Laboratórios

Lembrei do programa educativo: O mundo de Beakman.
Programa dos anos 90.
No começo era um cientista e um assistente.
O fantástico Rato de laboratório.
O Beakman ia explicando e o Rato ia colocando a mão na massa para que eu e a criançada entendêssemos a explicação.
Lembrei porque no meu caminho encontrei um buraco na calçada.
A primeira placa que o cobria estava jogada para o lado e deve ter sido chutada por um transeunte em transe.
O buraco propriamente dito, ainda tinha por cima outra placa de madeirite e um pedaço de isopor.
No dia em que o cientista foi explicar o que acontecia quando arrancávamos um pedaço da pele do nosso corpo, devido a qualquer queda ou atrito, o Rato usou um demolidor de parede para fazer um estrago no reboco e expor os tijolos.
Depois disse que o nosso corpo age rapidamente para repor as células da pele.
O Rato pôs-se a encher o buraco da parede com placas de papelão e rapidamente o reboco estava reposto, ou seja, o nosso corpo cria uma casca no buraco feito na pele, derme e epiderme.
Nunca mais esqueci e adulto que sou, fui pesquisar mais a fundo sobre a reposição das células epitaliais pelo nosso organismo.
Tive a chance, no caso do buraco no meu caminho, de ajeitar as partes para que ninguém tropeçasse no dito.
Fiquei a pensar que depois desse meu gesto, ninguém mais vai poder fazer a relação com o Beakman e isso não é tão interessante.
Outra atração científica do programa foi a da gelatina incolor.
Imagina o Ratão passando um cotonete entre os dedos dos pés gigantes que há anos não via limpeza.
A ideia do cientista era explicar a existência dos micro-organismos imperceptíveis a olho nu.
Tirou da geladeira um pote com gelatina endurecida e passou o cotonete infectado fazendo uma linha reta na superfície.
Voltou o pote para a geladeira e tirou depois de alguns dias.
A linha reta estava sulcada.
Fez um buraco reto.
Os micro-bichos haviam comido a gelatina no espaço tocado pelo cotonete imundo.
Sensacional.
Você quase com certeza deve estar pensando: Que nojo!
Também isso é muito subjetivo, já que cada um que me lê tem experiências muito diferentes, tanto que há médicos, engenheiros, artistas e tantos outros seres com gostos e percepções diferentes.
Eu admiro a curiosidade e a diversidade.
Gosto bastante de me enduvidar, me encher de dúvidas e ouvir explicações de tantos que podem me fazer entender.
Acho inexplicável tanta gente dar palpites sobre assuntos que não sabem, ou não fazem ideia do que se trata.
Isso existe bastante.
No final do programa colocaram uma assistente menina que questionava muito o Ratão.
Questionava também o Beakman, afinal nem todo mundo sabe tudo sobre todas coisas do mundo e nem todo mundo ignora tudo sobre todas as coisas.
Escrevi embaralhando as ideias para que nada fique totalmente explicado, já que ainda há espaço para O mundo fantástico de Bob, o Show da Luna, o Castelo Ratimbum e outras adultices intelectuais que me enchem de graça e cada vez mais vontade de ser menos ignorante



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