste nosso planeta cada vez mais desigual e cruel.
Meus óculos, apesar da aparência filosófica, sempre pretendem ser mais práticos
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