Fotografias

No caminho até aqui eu ando a pé no contra fluxo dos automóveis.
Muitas buzinas nos mais diferentes timbres.
Agudos e graves.
Na hora me lembrei da teoria prática que fala que às quintas são mais congestionadas porque o pessoal trabalha presencialmente.
Ontem o motorista do Uber acrescentou dizendo que em casa ele gasta mais comendo, gasta com Internet, gasta mais com energia elétrica e que as empresas descobriram mais uma vez como tirar vantagem.
Como ele mesmo, gasta mais com a manutenção do carro, enfim.
O mundo onde o capital vai sobreopujando o humano.
Porém o humano resiste e insiste.
Uma senhora usando muletas chamou um Uber e o motorista parou sem sair do carro.
Nem precisei ver o esforço que ela faria só de observar ela tentando abrir a porta do carro.
Dei uma corridinha, abri a porta, coloquei primeiro as muletas atrás do banco do copiloto e depois segurei a porta e ela se ajeitou no banco de trás do motorista.
Agradeceu e sorriu.
O motorista também agradeceu.
Pesquisei porque há tantos prédios recém construidos praticamente vazios.
Claro que o oráculo Google, hoje conhecido como inteligência artificial, me respondeu que isso acontece por causa da especulação imobiliária.
Os endinheirados compram os estúdios e apartamentos e esperam até conseguirem os preços maiores por eles anteriormente previstos.
Outra curiosidade é a quantidade de prédios mais velhos, mas nem tanto, que estão sendo totalmente remodelados para atingirem a perspectiva milionária dos seus milionários.
Outro dia um artista vendeu por não sei quantos milhões de dólares uma escultura invisível.
Lavagem de dinheiro.
A ideia que foi revolucionária quando Duschamp nos anos 1950, percebeu que a indústria produzia uma peça de porcelana aos milhões e teve certeza que essa peça era uma Escultura pronta da fábrica para as galerias e museus.
No início elas nem tinham assinatura, mas no fim, alertado pelo mercado, parece que ele assinou umas dez.
Existe todo tipo de enganação e até arrisco dizer que a Arte é um ilusionismo que ativa a nossa consciência e inconsciência.
Outro dia, a partir de um engano, já que pensei que estava com a mão totalmente limpa depois de encher de Nanquim a carga de uma caneta usada, manchei a minha calça já desenhada na perna direita.
A partir da mancha escura, desenhei sobre aquele pedaço da perna esquerda.
Sóbrio engano.
Fiquei admirado com o fato que observo, onde nenhum aluno jovem sabe o que é a tinta Nanquim.
Isso é um sinal dos tempos contemporâneos e não uma ignorância radical dos jovens.
Eles têm aprendido sobre isso com os professores de Arte.
Falando nisso, a Alicinha foi instigada pela professora a fazer um desenho usando carvão.
O retrato do cangaceiro tem uma expressividade impressionante, incluindo a cicatriz num dos olhos e os adereços do chapéu escorrendo pelas laterais.
Pense que só existe no mundo um cangaceiro retratado a carvão desta maneira.
Como já nos disse Klee: Eu não represento o visível, eu torno visível.
Assim nós seguimos administrando nossa inteligência emocional e intelectual para vencermos os pequenos desafios.
Para os grandes acho prudente observarmos a Natureza.
Quando falei sobre o caminho a pé, eu estou descrevendo o caminho que faço até chegar na bicicleta que não sai do lugar e me proporciona exercitar os dedões das mãos 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Todos

Rima

Vídeo Game